segunda-feira, 1 de outubro de 2012

A agilidade de bailarinos




    O presente estudo apresentou a influência de uma intervenção física na agilidade de bailarinos, baseando-se no treinamento esportivo. Sendo assim, o treinamento físico auxilia os bailarinos para que os mesmos consigam desempenhos mais expressivos.

    Para Matveev (1997, p. 17) "A preparação física geral do atleta é o processo de desenvolvimento das capacidades físicas que correspondem às necessidades específicas do desporto escolhido para a especialização". Está dividido em treinamento de resistência, treinamento de velocidade, treinamento de força, treinamento de flexibilidade e treinamento das capacidades coordenativas.

    Dentre os aspectos físicos incluímos a agilidade, na opinião de Weineck (2003, p. 515), na teoria de treinamento, o conceito de agilidade é utilizado como sinônimo de habilidades coordenativas. Há vários progressos corporais quando a agilidade é trabalhada corretamente, pode, por exemplo, permitir que as tarefas realizadas gastem menos força e energia muscular, fato esse que é positivo quando surge a fadiga.

    A agilidade segundo Dantas (1998, p.95) é "a valência física que possibilita mudar a posição do corpo ou a direção do movimento no menor tempo possível". O que é intensamente utilizado na modalidade de dança Jazz.

    Se o treinamento físico é utilizado em tantas modalidades esportivas juntamente com os aspectos técnicos para melhorar o desempenho, acredita-se que se o mesmo fosse utilizado na dança, atividade física competitiva, poder-se-ia conquistar desempenhos mais representativos. Como a agilidade para a dança é pouco discutida e a modalidade Jazz também, viu-se a necessidade de trazer novos levantamentos sobre isso.

    O objetivo deste estudo foi verificar a influência de uma intervenção física na agilidade de bailarinos da modalidade Jazz.

Métodos

    O protocolo de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em pesquisa com Seres Humanos da Pontifícia Universidade Católica do Paraná sob o registro 1865, parecer número 646/07. Todos os indivíduos que participaram do estudo assinaram o Termo de Consentimento Livre Esclarecido.

    A amostra foi formada por 11 bailarinas do sexo feminino, com idade média 21= 21,09 (dp = 1,76), da modalidade Jazz, que dançam em um grupo da cidade de Curitiba, que participam em competições nacionais. Os bailarinos apresentam em média 8 anos de experiência, e treinam a modalidade com uma única professora, com uma freqüência de 6 vezes na semana, duração de aproximadamente 6 horas por dia.

    Para avaliar a agilidade utilizou-se o teste Shuttle Run (Dantas, 1998, p. 107). O material necessário é: dois blocos de madeira (5 cm x 5 cm x 10 cm), cronômetro. O avaliado corre na sua maior velocidade possível até os blocos, pega um deles, retorna ao ponto de onde partiu, e o deposita atrás da linha de partida. Sem interromper a corrida, vai e busca do segundo bloco procedendo da mesma forma. O teste estará terminado e o cronômetro será parado quando o avaliado colocar o último bloco no solo e ultrapassar, com pelo menos um dos pés, as linhas que delimitam os espaços demarcados. O bloco não deve ser jogado, mas colocado no solo. Sempre que houver erros na execução, o teste será interrompido e repetido novamente.

    Há uma tabela de classificação para a agilidade conforme o protocolo proposto que segue abaixo:

Tabela 1. Escores em percentis e desempenho do teste Shuttle Run segundo (MATHEWS, 1980, p. 419)

    O teste foi realizado em pré e pós-teste tendo em vista que houve um treinamento físico no intermédio disso. O Treinamento teve duração de sete semanas, com uma freqüência de três vezes semanais, com duração de uma hora e quinze minutos. Eram realizados antes dos ensaios da companhia. Era constituído por uma parte inicial de aquecimento, parte principal, com exercícios para agilidade específicos para dança, visando principalmente a coordenação de movimentos e agilidade em mudanças de direção, e ao fim uma parte de volta à calma com relaxamento.

    Para a análise estatística descritiva utilizando-se média e desvio padrão. Para verificar a relação da agilidade com a performance utilizou-se Correlação de Pearson, a um nível de significância de p<0,05. Contemplou-se uma abordagem quantitativa com a utilização do software SPSS for Windows, versão 13.0.

Resultados e discussão

    A normalidade dos dados foi testada através da aplicação do teste de Kolmorov-Smirnov, o qual apresentou normalidade dos dados.

    A média de agilidade para o grupo em pré-teste foi de 12,04, tendo um desvio padrão de 0,820. Segundo o quadro apresentado, a classificação seria de aproximadamente 15%, o que é extremamente baixo e preocupante, tendo em vista que na modalidade Jazz a agilidade é muito importante.

    Observou-se que a média para o grupo em pós teste em score foi de 10,80, tendo um desvio padrão de 1,107. Conforme a tabela apresentada anteriormente os indivíduos apresentam um desempenho entre 60-65%.

    Para Zaciorskij (1972 apud WEINECK, 2003 p. 523) em relação a agilidade, quanto mais um atleta estiver preparado para analisar a situação no meio em que se encontra, mais rapidamente ele se adaptará a variações desta situação. É de fundamental importância o trabalho com novos movimentos, para que o organismo se adapte rapidamente, aumentando a capacidade coordenativa. Assim, um desempenho entre 60-65% pode ser considerado baixo se tratando de bailarinos que competema nível nacional. Porém houve um acréscimo considerável tendo em comparação os valores de pré-teste.

    Houve uma melhora significativa entre pré e pós-teste de agilidade para essa população tendo em vista que t = -2,468 (p = 0,043). Esses resultados afirmam que a agilidade melhorou pelo treinamento efetuado, sendo assim válida a experiência e tendo um valor para replicações futuras.

    Tendo em vista esses resultados é possível afirmar que o treinamento físico seria indispensável aos bailarinos de Jazz, pois a agilidade é uma das valências físicas muito utilizadas. Porém o treinamento precisa ser intenso e por períodos mais longos. Assim, sugerem-se novas pesquisas com períodos de treinamentos mais prolongados, e pesquisas com maiores populações e com diferentes faixas etárias para se poder ter uma idéia mais ampla da situação. É necessária também, a validação de um teste de agilidade específico para bailarinos, porque por mais que o teste Shuttle Run avalie mudanças rápidas de direção, raramente o bailarino irá correr então essa pode ser uma limitação desse estudo.

Referências bibliográficas

  • DANTAS, Estelio H.M. A prática da preparação física. 4ª ed. Rio de Janeiro: Shape, 1998.

  • MATHEWS, Donald K. Medida e avaliação em educação física. 5ª ed. Rio de Janeiro: Interamericana, 1980.

  • MATVEEV, L.P. Treino desportivo: metodologia e planejamento. 1ª ed. Guarulhos: Phorte, 1997.

  • WEINECK, Jürgen.Treinamento ideal. 1ª ed. São Paulo: Manole, 2003.

Fonte



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