sexta-feira, 28 de setembro de 2012

09:17:00

Relação entre força muscular de membros inferiores e capacidade de aceleração em jogadores de futebol


Durante uma partida de futebol, jogadores de alto nível realizam em média 100 corridas curtasr ápidas (.sprints.) dos quais aproximadamente 65% não excedem 16 m (BANGSBO, 1994; REILLY, BANGSBO & FRANKS, 2000; WINKLER, 1985). Uma característica dessas corridas é a necessidade do jogador realizar mudanças de direção, em função da trajetória da bola ou da disputa com o adversário (EKBLOM, 1992). Diferenças na capacidade de aceleração envolvendo mudanças de direção para direita ou para esquerda foram verificadas em jogadores de futebol de campo (MENZEL, 1995). Possíveis explicações para essas diferenças estão relacionadas com características específicas do programa motor (técnica de movimento) ou com desequilíbrio em parâmetros da força muscular dos membros inferiores (MMII) (FOWLER & REILLY, 1993).

KOLLATH (1992), utilizando a análise cinematográfica aliada ao controle do tempo de apoio de cada membro inferior, observou que o aumento da velocidade do centro de massa durante a fase de contato pode apresentar diferenças entre os MMII. A FIGURA 1 mostra a curva de velocidadetempo durante os primeiros 5 m de uma arrancada de um jogador de futebol. É possível verificar que a aceleração do centro de massa (inclinação da curva) durante a primeira e terceira fases de apoio foi maior comparativamente com a segunda e quarta fases de apoio. Isso possibilita deduzir que um determinado membro produzia acelerações diferenciadas. Os fatores responsáveis por essas diferenças laterais podem ser referentes à força produzida pelo membro que está apoiado ou mesmo à relação dessa força com o deslocamento do membro contralateral.

 

 

Desta forma a força muscular de MMII, a capacidade de aceleração envolvendo mudanças de direção e as preferências laterais deveriam ser diagnosticadas (YOUNG, JAMES & MONTGOMERY, 2002), uma vez que padrões fixos de movimento facilitam a antecipação do adversário além de poder causar assimetria morfológica (FETZ, 1989). Entretanto, os estudos têm direcionado pouca atenção para esta questão, principalmente no que diz respeito à relação entre as diferen ças laterais de MMII de jogadores e a capacidade de aceleração com mudanças de direção. Há também uma carência de valores referenciais que possibilitem a interpretação dos resultados de testes, visando o direcionamento do treinamento e que permitam uma análise de aptidão (talento).

Sendo assim, os objetivos deste estudo foram avaliar as possíveis diferenças laterais de força muscular dos MMII de jogadores de futebol de campo e relacioná-las com a capacidade de aceleração em distâncias curtas.

 

Materiais e métodos

Amostra

A amostra foi constituída por 19 jogadores de futebol de campo da categoria júnior do Cruzeiro Esporte Clube de Belo Horizonte - MG, com uma média de idade, massa corporal e estatura de, respectivamente, 18,58 ± 0,77 anos, 74,77 ± 8,25 kg e estatura de 180,11 ± 7,61 cm. Os indivíduos participavam de uma rotina de treinamento de 4-5 vezes por semana, com uma duração de 2-3 horas por treino. Havia a tentativa de se realizar os exercícios propostos para os dois lados, tanto nos treinos físicos quanto nos técnico-táticos, ou seja, objetivava-se o trabalho bilateral com os atletas.

Os sujeitos não apresentaram nenhum impedimento médico para a realização dos testes, conforme informações da comissão técnica responsável. Após ter sido informado sobre os procedimentos e objetivos do estudo, cada sujeito assinou um termo de consentimento livre e esclarecido. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais - COEP/UFMG.

Procedimentos gerais

Os sujeitos foram familiarizados com todos os procedimentos utilizados no estudo dois dias antes da coleta de dados.

Antes da realização da coleta de dados, os indivíduos realizaram uma atividade preparatória inicial que consistia em uma corrida de intensidade leve com duração de cinco minutos. Os testes de Velocidade e Agilidade (MENZEL, 1995) e o "Squat Jump" monopedal (SJm) foram distribuídos de forma aleatória entre os sujeitos, assim como o primeiro membro para a realização do SJm.

Teste de velocidade/agilidade no futebol

Para mensurar a capacidade de aceleração com mudança de direção dos jogadores, foi utilizado o Teste de Velocidade/Agilidade proposto por MENZEL (1995). O procedimento diagnóstico é composto por três diferentes percursos de 15 m, sendo o primeiro caracterizado por uma trajetória em linha reta (LR), o segundo e o terceiro por uma corrida em LR com uma mudança de direção (90°) após 7,5 m para a esquerda (ME) e direita (MD), respectivamente. A FIGURA 2 ilustra os três diferentes percursos e o posicionamento das fotocélulas duplas (modelo: EQ-501; fabricante: Hidrofit; Japan) para medição dos tempos no percurso de 15 m em LR (a), de 15 m com giro de 90º para direita (b) e para esquerda aos 7,5 m (c). As fotocélulas duplas são compostas por dois sensores posicionados a uma distância vertical de 0,2 m entre si. Em função de diferenças quanto à estatura dos jogadores, o posicionamento vertical das fotocélulas foi variado. Essas foram posicionadas a 0,2 m e 0,4 m abaixo da altura do acrômio de cada indivíduo. Esse posicionamento foi adotado para que os sensores fossem ativados no momento que o tronco passasse pela barreira invisível de raios. A medição de tempo requer que ambos os sensores sejam abertos ou fechados, sendo que, somente um feixe de raio interrompido não aciona o registro no microprocessador. Dessa forma possíveis influências dos movimentos dos membros superiores na medição foram evitados (DREUSCHE, 1986).

 

 

Mensuração da força muscular

Para análise da força muscular de MMII foi utilizada uma plataforma de força (modelo: OR6-7; fabricante: AMTI; USA) embutida e nivelada ao solo. A aquisição dos sinais a uma freqüência de 1 KHz e a análise das curvas força-tempo (F-t) foram realizadas com o programa Dasylab (V4.01). Houve filtragem do amplificador (AMTI) do sinal, sendo ele passa baixa de 1 KHz.

Nesse estudo registrou-se somente a componente vertical da força de reação, por ser a direção principal do movimento no salto vertical. A força foi medida através do SJm, no qual o indivíduo executava o salto vertical, apoiando somente um dos pés sobre a plataforma, enquanto o outro membro inferior permanecia suspenso. O SJm foi escolhido pois possibilita a quantificação de possíveis diferenças laterais entre os MMII. Apesar de haver o envolvimento das articulações do quadril, joelho e tornozelo tanto no SJm como no Teste de Velocidade/Agilidade, essas tarefas possuem demandas físicas diferentes, sendo essa uma limitação desse estudo.

No "squat jump" (SJ) a posição inicial do indivíduo é caracterizada pelo ângulo de 90o dos joelhos, sendo que as mãos devem permanecer fixas à cintura durante todo o movimento (FIGURA 3). Os sujeitos permaneciam na posição agachada por aproximadamente dois segundos antes de realizarem o salto.

 

 

De acordo com SCHMIDTBLEICHER (1992), as correlações entre a força máxima e a taxa de produção de força em contrações concêntricas e isométricas aumentam com o aumento da resistência externa na contração concêntrica. Sendo assim as maiores correlações quanto a força máxima e a taxa máxima de produção de força entre o modo isométrico e concêntrico podem ser encontradas quando a resistência externa no modo concêntrico for próxima da força isométrica máxima. Baseado nesse fato foram determinados a força máxima (FMAX); o tempo até se atingir a força máxima (tFMAX), definido como o intervalo entre o início do movimento vertical, ou seja, o momento em que a força vertical era maior do que o peso, e o momento da realização da maior força; a taxa média de produção de força (G = FMAX/ tFMAX) e o tempo até se atingir a G (tg). Todas essas variáveis foram determinadas separadamente para os MMII direito e esquerdo. Neste estudo, o membro inferior preferido para chutar a bola foi considerado dominante e o membro inferior de suporte não dominante.

Coleta e análise de dados

Para o teste de Velocidade e Agilidade a posição inicial de saída do teste foi padronizada com o pé dianteiro alinhado à primeira fotocélula dupla, na marca de 0 m, como indicado na FIGURA 2. O momento da saída ficou a critério do avaliado. Os indivíduos repetiram cada teste três vezes e o menor tempo para cada percurso foi considerado para a análise estatística. O intervalo entre cada tentativa foi de cinco minutos. O tempo de abertura mínimo entre as medidas foi de 0,001 s.

Para quantificar as diferenças laterais foi calculada a diferença entre o tempo de corrida para direita e esquerda (∆t = td - te). Sendo assim, valores positivos indicam uma velocidade de movimento maior para giros para a esquerda enquanto os valores negativos indicam uma velocidade de movimento maior para giros para a direita.

O teste SJm foi realizado cinco vezes para cada membro e foi dado um intervalo de cinco minutos entre cada salto. O salto com o melhor desempenho, ou seja, a maior elevação do Centro de Gravidade (CG) foi utilizado para a análise. A velocidade do CG foi calculada por meio da integração da curva Força-tempo (Impulso), valor esse que era dividido pela massa corporal do sujeito (teorema Impulso-Momento), ficando o erro em torno de 2%. De posse da velocidade de saída, a elevação do CG era calculada utilizando-se a fórmula h = vo 2/2*g (onde, h = altura, vo = velocidade de saída na plataforma de força e g = aceleração da gravidade).

O mesmo procedimento para quantificar as diferenças laterais aplicado aos testes de velocidade foi aplicado para as variáveis do SJm. Nesse caso, valores positivos indicam FMAX, G, tFMAX e tg maiores para o membro inferior direito e valores negativos indicam FMAX, G, tFMAX e tg maiores para o membro inferior esquerdo.

O teste de Velocidade e Agilidade e o SJm foram repetidos após três dias e os coeficientes de confiabilidade foram determinados. Com exceção das variáveis dependentes do tempo (tg, tFMAX), os coeficientes de confiabilidade (rc) para as variáveis analisadas no SJm e no Teste de Velocidade/Agilidade foram maiores que 0,85 (TABELA 1). Portanto, as variáveis tg e tMAX foram excluídas de futuras análises.

 

 

Análise estatística

Para a análise de possíveis correlações entre diferenças laterais dinâmicas e o desempenho nos testes de velocidade foi utilizado o Teste de Contingência. Atrav és desse teste é possível determinar correlações entre variáveis em uma escala nominal. Se o valor absoluto das diferenças laterais (sem consideração do lado dominante) fosse maior que o percentil 80, seria classificado de acordo com o lado de preferência como uma diferença lateral. O percentil 80 foi escolhido, pois equivale a uma diferença lateral de 15% entre os membros inferiores. Segundo PETSCHING, BARON e ALBRECHT (1998), uma diferença igual ou superior a 15%, já corresponde a uma assimetria de membros inferiores. Em seguida, a preferência de giro lateral foi identificada, o que resultou em uma classificação do atleta: "sem preferência", "preferência pelo membro inferior direito", "preferência pelo membro inferior esquerdo".

Foram calculados os coeficientes de contingência entre diferenças laterais dos parâmetros dinâmicos e diferenças laterais no Teste de Velocidade/ Agilidade assim como entre os MMII dominante e não-dominante e diferenças laterais no Teste de Velocidade/Agilidade, ou seja, verificar, por exemplo, se o atleta que tem o membro inferior direito dominante possui uma maior velocidade de giro para a direita. O nível de significância adotado foi de p ≤ 0,05.

 

Resultados

As TABELAS 2 e 3 mostram as estatísticas descritivas do Teste de Velocidade/Agilidade e do salto vertical (SJm), respectivamente.

 

 

 

 

Baseando-se na estatística descritiva, tabelas para avaliação da velocidade de movimento para distâncias curtas e diferenças laterais foram elaboradas de acordo com os percentis (TABELA 4).

 

 

Somente entre o membro inferior dominante e a força concêntrica máxima foi encontrado um coeficiente de contingência significante (p = 0,05). Isso significa que a força máxima é maior para o membro dominante se comparada ao nãodominante. Não foram verificados coeficientes de contingência significantes entre preferências laterais no Teste de Velocidade/Agilidade e as variáveis dinâmicas da força muscular.

 

Discussão

Alguns pesquisadores têm sugerido a necessidade de relacionar o desempenho em testes de força muscular com o rendimento em testes motores envolvendo a capacidade de aceleração, pelo fato dessa forma de manifestação da velocidade caracterizar uma das ações motoras mais freqüentes no jogo de futebol (HRYSOMALLIS, KOSKI, MCCOY & WRIGLEY, 2002; MOREIRA JÚNIOR, ROCHA, PIMENTA & CHAGAS, 2003; YOUNG, JAMES & MONTGOMERY, 2002). Entretanto, investigar a relação entre o desempenho em parâmetros da força muscular e a capacidade de aceleração, deve considerar que os jogadores de futebol raramente realizam corridas em que mudan ças de direção não estejam presentes (SANTANA, 2000). Este aspecto metodológico foi garantido na presente pesquisa, na qual foram aplicados o Teste de Velocidade/Agilidade e o teste de força muscular SJm executado sobre uma plataforma de força.

Através do procedimento de teste e re-teste, a confiabilidade das medidas relacionadas com o Teste de Velocidade/agilidade foi testada. Os resultados mostraram coeficientes de correlação significantes de 0,97; 0,98 e 0,94 para o tempo de corrida com giro para a direita (td), esquerda (te) e para a diferença do tempo de corrida (Dt), respectivamente. Também a partir do teste de confiabilidade foram verificados coeficientes de correlação de 0,89 e 0,87 para a força máxima concêntrica (Fmax) e taxa média de produção de força (G), respectivamente. Todos os valores de coeficiente de correlação foram significantes (p < 0,05). Para interpretar os coeficientes de correlação relacionados à confiabilidade, GAJDOSIK, LEVEAU e BOHANNON (1985) sugeriram que valores de 0,99 a 0,90; 0,89 a 0,80; 0,79 a 0,70 < 0,69 representam uma alta, boa, moderada e pobre correlação, respectivamente. Baseando-se nessa indicação, uma alta confiabilidade foi obtida para os parâmetros relacionados ao Teste de Velocidade/Agilidade. Para os parâmetros referentes ao teste de força muscular SJm verificou-se uma boa confiabilidade.

A comparação das médias das variáveis investigadas no Teste de Velocidade/Agilidade e no teste de força muscular SJm entre MMII não mostrou diferenças significativas. Com isso, identificar uma possível relação entre diferenças laterais e o desempenho nas corridas com mudança de direção não seria esperado. Os coeficientes de contingência entre os MMII dominante e não-dominante e as diferenças laterais no Teste de Velocidade/Agilidade não foram significantes. Desta forma, neste estudo, não foi verificada nenhuma relação entre o atleta que tem um membro inferior dominante com um maior desempenho da capacidade de aceleração com a mudança de direção para esquerda ou direita. Essa mesma colocação pode ser feita para o membro não-dominante. Estes resultados corroboram com os dados apresentados pelo estudo de YOUNG, JAMES e MONTGOMERY (2002). Esses autores não encontram uma correlação significativa entre a força máxima concêntrica uni- e bilateral dos extensores do joelho medida através de um aparelho isocinético e o desempenho em testes de aceleração em linha reta e com mudança de direção realizados na distância de 8 m.

Uma possível explicação para os resultados citados acima pode estar relacionada com a homogeneidade do perfil motor e fisiológico do grupo de jogadores avaliados. A ausência de diferença significativa na força muscular entre os MMII, poderia não ser esperada, partindo do pressuposto que um determinado membro inferior seria dominante para a realização do fundamento técnico chute, que está associado com exigências significativas de força. Dois argumentos que poderiam justificar a semelhança no desempenho da força muscular entre os membros seriam: a) as ações motoras envolvendo acelerações, frenagens, mudanças de direção que acontecem durante os treinos e jogos (D.OTTAVIO & CASTAGNA, 2002), que requerem a produção de altos valores de força, seriam suficientes para evitar as possíveis diferenças e b) o membro inferior de sustentação durante a execução das tarefas técnicas (chute, passe) também é submetido a grandes exigências de força (ANJOS & ADRIAN, 1986). MOGNONI, NARICI, SIRTORI e LORENZELLI (1994) encontraram valores significativamente maiores para o pico de torque dos extensores do joelho do membro não-dominante quando comparado com o membro dominante. O torque foi medido em um aparelho isocinético em quatro velocidades angulares diferentes, sendo que a diferença foi verificada nas três maiores velocidades angulares testadas. Segundo esses autores, os resultados encontrados podem ser explicados pelas ações de equilíbrio e sustentação do peso do corpo realizadas pelo membro não-dominante quando o membro contralateral realiza o chute.

Outra explicação para a relação entre um determinado membro inferior com um maior desempenho da capacidade de aceleração com a mudança de direção pode ser o fato de que essa capacidade seja influenciada mais significativamente por fatores como: a coordenação motora e técnica de movimento. Alterações nos padrões de movimento dos segmentos corporais podem levar a uma melhoria do desempenho na execução de uma tarefa, como mostrou o estudo de ANDERSON e SIDAWAY (1994). Esses autores observaram mudanças nos padrões de movimento do joelho e quadril na execução do chute da modalidade futebol após 20 sessões de treinamento. A melhoria do desempenho foi considerada como resultado da modificação de aspectos da coordenação motora e não simplesmente o aumento na velocidade de movimento como um todo. Dentro deste contexto, outro aspecto que deve ser considerado é a especificidade das ações musculares que ocorrem no teste de força muscular SJm e no teste de velocidade/agilidade utilizados neste estudo. As ações musculares envolvidas no teste de Velocidade/Agilidade são denominadas de ciclo de alongamento-encurtamento (CAE). Neste ciclo ocorre uma contração concêntrica precedida de uma contração excêntrica, resultando em aproveitamento de energia potencial elástica e otimização da fase concêntrica do movimento. Existem características específicas desse tipo de ação muscular, sendo que o CAE não é uma simples combinação de uma ação excêntrica com uma ação concêntrica. Mecanismos auxiliares como o reflexo de estiramento e a pré-inervação da musculatura envolvida são utilizados e contribuem para o aumento da força na fase concêntrica do CAE (KOMI, 1992).

O CAE é uma ação muscular que não está presente no teste de força muscular SJm. Este teste está caracterizado por uma ação muscular concêntrica. Segundo KOMI (1992), as variáveis destes tipos de contração muscular não apresentam uma correlação significativa. Resultados que fundamentam essa argumentação são fornecidos pelo estudo de YOUNG, JAMES e MONTGOMERY (2002). Nesta pesquisa foi verificada uma correlação significativa entre a força reativa (FR) medida através do salto padronizado "drop-jump" (FR= tempo de contato divido pela altura do salto) e o desempenho em testes de aceleração com mudança de direção de 20° para direita na distância de 4 m realizados na distância de 8 m (r = -0,71). Os autores utilizaram o coeficiente de determinação (r2) para interpretar o grau do relacionamento entre a força reativa e o desempenho nos testes de aceleração com mudança de direção. Esse método indica a porção da variação total em uma medida que pode ser explicada, ou devida à variação na outra medida (TRIOLA, 1999). Em geral, o coeficiente de determinação é multiplicado por 100 e então expresso como um percentual de variação. Baseado nisso os autores concluíram que aproximadamente 50% do desempenho no teste de aceleração é explicado por aspectos relacionados ao desempenho de força muscular (força reativa), sugerindo que outros fatores são responsáveis pelo restante da variação.

É importante ressaltar que, os protocolos de testes utilizados fornecem informações precisas e diferenciadas sobre a capacidade de velocidade/agilidade e força muscular de jogadores de futebol, especialmente no que diz respeito ao perfil individual do atleta. Devido a pequena amostra, os valores estabelecidos como normas de referência para os parâmetros de força muscular e velocidade/agilidade propostos na TABELA 2 possuem uma validade limitada, o que significa que estes valores de referência são restritos a amostra deste estudo. Portanto, é necessário obter mais dados de atletas com níveis de rendimento semelhantes pertencentes à mesma categoria investigada, para que a aplicabilidade destes valores de referência seja sustentada cientificamente.

 

Conclusão

De acordo com o presente estudo, não foram encontradas correlações significantes entre a capacidade de aceleração envolvendo mudanças de direção e as preferências laterais.

Baseado nos resultados dos testes (velocidade/ agilidade e saltos) foi possível sugerir tabelas com valores de referência. Contudo, outros estudos incluindo um maior número de indivíduos, com diferentes níveis de rendimento e categorias podem contribuir para um maior esclarecimento do tema. Os testes poderiam ser modificados, ou seja, os ângulos dos giros deveriam ser menores e a análise das variáveis dinâmicas deveria incluir saltos pliométricos que avaliam o CAE.

 

Referências

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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

10:44:00

Postura e conduta técnica do treinador de basquetebol: o treinamento


Para programar um treinamento é necessário saber o número total de jogadores que vão participar da atividade, com o objetivo de preparar os exercícios adequados.

Em todo treinamento devemos ter um sistema, uma ordem e um método a fim de conseguirmos o que desejamos. Temos que propor objetivos individuais e coletivos difíceis para que haja superação, mas possíveis de alcançar.

Todo treinamento deverá estar por escrito com a definição do tempo e de todas as atividades e exercícios que serão desenvolvidos. Não possuir uma programação com o tempo determinado para cada exercício, pode resultar em se prolongar uns exercícios e ter que encurtar outros. Esta programação deverá levar em consideração o desempenho da equipe, se o exercício não estiver rendendo deverá ser modificado e em caso de estar tendo um rendimento muito bom o treinador deverá aproveitar o bom momento e seguir com mo exercício. Este registro é de grande importância para analisar o que foi atingido e o que precisa ser reformulado. É como se cada dia um desafio fosse proposto, e o treinamento do dia seguinte vai depender das respostas  apresentadas pela equipe.

É importante que a programação da semana seguinte seja afixada em local visível, sempre ao final do último treino da semana, para que os atletas tenham conhecimento do que irá acontecer.

Exercícios

O treinador deve escolher os exercícios mais adequados para cada objetivo. Os exercícios devem colocar em ação o maior número de atletas para que os jogadores não se distraiam ou relaxem, exceto quando esteja programado. O que a equipe necessita é praticar e repetir para adquirir hábitos. Utilizar exercícios variados, mas com o mesmo objetivo para evitar aborrecimento por parte dos atletas e monotonia. Empregar exercícios que interessem aos jogadores por sua novidade, dificuldade e originalidade, e que incluam elementos do jogo aproximando o máximo possível da realidade que será encontrada. Utilizar explicações breves e claras destacando todos os objetivos relacionados  com a tarefa que será desenvolvida.

Não especificar posições (armador, lateral e pivô) fazendo com que todos os jogadores executem todos os exercícios e passem por todas as posições, pois como estamos trabalhando com atletas em pleno crescimento e desenvolvimento não sabemos quais serão suas qualidades físicas no futuro.

Para desenvolvimento dos exercícios utilizar as seguintes técnicas de ensino:

  • Parado
  • Com deslocamento
  • Correndo
  • Com oposição

Algumas pessoas aprendem ouvindo, outras vendo, lendo, fazendo, ou mesmo da mistura de duas ou três maneiras de se aprender. Entenda as dificuldades de cada atleta e utilize todos os recursos necessários para transmitir o conteúdo dos treinamentos. Por isto, o treinador deverá utilizar todas as formas possíveis para facilitar o entendimento dos atletas:

  • Explicar
  • Demonstrar
  • Imitar
  • Corrigir
  • Repetir

Ter um controle quanto à presença dos jogadores nos treinamentos bem como apresentar relatórios mensais, semestrais e anuais mesmo que não sejam solicitados pela entidade.

Todo jogador, de qualquer faixa etária, observará no treinador o seu profissionalismo e dedicação que presta a sua equipe, aumentando sua confiança nele.

Tenha sempre em mente: COMO TREINAS,  JOGARÁS!

Atitudes durante o treinamento

O treinador deverá dedicar especial atenção à pontualidade para que possa exigir o mesmo de todos os componentes da equipe.

Ao início do treino deverá reunir todo o grupo e comunicar um resumo do que irá ocorrer e quais são os objetivos principais daquele treinamento.

Criar um clima de competição durante as sessões o que com certeza levará a uma melhoria da equipe.

Durante todo o treinamento o treinador deverá manter o seu foco na atividade, portanto quando chegar no ginásio um amigo ou um diretor falar apenas o necessário, se for o caso. Manter o celular desligado e em caso de necessidade de mantê-lo ligado comunicar ao grupo a razão e em que condições irá atendê-lo.

Ao terminar o treinamento, reunir o grupo e obter feedback das atividades, para saber se as atividades propostas atenderam às expectativas do grupo.

10:40:00

Terapia gênica, doping genético e esporte: fundamentação e implicações para o futuro

 

INTRODUÇÃO

A terapia gênica é uma área de investigação bastante recente em biomedicina que vem apresentando muitos avanços nos últimos anos. Acredita-se que a terapia gênica represente uma possibilidade de tratamento efetivo para diversas doenças cujos tratamentos são pouco eficazes e/ou restritos aos sintomas(1-7). Ainda em estágio de caráter eminentemente experimental, há problemas na aplicação da terapia gênica, sendo o controle dos riscos um dos mais importantes(7-11). Apesar disso, estudos em modelos animais(2,12-15) e também alguns estudos em humanos(1,6-7,16-19) têm apresentado resultados promissores.

Lesões decorrentes da prática esportiva constituem um dos principais fatores de abandono precoce da carreira esportiva, de afastamento prolongado de treinos e competições, e de queda no rendimento, podendo até mesmo acarretar em limitações funcionais em idades mais avançadas(20). Soma-se a isso o fato de a maioria das lesões esportivas envolverem tecidos de difícil regeneração, como tendões, ligamentos e cartilagens(17,21). A terapia gênica poderia, portanto, ter uma aplicação muito importante no contexto esportivo, permitindo, entre outras aplicações, a reconstituição de tecidos lesionados. Entretanto, esse tipo de tratamento pode ter um potencial risco de uso indevido por atletas que procuram melhorar o desempenho físico, como ocorre no esporte de alto nível. O uso indevido dessa terapia é denominado doping genético e tem alimentado um debate científico-acadêmico cuja importância vem crescendo em medicina esportiva e ciências do esporte(21-27).

Em 2001 houve um dos primeiros debates oficiais sobre o doping genético, em um encontro do Gene Therapy Working Group promovido pelo Comitê Olímpico Internacional (COI)(21). Nesse encontro o comitê declarou que a terapia gênica, além da sua importância no tratamento e prevenção de doenças, tem grande potencial para uso indevido nos esportes, e que formas de detecção do doping genético devem ser desenvolvidas e aplicadas. No início de 2003 o doping genético entrou para lista dos métodos proibidos pelo COI. Em 2004, a editora chefe da revista Molecular Therapy publicou em editorial que, se nas Olimpíadas de Atenas (2004) histórias de doping genético possam ter sido apenas ficção científica, em Pequim (2008) possivelmente não mais serão(23).

Até o presente momento não há registro de nenhum caso de atleta que tenha feito uso de manipulação genética. Por outro lado, considerando que ainda não existem meios de controle e detecção do doping genético, e que, teoricamente, já é possível empregar essa técnica em seres humanos e outros animais, não se pode afirmar categoricamente que nenhum atleta já não o tenha experimentado.

Diante disso, o objetivo deste trabalho é apresentar os fundamentos da terapia gênica, assim como suas aplicações e implicações para o meio esportivo, contribuindo com esse importante debate no cenário nacional. Para tanto, realizamos uma pesquisa bibliográfica nas bases de dados Medline e Sport Discus com as palavras chaves gene transfer and sport, gene doping, gene therapy e gene therapy and sport. Os artigos encontrados foram selecionados quanto à originalidade e relevância para a discussão aqui apresentada, considerando-se o rigor e adequação do delineamento experimental, o número amostral, e a análise estatística. Artigos não indexados nessa base de dados também foram consultados quando citados pelos artigos obtidos na busca original e, atendendo aos critérios acima mencionados, foram incluídos.

 

TERAPIA GÊNICA

A terapia gênica pode ser definida como um conjunto de técnicas que permitem a inserção e expressão de um gene terapêutico em células-alvo que apresentam algum tipo de desordem de origem genética (não necessariamente hereditária), possibilitando a correção dos produtos gênicos inadequados que causam doenças. O material genético inserido nas células do paciente pode gerar a forma funcional de uma proteína que, devido a alterações estruturais no seu gene, é produzida em pequenas quantidades ou sem atividade biológica. É possível também regular a expressão de outros genes, ativá-los ou inativá-los(17,28-29).

A inserção do gene terapêutico pressupõe sua introdução por meio de vetores de transferência que sejam capazes de reconhecer as células-alvo. Há vários sistemas de inserção de material genético in vivo. Os vetores virais são os mais comuns (sendo os retrovírus e adenovírus os mais utilizados), mas outros tipos de vetores não-virais também têm sido utilizados, como lipossomas e macromoléculas conjugadas ao DNA(6,28,30). A injeção do material genético diretamente no tecido-alvo também é uma maneira de realizar a terapia gênica sem o uso de vírus(6,28,30).

Há também o sistema de terapia gênica ex vivo, no qual células do próprio paciente são retiradas por meio de biópsia, modificadas e reimplantadas no paciente, de modo que o gene terapêutico é inserido fora do organismo do paciente(28).

Antes de serem introduzidos no paciente, os vírus usados como vetores sofrem várias alterações genéticas, de modo que o gene terapêutico é inserido, enquanto diversos outros genes que lhe conferem virulência são retirados ou inativados(6,28,30). Assim, ao se ligar e invadir a célula-alvo, os vetores virais injetam seu material genético contendo o gene terapêutico no DNA do paciente, possibilitando a transcrição e tradução do gene para sua proteína funcional correspondente, ou então utilizam a maquinaria molecular da célula hospedeira para expressar seus genes.

Haisma e Hon(21) afirmam que cerca de 3.000 pacientes já receberam algum tipo de terapia gênica. Diversas doenças foram tratadas, incluindo disfunções endoteliais, hemofilia, imunodeficiência e diversos tipos de cânceres(6,18-19,31-32). De modo geral a terapia gênica tem trazido bons resultados, e seus efeitos colaterais parecem ser reduzidos a um número pequeno de pacientes, o que é indicativo animador da segurança do tratamento. De qualquer forma, os cuidados que devem ser tomados com esses procedimentos, bem como os testes de certificação da segurança das preparações são inúmeros e muito rigorosos, o que torna o tratamento extremamente caro(21).

Apesar dos avanços científicos e tecnológicos, há ainda muitas dúvidas a respeito dos efeitos colaterais da terapia gênica. A introdução de organismos geneticamente modificados gera grande incerteza, especialmente se for levado em conta o potencial mutagênico dos vírus(22). Além disso, os efeitos menos conhecidos dizem respeito à expressão em longo prazo dos genes introduzidos e à falta de controle da expressão de tais genes(21). Outro ponto muito importante é a possibilidade (ainda que pequena) de modificação não apenas das células somáticas, mas também das germinativas(21). Entretanto, não há dúvidas de que o principal problema que a terapia gênica enfrenta no atual estágio de desenvolvimento é a elevada capacidade imunogênica dos vetores virais introduzidos no paciente, o que pode ser importante fator de complicação decorrente do tratamento(7,9-11). Ainda que vetores não virais sejam alternativa interessante de tratamento, eles também apresentam problemas de eficácia, toxicidade e resposta inflamatória(29).

 

DOPING GENÉTICO

De acordo com a definição de 2004 da World Anti-Doping Agency (WADA), doping genético é o uso não terapêutico de células, genes e elementos gênicos, ou a modulação da expressão gênica, que tenham a capacidade de aumentar o desempenho esportivo(24).

Ainda que esteja sendo desenvolvida com o propósito de tratar doenças graves, a terapia gênica, assim como diversas outras intervenções terapêuticas, tem grande potencial de abuso entre atletas saudáveis que queiram melhorar o desempenho. A história tem mostrado que atletas são capazes de ignorar diversos riscos na busca de ultrapassar seus limites competitivos(33). A exemplo de fármacos de efeitos colaterais desconhecidos, é muito provável que atletas submetam-se à terapia gênica para fins de ganho no desempenho competitivo mesmo sabendo que existem riscos conhecidos e que também existem riscos que ainda são desconhecidos(21).

Considerando que a terapia gênica está apenas em estágio inicial de desenvolvimento e que, teoricamente, os atletas ainda não fazem uso desse tipo de estratégia ergogênica, pode-se apenas comentar sobre os genes que são candidatos importantes ao uso indevido no meio esportivo. São eles: eritropoetina, bloqueadores da miostatina (folistatina e outros), vascular endothelial growth factor (VEFG), insulin-like growth factor (IGF-1), growth hormone (GH), leptina, endorfinas e encefalinas, e peroxissome proliferator actived receptor delta (PPARd)(21,34).

Eritropoetina

A eritropoetina é uma proteína produzida nos rins cujo principal efeito é o estímulo da hematopoese(25). Logo, uma cópia adicional do gene que codifica a eritropoetina resulta no aumento da produção de hemácias, de modo que a capacidade de transporte de O2 para os tecidos é aumentada. Esse tipo de doping seria, portanto, especialmente ergogênico para atletas de endurance.

Pesquisas com ratos e macacos conseguiram com sucesso transferir uma cópia adicional do gene da eritropoetina(12,25-26), sugerindo que esse tipo de doping já seja factível. Entretanto, é muito provável que a super-expressão de eritropoetina tenha efeitos prejudiciais importantes em pessoas saudáveis, haja vista que foi observada uma elevação muito acentuada do hematócrito de macacos (de 40% a aproximadamente 80%)(12). Isso obviamente pode representar um risco sério de comprometimento da função cardiovascular, incluindo dificuldade de manutenção do débito cardíaco e da perfusão tecidual, devido ao substancial aumento da viscosidade sanguínea. Além disso, foi relatada anemia grave em alguns animais por causa de uma resposta auto-imune à transferência do gene extra(35). Esses relatos levantam sérias dúvidas quanto à real possibilidade de uso da transferência do gene da eritropoetina em atletas.

Bloqueadores da miostatina

A miostatina é uma proteína expressa na musculatura esquelética tanto no período embrionário quanto na idade adulta. Sua ação consiste em regular a proliferação dos mioblastos durante o período embrionário e a síntese protéica na musculatura esquelética durante e após o período embrionário(36-39). Em algumas raças de bois, observa-se crescimento incomum da musculatura de alguns animais (fenômeno conhecido por double muscling). Há poucos anos foi verificado que esses animais apresentavam mutações no gene da miostatina, de modo que se formava uma proteína não funcional, o que demonstrou que a miostatina inibia o crescimento da musculatura esquelética(40-41). Recentemente foi descrito o caso de uma criança que apresentava fenótipo semelhante ao double muscling. Foi observado que essa criança também tinha deleções no gene da miostatina(39). Lee e McPherron(37), utilizando modelos de ratos transgênicos, concluíram que a super-expressão de bloqueadores da miostatina, tais como folistatina, leva ao mesmo fenótipo de double muscling. A miostatina inibe tanto a hiperplasia quanto a hipertrofia muscular, sendo que o ganho de massa muscular decorrente do bloqueio da miostatina se dá principalmente pelo aumento no número de fibras musculares(37).

Em vista disso, acredita-se que o bloqueio da sinalização da miostatina seja um dos candidatos de maior potencial de abuso no esporte, já que o ganho de massa muscular pode ser decisivo em diversas modalidades esportivas. Contudo, a utilização de bloqueadores da miostatina como recurso ergogênico talvez ainda esteja um pouco distante, já que os estudos com bloqueio da miostatina envolveram animais transgênicos, ou seja, que não produziam a proteína desde o início do desenvolvimento. Não se sabe, portanto, quais são exatamente os efeitos quando o bloqueio ocorre apenas na idade adulta, período em que não se observa aumento no número de fibras musculares. Outra questão importante diz respeito à possibilidade de expressão dos genes inibidores da miostatina em outros tecidos musculares, como os lisos e o cardíaco. Apesar desse risco não ser muito alto, uma vez que os animais do estudo de Lee e McPherron(37) expressaram os transgenes apenas na musculatura esquelética, não se pode descartar essa hipótese, considerando que não há dados na literatura sobre transferência vetorial desses genes e que envolvam seres humanos.

VEGF

O VEGF (ou fator de crescimento do endotélio vascular) é uma proteína que desempenha importante papel no crescimento do endotélio vascular, na angiogênese e vasculogênese(18-19). A terapia gênica com VEGF é uma das poucas já utilizadas em seres humanos. A introdução do gene que codifica a VEGF em pacientes com disfunção endotelial responsável por quadros de doença arterial coronariana e doença arterial periférica tem produzido bons resultados, com formação de novos ramos vasculares(18-19).

Em atletas, a inserção vetorial do VEGF poderia produzir vasculogênese. Dessa maneira, o fluxo sanguíneo para todos os tecidos seria aumentado, assim como sua oxigenação e nutrição. Considerando que isso ocorra em tecidos como a musculatura esquelética e a cardíaca, pode-se esperar aumento da produção energética, diminuição da produção de metabólitos e o retardo da fadiga. Atletas de endurance seriam, teoricamente, os mais interessados na terapia gênica com inserção do VEGF(21). Uma vez que esse tipo de terapia já está sendo utilizado em seres humanos com fins terapêuticos, o doping genético envolvendo o VEGF já poderia ser empregado atualmente de maneira ilícita para melhorar o desempenho esportivo.

IGF-1 e GH

Em animais de experimentação, a introdução por vetor de adenovírus do gene que codifica a proteína IGF-1, e sua conseqüente super-expressão, aumenta a síntese protéica na musculatura esquelética. Isso foi observado tanto em animais que foram submetidos ao treinamento de força quanto em sedentários. Quando a introdução do gene extra IGF-1 foi combinada com o treinamento de força, a hipertrofia e o desenvolvimento da força foram maiores do que os observados em animais que apenas treinavam força (e não super-expressavam IGF-1) e nos que apenas super-expressavam IGF-1 (e não treinavam força)(13). Pode-se dizer, então, que a super-expressão de IGF-1 pode potencializar em grande magnitude as respostas musculares ao treinamento físico, em especial ao treinamento de força. Em vista do sucesso obtido em estudos com animais e da aparente segurança da terapia gênica com IGF-1, é possível que dentro de poucos anos ela já seja factível em humanos. Isso, obviamente, poderá ser utilizado por atletas que buscam melhorar seu desempenho, mas poderá ser também utilizado por pessoas portadoras de doenças musculares graves, como a distrofia muscular de Duchenne e outras.

Teoricamente o doping genético com GH levaria a efeitos bastante semelhantes aos produzidos por IGF-1, haja vista que a ação do GH é mediada pelo próprio IGF-1. Portanto, pode-se esperar que o doping genético com GH produza ganhos de força e hipertrofia muscular. É provável que os riscos envolvidos com a inserção do gene do GH e do IGF-1 estejam relacionados com o desequilíbrio do eixo hipotálamo-hipofisário e principalmente com o aumento da chance de ocorrência de neoplasias diversas. Há também o risco da super-expressão do GH levar a glomerulosclerose, o que já foi demonstrado em modelos animais(42).

Leptina

A leptina, hormônio peptídico produzido principalmente no tecido adiposo cuja principal ação está relacionada ao controle da sensação de fome e saciedade, redução do consumo alimentar e conseqüente perda de peso(43), também é um candidato para abuso como doping genético(22).

Em 1997 um estudo demonstrou que a introdução do gene leptina por vetor viral produzia significativa perda de peso em ratos(14). Em contrapartida, talvez o mesmo fenômeno não seja observado em humanos, já que indivíduos obesos, os quais apresentam elevada concentração plasmática de leptina, não têm apetite reduzido(44). Essa resistência à ação da leptina pode representar importante obstáculo para a terapia gênica com esse hormônio. Além disso, diferentemente dos modelos animais, o comportamento alimentar humano depende também de outros fatores (nutricionais, psicológicos, sociais e culturais).

Endorfinas e encefalinas

As endorfinas e encefalinas são peptídeos endógenos de atividade analgésica. O uso da terapia gênica com os genes da endorfina e encefalina poderia, portanto, melhorar o desempenho esportivo pela diminuição da sensação de dor associada a algum tipo de lesão, fadiga ou excesso de treinamento(21). Isso, teoricamente, permitiria que atletas treinassem mais, ou evitaria seu afastamento temporário de treinos e competições por pequenas lesões. De fato, as drogas analgésicas estão entre as mais consumidas por atletas(21), o que indica o possível interesse pela inserção desses genes. Estudos em animais demonstraram que esse tipo de terapia gênica foi capaz de diminuir a percepção de dor inflamatória(15). Entretanto, devido à grande carência de informações na literatura, é provável que o doping genético envolvendo endorfinas e encefalinas ainda esteja longe de realmente acontecer(21).

PPAR-d

As proteínas da família dos PPARs atuam como fatores de transcrição de genes envolvidos no metabolismo de carboidratos e lipídeos. Primeiramente elas foram descobertas desempenhando papel na síntese de peroxissomos, e por esse motivo foram denominadas de peroxissome proliferator-actived receptors(45). Existem diversas proteínas PPAR, mas a que apresenta, pelo menos do ponto de vista teórico, maior potencial para abuso em doping genético é a PPAR-d(34).

A PPAR-d é uma proteína reguladora-chave do processo de oxidação de lipídeos. Atuando no fígado e no músculo esquelético, ela estimula a transcrição de diversas enzimas que participam da b-oxidação(46). A PPAR-d também está relacionada com a dissipação de energia na mitocôndria que ocorre por meio das proteínas desacopladoras, de modo que sua ação leva à diminuição da produção de energia. Como resultado, a PPAR-d diminui a quantidade de tecido adiposo, reduz o peso corporal e aumenta a termogênese(46). Essa é, portanto, uma das justificativas para o possível interesse de atletas em usar doping genético com PPAR-d. A melhora na oxidação lipídica, além de reduzir a adiposidade (efeito que despertaria o interesse de atletas de quase todas as modalidades esportivas), preservaria os estoques de glicogênio, aumentando o tempo de tolerância ao esforço(47) e provavelmente o desempenho em provas de resistência.

Outro motivo para o possível interesse em utilizar o PPAR-d como doping genético é o seu provável papel na conversão de fibras musculares do tipo II em fibras do tipo I(48). Portanto, atletas cujas modalidades não dependem da força, mas exigem que eles se mantenham com baixo peso e baixo percentual de gordura (como maratonistas, ginastas, patinadores e outros) seriam potencialmente os mais interessados na transferência do gene PPAR-d.

 

TERAPIA GÊNICA EM ATLETAS

Além do potencial interesse pelo uso da terapia gênica como forma sofisticada e indetectável de doping, atletas poderiam beneficiar-se das técnicas de transferência de genes como qualquer outra pessoa cujo quadro clínico imponha tal necessidade. Conforme mencionado anteriormente, as técnicas genéticas de reconstrução de tecidos lesionados poderiam ser largamente utilizadas no meio esportivo para o tratamento e reabilitação de lesões(21). A transferência de genes que codificam fatores de crescimento poderia facilitar e potencializar o tratamento de lesões ósteo-músculo-articulares que atualmente requerem cirurgias e longo período de reabilitação(17).

Uma questão muito importante sobre a relação da terapia gênica com o esporte foi levantada em 2006 por Haisma e Hon(21). Segundo a definição da WADA, o uso não terapêutico de técnicas de transferência de genes que possam melhorar o desempenho esportivo é considerado doping e, portanto, proibido. Tal definição, apesar de clara, não contempla diversas possibilidades, como também não menciona as conseqüências do direito dos atletas de usar a terapia gênica. Por exemplo, uma pessoa que sofra de alguma distrofia muscular ou anemia grave poderia se tornar atleta após o uso terapêutico da transferência de genes como IGF-1, folistatina ou eritropoetina? Ou então, um atleta que necessite de terapia gênica e que em decorrência do tratamento adquira alguma vantagem competitiva, poderia continuar competindo? Pela definição poderia, mas tal permissão esbarra nas questões éticas e morais que dão toda a base para a proibição do doping.

Sem dúvida, o debate dessas e outras questões sobre a terapia gênica e o esporte precisa ser intensificado, de modo que se coíbam abusos sem que o direito de uso terapêutico por atletas que necessitem da terapia gênica seja prejudicado.

 

RISCOS ASSOCIADOS AO DOPING GENÉTICO

Para avaliar os riscos envolvidos com o doping genético, é preciso primeiramente conhecer os riscos da terapia gênica. Sabe-se que uma das principais preocupações da terapia gênica é a utilização de vírus como vetor. Apesar dos rigorosos controles em todas as etapas de preparação dos vírus geneticamente modificados, existe o risco do vírus provocar respostas inflamatórias importantes no paciente, embora esse seja um dos assuntos sobre os quais mais se tem buscado soluções(7-11,29). A chance do gene ser introduzido erroneamente em células germinativas, apesar de muito baixa, deve também ser considerada como um risco inerente ao procedimento.

Outro problema relacionado ao vetor viral é a capacidade de mutação e replicação que ele poderia ter(49), especialmente se houver falhas em sua preparação, o que pode ser comum em laboratórios "clandestinos" que se disponham a realizar doping genético(21). Além disso, há também os riscos não relacionados ao vetor, mas aos efeitos do gene inserido, como o aumento da viscosidade sanguínea pela super-expressão de eritropoetina(12), ou o aumento da chance de ocorrer neoplasias pela super-expressão de fatores de crescimento. A falta de controle sobre a expressão do gene inserido pode, de forma semelhante, representar um risco da terapia. Os riscos específicos de cada gene são menos previsíveis do que os riscos gerais inerentes à técnica de transferência genética, especialmente se considerarmos que os testes clínicos serão realizados na maioria das vezes em pessoas doentes com deficiência no gene testado. Logo, não seria possível saber antecipadamente como pessoas saudáveis, como é o caso dos atletas, responderiam ao mesmo tratamento.

Apesar disso, o número relatado de problemas decorrentes da terapia gênica é bastante reduzido, e até o momento tudo indica que, se os procedimentos estiverem todos de acordo com os critérios de segurança, a possibilidade de ocorrerem problemas é baixa, indicando que a terapia gênica tem-se mostrado relativamente segura(21).

 

CONTROLE E DETECÇÃO DO DOPING GENÉTICO

Apesar de não eliminar completamente o doping, a possibilidade de detecção e as sanções decorrentes do flagrante no teste antidoping pelo menos inibem o uso de drogas ilícitas pelos atletas. O fato do doping genético, a princípio, não ser detectável(27), pode estimular seu uso em larga escala no meio esportivo. Por esse motivo, é muito importante que medidas de prevenção sejam discutidas imediatamente pela comunidade científica e pelos órgãos reguladores do esporte. Programas educacionais envolvendo técnicos, preparadores físicos, atletas e suas famílias, que demonstrem claramente todos os riscos inerentes à utilização indiscriminada da terapia gênica, provavelmente são a forma mais eficaz de evitar o doping genético no futuro próximo.

Paralelamente, novas estratégias de detecção devem também ser desenvolvidas. Ainda assim, não se sabe realmente se o doping genético poderá ser, de fato, detectado. Caso o gene transferido tenha sua expressão confinada a alguns tecidos e seus produtos não atinjam a corrente sanguínea, somente por meio de biópsia poderá ser possível fazer um teste antidoping confiável. Isso claramente se impõe como uma imensa barreira no controle do doping genético(21,34).

Atualmente já se comenta sobre alguns meios de detectar o doping genético. Sabe-se, por exemplo, que é possível diferenciar, por meio do padrão de glicosilação protéico, a eritropoetina produzida pelo gene nativo da produzida pelo gene transferido(26). Obviamente, tal diferenciação só será possível nos casos em que o doping genético envolva genes cujos produtos alcancem a circulação. De qualquer maneira, resta saber se a diferença no padrão de glicosilação ocorre apenas para a eritropoetina, ou se ocorre também para outras proteínas.

Outros possíveis métodos de detecção do doping genético seriam: detecção de anticorpos dirigidos contra o vírus inserido, cuja possibilidade de aplicação é muito baixa, uma vez que o atleta poderia estar infectado com um vírus da gripe, por exemplo, e ter um resultado falso-positivo no teste, padrão de expressão gênica por técnica de microarrays, na qual se estabelece o quanto expresso está sendo uma série de genes, mas que exige também coleta de amostras teciduais e valores de referência para cada gene analisado(34).

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante da discussão exposta neste artigo, percebe-se que a terapia gênica é uma técnica terapêutica muito promissora na medicina, cujos rápidos avanços têm-na tornado cada vez mais factível. Isso nos remete ao grande potencial para o seu uso indevido no meio esportivo por atletas que ignoram os riscos para ganhar vantagem competitiva. Diversos genes teriam a capacidade de promover ganhos substanciais no desempenho atlético, o que poderia ser decisivo em muitas modalidades. Uma vez que os métodos tradicionais de detecção de doping não são capazes de revelar o uso do doping genético, torna-se imediata a necessidade de ampliação desse debate no meio científico e no meio esportivo, a fim de que estratégias de controle e detecção sejam estudadas e colocadas em prática.

 

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Guilherme Giannini ArtioliI; Rosário Dominguez Crespo HirataII; Antonio Herbert Lancha JuniorI

ILaboratório de Nutrição e Metabolismo Aplicados à Atividade Motora, Departamento de Biodinâmica do Movimento Humano, Escola de Educação Física e Esporte, Universidade de São Paulo, São Paulo (SP), Brasil
IIDepartamento de Análises Clínicas e Toxicológicas, Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Universidade de São Paulo, São Paulo (SP), Brasil

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

13:57:00

Aspectos no treinamento do Water Polo / Polo Aquático

A periodização do treinamento de Polo Aquático, obviamente é determinada em função do calendário. Portanto, descreveremos um programa de treinamento básico. O programa é formado por quatro itens fundamentais:

1- Preparação física;
2- Preparação técnica;
3- Preparação tática;
4- Preparo psicológico.


PREPARAÇÃO FÍSICA

O trabalho é realizado tanto fora da água quanto dentro variando a característica, a proporção e a intensidade dos exercícios conforme o treinador e a escola:

Fora d'água:

Chamamos de trabalho de terra, que consiste em condicionamento aeróbico, fortalecimento muscular (com elástico, musculação e medicine ball) e flexibilidade, visando trabalhar os grupos musculares específicos para a pratica do Pólo Aquático.

  • Condicionamento aeróbico: pode ser realizado através de corrida de
    intensidade média com duração de 30 a 45 minutos ou com jogos de outras modalidades e circuitos de atividades;
  • Fortalecimento muscular: é feito com musculação, trabalhando oito grupos
    musculares (costas, ombro, braços, antebraços e mãos, peito, pernas, abdome e dorsal), o numero de séries e a quantidade de repetições será programada em função da época de treino, ou seja trabalho de base, aumento de massa, trabalho de força e velocidade.
  • Exercícios com elástico e medicine ball: tem a função de complementar a musculação, sendo caracterizado como um trabalho de força (com poucas repetições e muita velocidade) e resistência (com muitas repetições e isometria). Esse trabalho de terra é realizado com intervalo de um dia entre um treino e outro. No início da programação é feito corrida e água em um dia intercalando com fortalecimento muscular e água no outro; na fase seguinte da programação elimina-se a corrida e o trabalho de terra passa a ser um dia sim outro não.

Dentro d'água

O trabalho de água representa 90% do treinamento, onde se realizam exercícios para:

  • Condicionamento aeróbico: através de natação longa com batimento
    cardíaco entre 75 e 80% da freqüência máxima, como por exemplo uma locomotiva de 75, 100, 150, 200, 250, 250, 200, 150, 100 e 75 metros meia força.
  • Condicionamento anaeróbico: trabalho de velocidade com baixa taxa de oxigênio e freqüência cardíaca entre180 e 200 batimentos por minuto ou seja tiros curtos e velozes, exemplificando: 30 tiros de 25m, 12,5m forte e 12,5 fraco, pra 35 segundos. Natação especifica para o pólo, caracterizada como craw com a cabeça fora da água, costas sentado com perna peito, nadando com a bola e fazendo manejo, deslocando-se em uma pequena distância com o maior numero de braçadas, entre outro exercícios, incluindo o condicionamento para exercício misto muito parecido com o tipo de exercício realizado em uma partida de pólo, como por exemplo, 10 tiros de 100m para 1,30 minutos, incluindo descanso, no intuito de trabalhar a tolerância ao ácido lático e anaeróbico a- lático, também constante em situação de jogo, podendo ser realizado em um tiro de 25m, onde 6 braçadas devem ser com 100% de força e outras 6 soltas.


Também são realizados trabalhos de força dentro da água, em situações como, dois atletas presos um em cada ponta de um elástico, nadando para lados opostos durante 30 segundos com o mesmo tempo de intervalo, e trabalhos que exercitem velocidade e agilidade com movimentos específicos do pólo aquático, como por exemplo 25m nadando com a bola, três braçadas para a esquerda e três para direita com pernada de peito na mudança de direção ou 25m nadando craw cabeça fora da água, a cada 6 braçadas 3 saltos.

PREPARAÇAO TÉCNICA

Parte do treino é voltada para aprimorar as técnicas básicas do Pólo Aquático. Os treinamentos incluem natação especifica para trabalhar mudança de direção, de posição e condução da bola, arremesso e finta, posicionamento do corpo na água em situações de ataque, defesa e arremesso ao gol, bloqueio, etc.

Além disso a parte técnica exercita velocidade de reação para tornar o atleta mais veloz ao associar o apito do juiz ou uma situação de jogo à ação que deve ser realizada. Exercícios que executam esse princípio são por exemplo, todos os atletas alinham-se no meio da piscina e ao apito do técnico nadam conforme a direção apontada por ele ou um atleta fica parado de frente para o gol, esperando que outro jogue a bola, sem ele saber para que lado ném para onde a bola será jogada e ao momento que vê a bola, ele deve nadar até ela e arremessa-la a gol.


PREPARAÇAO TÁTICA

Parte do treino é reservada para o treinamento em conjunto visando uma melhora no desempenho coletivo. É constituída de:

Treinamento de defesa, ataque e situações especiais como 5 contra 6 e 6 conta 5.

Esse trabalho é realizado tanto em situações paradas, com dois ou mais atletas utilizando o gol ou não e associado com natação simulando situações de jogo, como quatro atacando e outros quatro defendendo, após a tentativa de gol os grupos saem no contra- ataque até o outro lado da piscina e repete-se a situação com outro grupo; outra situação, são os coletivos onde é exigida uma tática para cada time executar.



PREPARO PSICOLÓGICO

Parte do treinamento, visa ao estimulo dos atletas com os princípios da psicologia do esporte, como: espírito de união, cooperação, concentração e superação através de trabalhos lúdicos para uma maior motivação ou descontração do grupo.

São realizadas dinâmica de grupo com atividades em duplas, nas quais, um de olho fechado, será guiado por alguns segundos pelo outro. Outro exemplo é a preleição realizada antes dos jogos, quando são revistas as táticas para o jogo a seguir e motiva-se a equipe como um todo, destacando seus pontos fortes.

ALIMENTAÇÃO NO PÓLO

A energia despendida para nadar determinada distância é cerca de 4 vezes maior que a energia gasta para correr a mesma. Isso porque, para nadar é necessário manter a flutuação, vencer a força de atrito com a água, ter eficiência mecânica, manter a temperatura corporal, e superar a maior dificuldade para captação de oxigênio. Além da dificuldade existente na execução dos movimentos exigidos nas atividades específicas para a prática do pólo aquático, como citado acima.

Estes fatores relacionados aos esportes aquáticos, resultam em um aumento das necessidades nutricionais, portanto um consumo adequado às necessidades de cada atleta, de acordo com a sua atividade física, peso, estatura, idade, tempo e intensidade de treino são fundamentais a realização do esporte e melhora da performance.

- Alimentação pré-treino

Nesta fase a refeição deve ser rica em carboidratos e com baixas concentrações de gorduras e fibras. O ideal é que a refeição pré-treino seja realizada entre 2 e 3 horas antes do treino, o que garante um esvaziamento gástrico completo diminuindo a possibilidade de desconforto gástrico e sensação de "estômago cheio" durante o exercício.


- Alimentação durante o treino

Além da hidratação, como veremos a seguir, durante treinos de velocidade e de muita intensidade, com duração de mais de uma hora, torna-se fundamental a reposição de glicogênio, devido a utilização dessa fonte de energia na execução de tal atividade, para tanto utilizasse maltodextrina, tanto diluída como em géis comercializados; É importante ressaltar, que essa suplementação deve ser recomendada por um nutricionista ou profissional especializada, que irá analisar as características e particularidades de cada atleta.


- Alimentação pós- treino

A taxa de resíntese de glicogênio, restabelecimento das reservas musculares, é mais rápida nas duas primeiras horas após o exercício. A ingestão de um alimento rico em carboidrato simples imediatamente após o treino garante uma reposição mais rápida do glicogênio muscular. Portanto ao término da atividade, consuma uma fruta ou uma barrinha de cereais, ou mesmo soluções isotônicas, principalmente quando há a intolerância de alimentos sólidos pós- treino.


HIDRATAÇÃO: UM CASO A PARTE

Através da sudorese (transpiração), durante a atividade física, ocorre a perda de líquidos e sais minerais. Essa perda constante de líquidos ocorre mesmo em baixas temperaturas e, no caso dos esportes aquáticos, pode ser menos percebida, mesmo as vezes sendo maior, dependendo da temperatura da água e da intensidade do exercício. Desta forma torna-se essencial a reposição de líquidos tanto antes, quanto durante e principalmente depois.

As conseqüências fisiológicas da desidratação, mesmo que leve, são a redução do conteúdo de água corporal, portanto a diminuição do volume de sangue circulante, alterando o sistema cardiovascular e de termorregulação, causando sobrecarga cardíaca e do mecanismo de resfriamento, alta percepção de esforço, fadiga precoce e redução de performance.

Para tanto um bom rendimento e uma melhora de performance pedem uma hidratação adequada, beba aproximadamente 500 ml de fluído cerca de duas horas antes, de 600 a 1200 ml/hora durante e no mínimo o volume de fluído equivalente ao peso perdido depois. Lembre-se que bebidas em baixas temperaturas são mais aceitáveis.

Com a ajuda daqui

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