sábado, 7 de abril de 2012

Aspectos psicolõgicos do desporto de alto rendimento




A competição esportiva exerce uma influência decisiva sobre o comportamento emocional do ser humano.

A tensão emocional oriunda das altas exigências psicofísicas dos estímulos do treino e da competição esportiva leva o indivíduo a apresentar comportamentos contrários à sua condição de atleta.

A prontidão para a máxima performance – ou para se fazer o melhor - deve ser uma das virtudes do atleta de alto rendimento, virtude esta que pode ser extremamente abalada diante de um quadro de estresse psicológico.

O estado psicológico do atleta é fator determinante para o seu máximo rendimento, pois toda ação mecânica relaciona-se diretamente ao estado emocional do indivíduo.

Essa relação entre movimento e estado emocional deve ser considerada para a otimização dos processos do treino desportivo. Assim, o sucesso no desporto dependerá não apenas da preparação dos aspectos físicos (força, velocidade, resistência, flexibilidade, coordenação), mas também dos aspectos mentais (concentração, auto-estima, motivação, ansiedade).

As influências desses aspectos não se dão separadamente, mas simultaneamente, pois consideramos que as reações do organismo não ocorrem exclusivamente de maneira psicológica ou fisiológica, mas em decorrência conjunta dessas duas partes, ou seja, psicofisiologicamente.

No desporto de alto rendimento, a preparação física, técnica e tática dos atletas das diversas modalidades encontram-se num nível de desenvolvimento equivalente. O que faz a diferença entre o vencedor e o perdedor é o estado emocional do atleta ou da equipe diante das situações do confronto competitivo. Portanto, o estado psicológico ótimo é necessário para se poder reverter o treinamento para um desempenho vitorioso.

Mas, afinal, qual seria o estado psicológico ótimo do atleta de alto rendimento?

Uma descrição e análise dos estados psicológicos do atleta foi realizada por Alexseev (1993), que estabelece três situações que são:

  • ESTADO PSICOLÓGICO DA NORMA, sendo o estado funcional e saudável do indivíduo, representado pelo equilíbrio emocional para a realização das tarefas básicas do cotidiano. Esse estado psicológico não é o ideal para as disputas competitivas, que exigem uma mobilização das forças físicas e psíquicas do atleta além daquelas exigidas pelo cotidiano. Entretanto, o estado da norma é fundamental para a conservação da saúde do atleta. O estado da norma é favorecido pelos seguintes pontos: não sofrer (o sofrimento provoca o mal funcionamento de todos os sistemas do organismo humano; assim, deve-se criar mecanismos que substituam o sofrimento por outras emoções, exemplo: exercícios físicos ou atividades que supram as necessidades pessoais do atleta, e criação de imagens mentais positivas); manutenção do bom humor (garantia do otimismo, que desenvolve no atleta uma expectativa de sucesso, mesmo com todas as frustrações e reveses); restabelecimento das forças (equilíbrio e manutenção dos gastos energéticos provocados pelo estresse oriundo do treinamento, das competições e do cotidiano social; a recuperação física e mental é importante para a saúde e a qualidade de vida do atleta);
  • ESTADO PSICOLÓGICO DA MOBILIZAÇÃO, é o estado ideal do atleta que lhe possibilita a intervenção ótima na competição. O atleta de alto rendimento deve estar continuamente preparado para a execução de tarefas motoras específicas (exigências da modalidade praticada), para a adaptação a novos estímulos (treinamento) e para a superação das dificuldades. Portanto, a integração dos componentes da performance, ou seja, os fatores físicos (força, velocidade, resistência), emocionais (controle da ansiedade) e mentais (concentração) é imprescindível para a obtenção do desempenho máximo ou da vitória. No estado de mobilização, o atleta consegue manter sob seu controle um elevado nível dos componentes da performance, do início ao final da competição;
  • ESTADO PSICOLÓGICO PATOLÓGICO, que são as manifestações emocionais maléficas para o desempenho desportivo e contrárias à situação ideal psicológica do atleta. Medo, apatia, nervosismo, excesso de ansiedade dentre outros, representam uma desarmonização psíquica que afeta diretamente o desempenho do atleta. Associa-se o estado patológico a uma situação de exaustão psicofisiológica do atleta em relação a suas atividades (esportivas ou sociais). É o estresse crônico, provocado pelo excesso de estímulos físicos, emocionais ou mentais. É o esforço extremo e inútil do atleta para superar as elevadas demandas impostas pelo excesso de treinamentos e competições.

As desarmonizações psíquicas são responsáveis pelo fracasso do atleta nas competições. Elas podem se manifestar algumas horas, dias ou semanas antes das competições, durante as mesmas ou após. Irritação, descontrole, ansiedade, falta de vontade de competir, desinteresse pela prática esportiva são algumas manifestações da patologia atlética.

Medidas pedagógicas devem ser tomadas como forma de prevenção para que o atleta não atinja esse estado patológico que, conforme o grau de desenvolvimento, poderá inclusive afastar definitivamente o mesmo do meio esportivo.

Dentre os pontos básicos dessas ações pedagógicas profiláticas deve-se enfatizar a competição como um aspecto a mais do treinamento desportivo, não como uma ameaça a auto-estima e auto-realização do atleta. A competição deve ser encarada como uma manifestação espontânea e divertida, fazendo com que os atletas compreendam a sua natureza lúdica, tornando-a um evento atraente e de grande satisfação.

Na última Olimpíada observamos que muitas vitórias já tidas como certas escaparam ao alcance dos nossos atletas. Seria isso o fruto de uma falta de preparação psicológica dos atletas e equipes olímpicas do nosso país ou apenas e simplesmente falta de sorte?

Deixo a dúvida a você, leitor.

 

BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA

CÓRIA-SABINI, M. A . Fundamentos de Psicologia Educacional. 2ª edição. São Paulo: Ática, 1990.

    MIRANDA, R. e BARA FILHO, M. G. Estados psicológicos do atleta competitivo. Revista Treinamento Desportivo, vol. 4 – no. 3, 1999, pg. 61 a 68.

Prof. Marcelo Augusti



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