sexta-feira, 30 de novembro de 2012

12:13:00

Análise Crítica Sobre Treinamento Desportivo na Educação Física Escolar


Conceitos de treinamento desportivo

Para Dantas (2003, p. 28), "[...] é conjunto de procedimentos e meios utilizados para se conduzir um atleta a sua plenitude física, técnica e psicológica dentro de um planejamento racional, visando executar uma performance máxima num período determinado".

Segundo Mantivéiev (1986, p. 32), "[...] é a forma básica de preparação do atleta. É a preparação sistematicamente organizada por meio de exercícios que de facto constitui um processo pedagogicamente estruturado de condução de desenvolvimento do atleta [...]".

A explicação de treinamento desportivo de Weineck "[...] sugere a definição de 'treinamento esportivo' como sendo o processo ativo complexo regular planificado e orientado para melhoria do aproveitamento e desempenho esportivo" (CARL, apud WEINECK 1999, p. 10).

Reflexão sobre treinamento desportivo


Segundo Perez (2000), entende-se por treinamento um processo composto por várias etapas, que se inicia sempre da mais simples para a mais complexa, até chegar à especialização, que visa à melhoria de algo, sendo essa uma característica nata dos seres humanos.
O ato de treinar, que tem como sentido/significado tornar apto ou adestrado, não se restringe somente aos atletas, mas também está ligado a outros animais, nem está unicamente associado ao esporte, pois, quando o objetivo é perda de peso por uma prática de atividade física, ocorre um treinamento.

Aproveitamos para fazer analogias aos conceitos dos autores supracitados, no que tange às questões de "treinamento/adestramento" no processo educacional, não somente na disciplina da Educação Física, mas de forma geral.

É preciso observar que o "adestramento" das pessoas se inicia quando ingressam, desde cedo, na instituição educacional, que respeita as "leis" do sistema vigente. Há de se convir que esse sistema trouxe vários benefícios para sociedade. Contudo, na sociedade, somos todos "adestrados" a sobrevivermos nela. O interessante é justamente saber interpretar o que está escrito nas entrelinhas do processo de ensino e uma das formas de se aprender como interpretar é justamente, por pura ironia, dentro das escolas, atuando com professores que saibam utilizar metodologias pedagógicas que fomentem a dialética entre os alunos, de forma a fazê-los compreender como funciona esse sistema, pois, assim, poderá haver um processo de melhoria gradual de convivência.

No entanto, para além da escola, há interesses escusos de pequenos grupos que controlam grandes empresas que investem intensamente na ciência do esporte.

As grandes empresas envolvidas no meio esportivo visualizaram o extraordinário vínculo da cultura do esporte em determinados países, como a Nike enxergou no Brasil (o país do futebol) e fatura enormes cifras com o patrocínio da Seleção Brasileira, tendo o direito de fazer que o Brasil realize amistosos com quem ela quiser. É só reparar que os amistosos são sempre contra seleções sem tradição no esporte bretão, como foi o caso do amistoso contra o Haiti com o pretexto de parar a guerra por um momento, mas, na verdade, havia interesses escusos ali envolvidos, como possibilitar sempre a abertura de mais um novo mercado consumidor para seus produtos relacionados com o futebol.

Segundo Perez (2000), atletas são indivíduos que visam a um rendimento máximo e participam de competições. Podem ser divididos em três grupos: os de alto nível, os de nível regular e de nível fraco. Há de se concordar com o autor, que as regras e os valores da competição são socialmente construídos. Existem exemplos notórios dentro da própria Educação Física escolar, na qual os mais habilidosos são sempre os primeiros a serem escolhidos, ocorrendo o contrário com os que não possuem determinadas destrezas coniventes com a atividade, impostas como essenciais. É função de um bom educador físico fazer com que seus alunos saibam interpretar criticamente essa inversão de valores.

Há também os não-atletas que, de acordo com Perez (2000), podem participar de competições, porém com objetivos mais ligados à saúde e ao prazer do que ao alto rendimento. Esses objetivos também são impostos pelo sistema vigente, que prega que as pessoas tenham o corpo em forma (fôrma), pois, quanto melhores se sentirem, mais produzirão. O conceito de pessoa bela (estereotipado) é a todo momento colocado na mídia como o ideal a se seguir, usando os atletas que passam por todo um processo de treinamento desportivo.

Considerações finais

Há de se convir que empregar, nas aulas de Educação Física escolar, os conceitos de treinamento desportivo é um tanto complicado, tendo em vista todos os problemas de enorme disparidade social encontrados no Brasil.

Como usar esses conceitos ou até mesmo os princípios do treinamento (princípios da adaptação, da sobrecarga, da individualidade biológica, entre outros) numa escola onde há crianças com desnutrição chegando ao extremo de algumas delas terem uma refeição apenas e, muitas vezes, é justamente a refeição dada na escola? Sem uma perfeita alimentação, é impossível conduzir um "aluno/atleta" a uma plenitude na condição física ou técnica. E, ainda, como uma criança atingirá plenitude psicológico se, na periferia onde mora, há tiroteios entre traficantes disputando a venda de drogas ou até mesmo dentro da própria casa ela assiste à violência entre os familiares por motivos vários como de dependência química?


Além disso, vale lembrar as péssimas condições que os professores de Educação Física encontram, como se pode observar em escolas onde as aulas são dadas em chão batido, propiciando oportunidades de os alunos se machucarem ou, ainda, escolas sem um mínimo de espaços para que ocorram as aulas de Educação Física, além da falta de materiais. Muitas vezes, o próprio profissional se vê na "obrigação" de comprar pelo menos uma bola para possibilitar uma vivência aos seus alunos.

Obs. Os autores Bruno Vasconcellos Silva (bvasconcellos1983@hotmail.com) e Alinne Ferreira Bastos (alinnefb@hotmail.com) são acadêmicos do CEFD-UFES.

Referências

  • 1 Dantas, E. H. M. A prática da preparação física. 5. ed. Rio de Janeiro: Shape, 2003.
  • 2 Daolio, J. Educação Física e o conceito de cultura. Campinas, São Paulo: Autores Associados, 2004.
  • 3 Mantivéiev. C. P. Horizontes da cultura física fundamentos do treino desportivo. Lisboa: Livros Horizontes. LDA, 1986.
  • 4 Metodologia do Ensino da Educação Física/Coletivo de Autores. São Paulo: Cortez, 1992.
  • 5 Revista Brasileira de Ciência do Esporte. Quem são os atletas e os não-atletas no processo de treinamento? PEREZ, A. J. p. 129 a 132, jan./maio 2000.
  • 6 Weineck. J. Treinamento ideal: instruções técnicas sobre o desempenho fisiológico, incluindo considerações específicas de treinamento infantil e juvenil. São Paulo: Manole, 1999.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

09:26:00

Salto vertical em voleibolistas após treinamento de agachamento e treinamento pliométrico

A história do voleibol surgiu somente em 1895 quando William Morgan começou a desenvolver a prática, porém a primeira confirmação de que o voleibol havia se tornado um esporte de competição só aconteceu em 1922. A partir deste momento, o voleibol começou a se popularizar pelo mundo e é hoje um dos esportes mais praticados no Brasil. A procura pelo esporte e a participação dos pré-adolescentes e adolescentes, traz cada vez mais consequências diretas à formação de futuras gerações de atletas (BORSARI, 2001).

    O voleibol pode ser considerado uma das modalidades esportivas mais complexas, pois exige perfeição na execução das habilidades e características físicas específicas, que quando associadas proporcionarão o melhor desempenho (SILVA, BÖHME e UEZU, 2003). O jogador deve apresentar fundamentalmente qualidades físicas como a potência, velocidade (de reação e deslocamento) e agilidade.

    Hoje a preparação física para tornar-se um atleta de esportes de rendimento, torna-se imprescindível e depende do treinamento em longo prazo, aos quais os jovens atletas são submetidos a executar de forma planejada e sistemática. O treinamento em longo prazo tem papel importante no processo de detecção, seleção e promoção do talento esportivo (SILVA, BÖHME e UEZU, 2003).

A força explosiva é justificada como sendo uma variável que se manifesta nas ações e intensidades máximas desse esporte (HESPANHOL, NETO e ARRUDA, 2006). O salto vertical ocorre em diferentes modalidades desportivas, em vista dessa importância, explicar as variáveis que determinam a performance neste gesto é fundamental para que os métodos de treinamento sejam aplicados a fim de maximizar a performance. (SILVA, MAGALHÃES e GARCIA, 2005).

    O exercício de agachamento, por ser completo e complexo, promove aumento do recrutamento de fibras musculares, e pode ser prescrito para trabalho de força, que posteriormente pode se transformar em potência muscular, oportunizando assim melhora do salto vertical do atleta. Para Hirata e Duarte (2006) entender como funciona a força compressiva patelofemoral durante o movimento do agachamento é de suma importância para fisioterapeutas e professores de educação física para orientar, limitar o movimento e saber qual deles será empregado na prescrição.

    Para Moura e Moura (2001) pliométria são exercícios definidos como aqueles que ativam o ciclo excêntrico-concêntrico do músculo esquelético, provocando sua potenciação elástica, mecânica e reflexa. Neste ciclo acumula-se energia elástica no músculo, sendo utilizado na fase concêntrica do movimento. Os exercícios de pliométria são geralmente associados a saltos de profundidade e podem ser divididos em: saltos no lugar, saltos em progressão, saltos em profundidade e exercícios para os membros superiores.

    Diante deste contexto, este trabalho teve como objetivo, utilizando-se de duas metodologias de treinamento: agachamento e pliométrico, verificar após oito semanas qual foi à diferença encontrada no salto vertical dos atletas.

Metodologia

    Trata-se de um estudo experimental do tipo ensaio clínico randomizado, onde a população foi composta por 32 atletas de voleibol com idade entre 10 e 13 anos, praticantes a mais de um ano da modalidade, que não tiveram contato com nenhum trabalho de preparação física e exercícios pliométricos antecedendo seis meses ao estudo.

    Após a explicação do estudo aos participantes, os atletas foram submetidos aos testes de variáveis de caracterização de amostra. Para a verificação da estatura foi utilizado uma trena métrica da marca Starret Tru-Lok de 3 metros, com marcação em cm e precisão de 1 mm, obedecendo à padronização do PROESP-BR (GAYA, 2009).

    Para massa corporal total (MCT), foi utilizada uma balança da marca Filizola, com sensibilidade de 0,1 Kg, sendo os valores registrados em quilogramas (Kg) obedecendo à padronização do PROESP-BR (GAYA, 2009).

    Para a composição corporal foi medida dupla-dobra de gordura subcutânea utilizando um plicômetro científico da marca Cescorf® e trena antropométrica de fibra de vidro simples com 1,5 metros da marca Fisiomed Brasil. O protocolo utilizado para cálculo da densidade corporal foi de Jackson & Pollock, 1978, que utiliza dobras cutâneas da coxa, tórax e abdômen e circunferência da cintura e do antebraço. Para o cálculo do percentual de gordura corporal, foi utilizada a fórmula de SIRI, 1961 apud HERWARD, 2004.

    Para a avaliação maturacional foram utilizadas as fotos relativas às "Pranchas de Tanner" onde os mesmos indicavam por si só o estágio maturacional com o qual mais se identificavam. Assim as crianças eram classificadas em I: indica um estado de pré-adolescência; II: indica o início do período pubertário; III e IV: indicam a continuidade do desenvolvimento, ou uma fase intermediária; V: indica a fase final do desenvolvimento, muito parecida com o estado adulto (MARTIN e Colaboradores, 2001).

    Foi realizado também o teste de impulsão que serviu para verificar o alcance máximo que o atleta atingiu. Foi medido em centímetros, sendo que o alcance máximo foi determinado pelo valor do alcance parado menos a medida do melhor salto. Para sua realização, foi anexada uma trena métrica da marca Tru-Lok de três metros com marcação em centímetros e precisão em milímetros, numa parede de 3,5 metros. Giz em pó foi utilizado para marcar o local de impulsão máxima (Bompa 2004).

    Após o teste de impulsão vertical, os atletas foram divididos por alocação aleatória, nos grupos controle, treinamento com agachamento e treinamento pliométrico onde realizarão 16 semanas de treinamentos.

    Os atletas do grupo experimental que realizaram os treinamentos com agachamento e pliométrico foram orientados na mesma semana a executarem três sessões de treinamento, sendo duas sessões para aperfeiçoamento da técnica de execução do agachamento e dos exercícios pliométricos. Na terceira sessão da semana, os atletas do grupo experimental agachamento, realizaram o teste de repetições máximas, seguindo o protocolo descrito por Fleck and Kraemer (2006), que utilizou para estimativa de uma contração voluntária máxima (CVM), os índices propostos por Lombardi (1989), seguindo após o treinamento de acordo com a periodização das tabelas 1 e 2.

Tabela 1. Treinamento contra-resistência do grupo experimental agachamento

 

Tabela 2. Treinamento do grupo experimental pliometria

    Quanto aos aspectos éticos, o projeto foi aprovado pelo CEP FUCS com número de cadastro 194/09. Todos os pais ou responsáveis assinaram o TCLE e todas as crianças aceitaram participar voluntariamente do estudo.

Procedimentos estatísticos

    Para a análise dos dados foi utilizada estatística descritiva (apresentação de médias e percentuais) e o teste "t" Student para amostras pareadas e para amostras independentes. O nível de significância adotado para o presente estudo foi de 95%.

Resultados

    A amostra iniciou com 32 atletas. Quatro atletas desistiram dos treinamentos, quatro não participaram com frequência mínima de 80% dos treinamentos e dois atletas lesionaram-se antes do pós teste de impulsão vertical. Deste modo, os 22 atletas restantes ficaram divididos em três grupos: 8 atletas no grupo controle, 7 atletas no grupo agachamento e 7 atletas no grupo pliométrico. Os atletas que participaram da amostra tinham em média um ano e nove meses de prática num clube de voleibol em Bento Gonçalves. Segundo Cole e Colaboradores (2000) a média de IMC dos atletas foi classificada como peso adequado para sexo e idade. A tabela 3 apresenta a estatística descritiva (média e desvio padrão), referente aos dados de caracterização da amostra.

Tabela 3. Caracterização da amostra avaliada

    Na tabela 4 são apresentados os dados de avaliação maturacional que foram coletados a partir da utilização das fotos relativas às "Pranchas de Tanner".

Tabela 4. Avaliação maturacional. Classificação apontada pelos atletas

    Na tabela 5 são apresentados os valores médios dos relatos de impulsão pré e pós treinamentos, o n amostral de cada grupo e o desvio padrão. Mesmo havendo valores maiores no relato de impulsão pós teste, não foram constatadas diferenças significativas (p > 0,05) nos grupos controle, agachamento e pliometria.

Tabela 5. Média do teste de impulsão pré e pós treinamentos

    Como vimos de acordo com a tabela 6 não foram encontradas diferenças significativas (p > 0,05) entre os três grupos da amostra para as medidas de impulsão vertical pré e pós teste.

Tabela 6. Teste T para amostras independentes

Discussão

    Os resultados encontrados no presente estudo não apresentaram diferença significativa no salto vertical após 8 semanas de treinamento nos três grupos estudados. Tais resultados apresentam contradição com a maioria dos estudos apresentados na literatura.

    No presente estudo, o grupo pliometria teve uma pequena melhora no pós-teste de impulsão vertical, porém esta não foi estatisticamente significativa. Jaschke e Navarro (2008) apontam resultados positivos em diversos estudos realizados nas diferentes modalidades esportivas, mostrando que os exercícios pliométricos poderiam favorecer as condições físicas de atletas. Almeida e Rogatto (2007) realizaram um treinamento pliométrico em jogadoras de futsal durante quatro semanas e este mostrou melhora da impulsão horizontal e agilidade, mas não se modificou na impulsão vertical e velocidade de deslocamento. Silva e Colaboradores (2004) em um estudo com jogadoras de voleibol de alto nível concluíram que o tipo de periodização adotado manteve o desempenho no salto vertical. Garcia, Herrero e De Paz (2005) utilizaram um programa de treinamento pliométrico de quatro semanas em 9 estudantes (de educação física) e 8 alunos no grupo controle para analisar as adaptações induzidas pelo treinamento pliométrico. Os autores verificaram que houve melhora no grupo do treinamento, porém não foram significantes. Francelino e Passarinho (2007) verificaram melhora significativa (p<0,05) nos indicadores de impulsão vertical em uma equipe de voleibol escolar (meninas de 15 anos) após oito semanas de treinamento com um programa de pliométria. No grupo pliometria, dois participantes mantiveram as médias e dois diminuíram as médias no re-teste, influenciando no resultado de significância da melhora do grupo.

    O grupo agachamento também não apresentou diferenças significativas no salto vertical nos pré e pós-testes. Com relação ao treinamento com pesos, Marques e Badillo e Marques (2005) realizaram um treinamento de força com pesos livres em atletas de basquete com idade de 10 a 13 anos e constataram melhoria da capacidade de salto vertical sem haver necessidade de realização de um trabalho pliométrico. Outro estudo que classificava o treinamento de força como importante meio para compensação muscular e aquisição de força específica de saltos foi aplicado a 10 jovens de 14 a 17 anos durante oito semanas. Os autores constataram que houve aumento na altura do salto vertical e na impulsão, sendo que os mesmos valores não foram encontrados quando relacionados com salto horizontal (FARIA, 2004). Na pesquisa realizada por Lamas e Colaboradores (2007) quarenta sujeitos com média de idade de 24 anos foram divididos em 3 grupos (controle, treino de força e treino de potência) e realizaram durante 8 semanas exercícios de agachamento. O estudo chegou à conclusão de que o treinamento de força e potência produziu ganhos musculares semelhantes. Kyröläinen e Colaboradores (2005) reportaram aumento na força dinâmica máxima utilizando trabalho de potência e com saltos após oito semanas de treinamento. As diferenças entre os estudos citados acima e o presente estudo podem ser em parte explicadas, pelas metodologias diferenciadas de treinamento de força e o tempo de treinamento. Também cabe ressaltar, que no presente estudo, o grupo agachamento obteve melhora em cinco participantes e decréscimo em outros dois, fato que pode ter contribuído para não aumentar de forma significativa a média do grupo.

    Com relação ao grupo controle, os resultados do re-teste de impulsão vertical se mantiveram iguais devido a um participante ter elevado seu pós teste em 7 cm, fato que contribuiu para a manutenção da média do grupo. Os demais sujeitos do grupo controle mantiveram as médias ou diminuíram.

    Os resultados do presente estudo precisam ser interpretados com cautela, visto que o mesmo apresentou algumas limitações. Pode-se apontar primeiramente o número reduzido de participantes em cada grupo. Outra limitação foi o fato de não haver aumento no percentual de carga máxima no treinamento após a terceira semana no grupo agachamento. Foi aumentando somente o número de séries e diminuído o número de repetições, essa mesma situação ocorreu no grupo pliométrico onde a altura do caixote permaneceu constante.

Conclusão

    Considerando as limitações do estudo, pode-se dizer que na investigação em questão não houve diferença significativa (p>0,05) entres os grupos controle, agachamento e pliométrico na impulsão vertical pós teste, mas houve melhoras nos grupos agachamento e pliométrico (não significativas). Sugerem-se novos estudos com amostras maiores para melhor avaliar a relação entre os treinamentos de agachamento e pliométrico com a impulsão vertical em atletas de voleibol, visando sempre à busca por parâmetros que forneçam subsídios para o controle e aperfeiçoamento do treinamento de voleibol. Sugere-se também que seja avaliado um novo grupo com os treinamentos de agachamento e pliometria.

Referências bibliográficas

  • Almeida, Giovana Trentino de; Rogatto, Gustavo Puggina. Efeitos do método pliométrico de treinamento sobre a força explosiva, agilidade e velocidade de deslocamento de jogadoras de futsal. Rev. Brasileira de Educação Física, Esporte, Lazer e Dança, vol. 2, n. 1, p. 23-38, mar. 2007.

  • Bompa, Tudor. Treinamento de Potência para o Esporte. São Paulo: Phorte Editora, 2004.

  • Borsari, Jose Roberto. Voleibol: Aprendizagem e Treinamento, um Desafio Constante. 3 ed. São Paulo: EDU, 2001.

  • Cole; Tim J.; Belizzi, Mary C.; Flegal, Katherine M.; Dietz, William H. Establishing a standard definition for child overweight and obesity worldwide: international survey. BMJ 2000; 320(6):1240-1245.

  • Faria, Alexandre Paulino. A importância do treinamento de força como meio de compensação muscular e na aquisição de força específica de saltos aplicado a jovens voleibolistas de 14 a 17 anos estudantes de escolas públicas e particulares do município de Espírito Santo do Pinhal.Monografia de conclusão de curso. CREUPI. São Paulo. 2004.

  • Fleck, Steven J.; Kraemer, William J. Fundamentos do Treinamento de Força Muscular. 3. ed. Porto Alegre: ArtMed., 2006.

  • García López, D.; Herrero Alonso, J.A. y De Paz Fernández, J.A. Metodología de entrenamiento pliométrico. Revista Internacional de Medicina y Ciencias de la Actividad Física y el Deporte, vol. 3 (12) pp. 190-204. 2003.

  • Gaya, Adroaldo Cezar Araujo. Manual de aplicação de medidas e testes, normas e critérios de avaliação. Projeto Esporte Brasil 2009, PROESP-BR. Porto Alegre, 2009.

  • Hespanhol, J. E.; Neto, L. G. S.; Arruda, M. Confiabilidade do teste de salto vertical com 4 séries de 15 segundos. Rev. Brás. Méd. Esporte, Vol. 12, Nº 2 – Mar/Abr, 2006.

  • Hirata, R. P.; Duarte, M. Efeito da posição relativa do joelho sobre a carga mecânica interna durante o agachamento. Rev. Brás. Fisioterapia, Vol. 11, Nº 2, p. 121-125, Mar/Abr, 2007.

  • Jackson AS, Pollock ML. Generalized equations for predicting body density of men. Br J Nutr. 1978;40:497-504.

  • Jaschke, Cleiton; Navarro, Francisco. Pliométria e o aumento da força muscular explosiva dos membros inferiores em atletas das mais variadas modalidades esportivas. Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v.2, n.12, p.653-662. Nov/Dez. 2008.

  • Kyröläinen, H.; Avela, J.; Mcbride, J.M.; Koskinen, S.; Andersen, J.L.; Sipilä, S.; Takala, T.E.; Komi, P.V. Effects of power training on muscle structure and neuromuscular performance. Scandinavian Journal of Medicine and Science in Sports. Copenhagen, v.15, n.1, p.58-64, 2005.

  • Lamas, L.; Ugrinowitsch, C.; Campos, G. E. R.; Aoki, M. S.; Fonseca, R.; Regazzini, M.; Moriscot, A. S.; Tricoli, V. Treinamento de força máxima x treinamento de potência: alterações no desempenho e adaptações morfológicas. Rev. bras. Educ. Fís. Esp., São Paulo, v.21, n.4, p.331-40, out./dez. 2007.

  • Marques, M.A.C.; González-Badillo, J.J. O efeito do treino de força sobre o salto vertical em jogadores de basquetebol de 10-13 anos de idade. R. bras. Ci e Mov. 13(2): 93-100. 2005.

  • Martin, R.H.C; Uezu, R; Parra, S. A; Arena, S. S; Bojikian, L. P; Böhme, M. T. S; Auto-avaliação da maturação sexual masculina por meio da utilização de desenhos e fotos. Rev. paul. Educ. Fís., São Paulo, 15(2): 212-22, jul./dez. 2001.

  • Moura, N.A.; Moura, T.F.P. Princípios do treinamento em saltadores: implicações para o desenvolvimento da força muscular. In: I Congresso sul-americano de treinadores de atletismo. Manaus, 2001.

  • Silva, L. R. R.; Böhme, M. T. S.; Uezu, R; Massa, M. A utilização de variáveis cineantropométricas no processo de detecção, seleção e promoção de talentos no voleibol. Rev. Bras. Ciên. e Mov. Brasília v. 11 n. 1 p. 69-76 janeiro 2003.

  • Silva, L. R. R.; Franchini, E.; Kiss, M. A. P. D.; Böhme, M. T. S.; Matsushigue, K. A.; Uezu, R.; Massa, M. Evolução da altura de salto, da potência anaeróbica e da capacidade anaeróbica em jogadoras de voleibol de alto nível. Rev. Bras. Cienc. Esporte, Campinas, v. 26, n. 1, p. 99-109, set. 2004.

  • Silva, R. K.; Magalhães, J; Garcia, M. A. C. Desempenho do salto vertical sob diferentes condições de execução. Arquivos em Movimento, Rio de Janeiro, v.1, n.1, p.17-24, janeiro/junho 2005.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

09:31:00

Como melhorar a força do arremesso?

Há certas modalidades em que é fundamental ter um bom arremesso de maneira a marcar a diferença. Por exemplo, na modalidade de arremesso de peso é importante um atleta ter força e aceleração no braço. Mas estas qualidades não são exclusivas de praticantes de arremesso de peso. Os jogadores de andebol, de pólo aquático e de basebol, por exemplo, também necessitam de possuir estas qualidades.

Sendo assim, em modalidades ou desportos em que é importante ter um bom arremesso, quais as características importantes a desenvolver? Que região do nosso corpo devemos trabalhar mais? Resumindo, como melhorar a força do arremesso?

Um estudo recente realizado com 38 praticantes de modalidades de arremesso iluminou esta questão [*1]. Os voluntários tiveram de executar os exercícios de supino e de meio agachamento. Foram avaliados os parâmetros da força e velocidade na execução dos exercícios. Também foi retirada informação sobre a rigidez dos membros inferiores durante o maior salto executado pelos voluntários.

Os investigadores descobriram que os melhores desempenhos destes atletas durante a época estava correlacionada com os melhores registos no supino e no meio agachamento a nível da força máxima aplicada. Concluíram, portanto, que a força e a rigidez dos membros inferiores e a força e velocidade dos membros superiores pode estar associada à performance de arremesso dos atletas.

Como desenvolver a força muscular e melhorar o arremesso?



Visto isto, existe alguma forma de desenvolver a força dos músculos dos membros inferiores e superiores, para além do trabalho de ginásio? Um recente estudo responde "sim": através do uso de pesos ajustáveis como parte do aquecimento.

Dez jovens praticantes de arremesso de peso foram divididos em 3 grupos: o grupo sem peso extra, o grupo com acessórios de peso de 1,37kg e o grupo cujos acessórios de peso era de 2,27kg. Os resultados foram prometedores: os atletas que integraram acessórios de peso de 1,37kg no seu aquecimento aumentaram o seu arremesso em 3,54m. Os atletas que usaram pesos de 2,27kg aumentaram o seu arremesso numa média de 3,15m.

Os cientistas concluíram que incluir pesos ajustáveis durante uma parte ou durante todo o aquecimento é uma boa maneira de aumentar o arremesso na competição.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

08:36:00

Artigo: Efeito da posição relativa do joelho sobre a carga mecânica interna durante o agachamento

Agachamentos, executados em diversas formas, são exercícios importantes, muito utilizados em treinamento e reabilitação e têm sido alvo de inúmeros estudos1-8. Entretanto, como em qualquer outro exercício, se realizado de forma incorreta ou excessiva, o agachamento pode resultar em lesões no sistema musculoesquelético, sendo o principal fator, a magnitude da força patelofemoral, que contribui na degeneração da cartilagem da patela e superfície do fêmur, podendo resultar em patologias como, por exemplo, condromalácia patelar e osteoartrite2. O entendimento de como a força compressiva patelofemoral se comporta durante todo o movimento de agachamento é de fundamental importância para delinear a conduta de fisioterapeutas e professores de educação física ao prescreverem esse tipo de exercício.

É sabido que a magnitude da força patelofemoral é afetada pelo modo de como o exercício é realizado5 e que um aumento da flexão do joelho aumenta a força patelofemoral9,3-5,7. Em linha com esses achados, há um conceito difundido entre profissionais de saúde que, durante o agachamento, a posição do joelho não deve ultrapassar a posição da ponta do pé na direção ântero-posterior.

Apenas dois estudos na literatura investigaram especificamente essa questão. Com uma simulação computacional, Abelbeck1 calculou o torque hipotético de um homem (massa de 110kg) agachando em uma máquina para agachamento de movimento linear ("Smith machine") com carga de 100 kg. Sua análise foi bidimensional (somente no plano sagital) e estática (não incluiu os termos das acelerações nem a variação da força de reação do solo). Abelbeck1 encontrou que o pico de torque no joelho foi 50% maior quando a posição relativa do joelho variava (passando da linha do pé). Fry et al.6 realizaram um estudo em que os sujeitos realizaram o agachamento livre com a carga de um peso corporal. Essa análise também foi bidimensional e estática. Eles encontraram que o pico de torque no joelho foi cerca de 30% maior quando o joelho passava da ponta do pé. Embora ambos os estudos tenham gerado informações relevantes, uma determinação mais acurada (como uma análise dinâmica tridimensional) da articulação do joelho durante o agachamento é factível. Em adição, ainda é desconhecido como a força patelofemoral é afetada por esta questão. A determinação destas duas variáveis mecânicas permitirá um maior entendimento do efeito do posicionamento do joelho em relação ao pé sobre a carga mecânica no joelho, o que contribuirá para elucidar como o componente mecânico está associado à possível lesão no joelho em praticantes de agachamento.

Desse modo, o objetivo deste trabalho foi investigar o efeito do posicionamento do joelho em relação ao pé sobre o torque no joelho e a força patelofemoral durante o agachamento, utilizando uma análise dinâmica tridimensional do agachamento.

 

MATERIAIS E MÉTODOS

Participaram deste estudo dez indivíduos (sete homens e três mulheres) com experiência mínima de três anos em agachamento livre. Nenhum dos participantes realizava o agachamento com finalidade de competição, mas sim como parte de sua rotina de exercícios resistidos. O tempo médio em que esses indivíduos praticavam o movimento analisado foi de cinco anos (mínimo de três anos e máximo de dez anos). A estatura média (± um desvio-padrão) dos indivíduos foi de 171 ± 10 cm, massa média de 68 ± 12 kg e idade média de 25 ± 5 anos. Nenhum dos participantes reportou algum tipo de lesão nos membros inferiores e todos só realizaram o experimento após assinarem um termo de consentimento de acordo com o comitê de ética local da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (protocolo nº 42).

Os indivíduos realizaram o agachamento com carga em duas condições diferentes: a) joelho não ultrapassando a linha vertical que passa pelos dedos do pé (NU); b) joelho ultrapassando essa linha vertical (U). A carga para cada indivíduo foi ajustada para equivaler a 40% de sua massa corporal. A ordem de execução foi aleatória, de tal forma que metade dos indivíduos começaram com o agachamento NU (não ultrapassando) e a outra metade com o agachamento U (ultrapassando), sendo que, em cada condição, o indivíduo deveria realizar 15 agachamentos. A posição dos pés não foi imposta, portanto os sujeitos adotaram a posição mais confortável para eles. O ritmo de execução foi controlado por um metrônomo com freqüência de 40 batidas por minuto; cada batida delimitava os extremos do movimento (máxima flexão de joelho e máxima extensão do joelho quando o sujeito estava em pé). Todos os participantes reportaram que cansaço ou fadiga foi negligenciável.

Para a análise cinemática tridimensional do agachamento, foram utilizadas cinco câmeras digitais (quatro JVC 9800 e uma JVC DRV800U, JVC Inc.), todas com freqüência de aquisição de 60 Hz. Marcas retrorefletivas foram colocadas em proeminências anatômicas nas seguintes localizações do corpo10: espinhas ilíacas ântero-superior esquerda e direita e espinhas ilíacas póstero-superior esquerda e direita, trocânter maior, epicôndilo lateral do fêmur e epicôndilo medial do fêmur, ápice da cabeça da fíbula, tuberosidade da tíbia, ápice distal do maléolo lateral e ápice distal do maléolo medial, calcâneo, cabeça do quinto metatarso, cabeça do segundo metatarso, cabeça do primeiro metatarso do membro inferior direito e porção lateral direita do tronco, na altura do processo xifóide, durante a realização da tarefa. Para minimizar os erros de medição dos dados cinemáticos, utilizou-se a técnica de calibração do sistema anatômico (CAST) proposta por Cappozzo et al.10. Para tanto, utilizaram-se dois clusters, compostos por uma placa rígida com quatro marcas, fixados no segmento, um na perna e um na coxa.

Os participantes realizaram o agachamento sobre uma plataforma de força (AMTI DAS-6, AMTI) que mensurou as componentes de força e torque exercidos pelo sujeito no solo durante o movimento. Escamilla et al.4 mostraram que para adultos sem lesão e experientes no movimento, a análise é similar entre os membros, portanto, somente o membro direito do sujeito esteve em contato com a plataforma durante todo o período de coleta. Para aquisição dos dados da plataforma de força foi utilizado um computador com uma placa de aquisição de dados analógico/digital de 16 bits (PCI 6033, National Instruments) e freqüência de aquisição de 60 Hz.

A digitalização das marcas foi realizada no software APAS (Ariel Inc) e a reconstrução tridimensional foi feita utilizando o algoritmo de Transformação Linear Direta implementado em uma rotina computacional no ambiente Matlab (Mathworks Inc.). Para alisamento dos dados cinemáticos, splines quínticas foram ajustadas aos dados, utilizando a função 'spaps' da toolbox Spline do Matlab. Os dados da plataforma de força foram alisados por um filtro Butterworth de 4ª ordem, passa baixa com freqüência de corte de 20Hz.

Foi determinada a posição dos eixos e planos articulares (base anatômica) como descrito por Cappozzo et al.10 para que os torques e forças fossem representados nos eixos da própria articulação. As coordenadas do centro articular do quadril foram determinadas por otimização numérica e expressas a partir do sistema de coordenada da pélvis, de forma análoga a Piazza11, sendo utilizado o método proposto por Bell12 como estimativa inicial da otimização. O centro articular do joelho foi considerado como o ponto médio entre os epicôndilos do fêmur, e o centro articular do tornozelo como sendo o ponto médio entre o maléolo lateral e medial da tíbia.

Os torques e forças internas foram determinados por meio do método de dinâmica inversa que considerou a força gravitacional sobre a barra e sobre os segmentos, a força de reação do solo e as acelerações dos segmentos. Torques positivos indicam que o torque é extensor e torques negativos, flexor. As propriedades inerciais do segmento foram calculadas de acordo com os ajustes propostos por de Leva13 do modelo antropométrico de Zatsiorsky et al.14. O torque na articulação do quadril foi expresso na base anatômica do joelho e não na base anatômica do quadril, pois essa última base não foi reconstruída durante a tentativa dinâmica.

O braço de alavanca do músculo quadríceps (LM, em metros) em função do ângulo do joelho (a, em graus) foi dado pela equação abaixo (Eq. 1), a qual foi obtida por um ajuste dos dados do trabalho experimental de Van Eijden et al.15. O coeficiente de determinação desse ajuste foi R2 = 0,98 (p<0,0001).

Eq. 1

LM (a) = 7,69E - 8a3 – 1,25E - 5a2 + 2,70E - 4a + 4,58 - 2

Assim, a força do quadríceps (FQ) é determinada da seguinte forma:

Eq. 2

FQ = TEXT/FLEX/LM

Onde TEXT/FLEX é a componente extensora/flexora do torque no joelho.

Durante a variação articular do joelho, a patela realiza um movimento mais complexo que o de uma simples polia, fazendo com que a distância da patela ao centro articular do joelho não seja constante, variando a relação entre FQ (dada pela equação acima) e a força patelofemoral (FPF). Essa relação entre FQ e FPF pode ser determinada a partir de um ajuste dos dados do trabalho experimental de Van Eijden et al.15. A equação 3 representa a equação obtida a partir do ajuste daqueles dados. O coeficiente de determinação desse ajuste foi R2 = 0,98 (p< 0,0001).

Eq. 3

K(a) =
(1,33E - 8a4 2,96E - 6a3 + 1,37E - 4a2 + 8,07E - 3a + 1,55E - 4)

Assim, a FPF pode ser obtida por:

Eq. 4

FPF (a) = FQ(a) * K(a)

As forças estudadas (força do quadríceps e força patelofemoral) foram normalizadas pelo peso corporal do indivíduo (PC), enquanto que os torques (do tornozelo, joelho e quadril) foram normalizados pelo peso corporal vezes a estatura do sujeito (PC*Estatura).

Foi utilizado o teste-t pareado com nível de significância de 0,05 para identificar diferenças entre as condições NU e U, e as variáveis estudadas foram as seguintes: ângulo do tornozelo e joelho; posição relativa do joelho (PRJ), definida como a projeção no eixo horizontal do plano sagital do vetor, determinado pela posição da marca localizada no segundo metatarso menos a posição do centro articular do joelho; torque no tornozelo, joelho e quadril, FQ e FPF. Todas as variáveis citadas, com exceção da PRJ, foram estudadas no instante em que a força compressiva era máxima.

 

RESULTADOS

Todos os participantes conseguiram realizar a tarefa proposta já que a posição relativa do joelho (PRJ - a posição no plano sagital da marca localizada no segundo metatarso menos a posição no plano sagital do centro articular do joelho) foi diferente entre as condições (p< 0,001). Os participantes avançaram o joelho em média 11 ± 5 cm a mais na condição U quando comparado com a condição NU.

Na Figura 1 está representado o comportamento dos ângulos do tornozelo, joelho e tronco de um participante em ambas as condições, sendo que o valor zero corresponde à posição ereta (neutra) do indivíduo. O ângulo médio entre os participantes, no instante de máxima flexão do joelho, foi de 92 ± 15º na condição NU e 78 ± 18º na condição U (p< 0,001) para o ângulo do joelho e 54 ± 11º em NU e 70 ± 12º em U (p= 0,0011) para o ângulo do tronco. Já o ângulo do tornozelo médio entre os participantes foi de 87± 6º na condição NU e 81 ± 10º na condição U, sendo encontrada uma diferença significativa (p= 0,039) entre as duas condições.

 

 

Os picos de torques nas articulações do tornozelo, joelho e quadril foram diferentes entre as condições (respectivamente, p= 0,0016; p= 0,0011 e p= 0,046), apresentando os seguintes valores normalizados para as articulações do tornozelo, joelho e quadril respectivamente: 0,007 ± 0,027; 0,16 ± 0,02; 0,06 ± 0,03 em NU e 0,04 ± 0,04; 0,22 ± 0,05; 0,12 ± 0,06 na condição U. Na Figura 2 é possível observar o comportamento dos torques articulares médios de um sujeito. Valores negativos significam torques externos flexores e valores positivos significam torques externos extensores. Nota-se que o torque no tornozelo durante a condição NU se manteve próximo a zero e que, em U, esse torque se mostrou mais flexor plantar. O torque no joelho, em ambas as condições, se mostrou extensor em todo o tempo, assim como o torque no quadril.

 

 

Na Figura 3 está representado o comportamento da FPF de um indivíduo em ambas as condições. A FPF mostra um padrão semelhante ao encontrado para a FQ e na condição U a FPF foi maior que na condição NU.

 

 

A força compressiva também foi normalizada pelo peso do indivíduo, sendo que, nesse caso, a força compressiva foi em média 28 ± 27% maior na condição U (p= 0,01), sendo 12 ± 3 PC em NU e 15 ± 3 PC em U.

 

DISCUSSÃO

Nossos resultados mostram que as duas formas de agachamento quanto à posição relativa do joelho apresentam padrões cinemáticos e cinéticos distintos nas três articulações do membro inferior e não somente na articulação do joelho. Para que os participantes realizassem o agachamento passando o joelho da linha horizontal do pé, a técnica de execução teve que ser alterada, como visto na variação dos ângulos articulares do joelho e tronco. Na condição U (onde o indivíduo ultrapassa o joelho da linha do pé) o ângulo do joelho foi menor, enquanto que o participante inclinou menos o tronco à frente para manter a projeção do centro de massa dentro da base de suporte. Na condição NU, em que o ângulo do joelho foi maior, o quadril do sujeito teve que se manter mais para trás para que o joelho não passasse a linha horizontal da ponta do pé. Para evitar a queda para trás, o participante inclinava seu tronco à frente, mantendo assim a projeção vertical do centro de massa dentro da base de suporte dos pés, o que promovia o equilíbrio do participante durante o movimento.

Forças patelofemorais (FPF) excessivas podem contribuir para lesões no joelho como condromalácia e osteoartrite5. A FPF foi maior (cerca de 49 ± 34%) na condição U que na condição NU, indicando uma maior carga mecânica na articulação patelofemoral quando o joelho passa da linha vertical do pé.

Não é possível uma comparação direta com os estudos de Fry6 e de Abelbeck1 pelas diferenças metodológicas e por esses não terem determinado a FPF. Porém, é possível comparar os aumentos relativos do pico de torque no joelho entre esses estudos. Abelbeck1 reportou um aumento de 66% e Fry6 de 30%, no pico de torque no joelho, enquanto que, no presente estudo, foi encontrado um aumento médio de 38 ± 31%.

Não passar o joelho da linha do pé diminui a força de compressão patelofemoral, podendo assim levar a uma menor solicitação mecânica dessa articulação. O torque no quadril também aumentou durante a condição em que o joelho ultrapassa o tornozelo, o que, de forma análoga, pode levar a uma maior sobrecarga lombar nesta condição.

Dessa forma, sendo a força patelofemoral maior na condição em que o joelho ultrapassa o tornozelo e que, nessa condição, parece ocorrer um maior torque na articulação do quadril, realizar o agachamento livre, com barra passando o joelho da linha do pé, não parece ser o modo mais seguro de execução desse movimento. Por outro lado, passar o joelho, ao executar o agachamento, poderia ser justificado pelo aumento da solicitação da musculatura do quadríceps durante a execução desse movimento. Porém, para esse fim, é recomendável então aumentar a carga levantada em vez de passar o joelho da linha do pé.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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4. Escamilla RF, Fleisig GS, Zheng N, Barrentine SW, Wilk KE, Andrews JR. Biomechanics of the knee during closed kinetic chain and open kinetic chain exercises. Med Sci Sports Exerc. 1998;30:556-69.         [ Links ]

5. Escamilla RF, Fleisig GS, Zheng N, Lander JE, Barrentine SW, Andrews JR, et al. Effects of technique variations on knee biomechanics during the squat and leg press. Med Sci Sports Exerc. 2001;33:1552-66.         [ Links ]

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13. Leva P. Adjustments to Zatsiorsky-Seluyanov's segment inertia parameters. J Biomech. 1996;29:1223-30.         [ Links ]

14. Zatsiorsky MV, Seluyanov VN, Chugunova L. In vivo body segment inertial parameters determination using a gamma-scanner method. In: Berme N, Cappozzo A, editores. Biomechanics of human movement: Aplications in rehabilitation, sports and ergonomics. Worthington: Corporation; 1990. Autores: falta página inicial e final do capítulo.         [ Links ]

15. van Eijden TM, Weijs WA, Kouwenhoven E, Verburg J. Forces acting on the patella during maximal voluntary contraction of the quadriceps femoris muscle at different knee flexion/extension angles. Acta Anat (Basel). 1987;129:310-4.        [ Links ]

Fonte
08:16:00

A flexibilidade como método de treinamento desportivo


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Conceito de flexibilidade

Segundo Alter (1996) a flexibilidade e uma característica mecânica responsável pela amplitude do movimento de uma determinada articulação ou mais articulações. Que esta é a capacidade de um atleta executar movimentos de grande amplitude, ou sob forças externas, ou ainda que requeiram a movimentação de muitas articulações.

Para Ceas (1987) a flexibilidade e um elemento de aptidão funcional. Nas atividades da vida diária (AVD) e no treinamento desportivo, constantemente precisamos realizar movimentos que exigem menores ou maiores graus de amplitude. E também como a amplitude máxima fisiológica passiva, em um dado movimento

Aulas de Treinamento Físico 

"Qualidade física responsável pela execução voluntária de um movimento de amplitude angular máxima, por uma articulação ou conjunto de articulações, dentro dos limites morfológicos, sem o risco de provocar lesão." (Dantas, 1998, p. 33).

Para o mesmo autor, pensar em flexibilidade é, portanto, se citar aos maiores arcos de movimentos prováveis nas articulações envolvidas. Como a metodologia desportiva determina o emprego completo dos arcos articulares especificamente envolvidos nos sinais desportivos, permanece muito complexo, se não impossível, a performance de alto rendimento sem se dispor de um bom grau de flexibilidade nos segmentos musculares empenhados.

Revisão

Barbanti (1997), afirma quanto mais elevada for a exigência de performance, mais atenção deve ser dada à flexibilidade. Da ênfase que isto não expressa obter o máximo aceitável de mobilidade. A flexibilidade, ao oposto de todas as outras diferentes qualidades físicas, não é melhor quanto maior forem os seus níveis. Existe um grau ótimo de flexibilidade para todo indivíduo, no desempenho das exigências que a prática exercerá sobre o aparelho locomotor e a composição dos seus componentes (ligamentos, articulações, músculos e outras estruturas envolvidas).

Hotl (1975) ressalta que um bom nível correspondente de flexibilidade pode ajudar a gerar a descontração muscular. Tubino (1980) afirma que com o aumento do metabolismo nos músculos, nos tecidos conectivos e estruturas articulares, também podem colaborar para prevenir lesões, além de promover a prática das atividades da vida diária. 

Acesse o blog da Educação Física

Segundo Corbin (1984) o nível de flexibilidade de um indivíduo e determinada por vários fatores são: a idade; o gênero; a temperatura muscular, dos tendões e estrutura articulares; o estado de alongamento e relaxamento muscular; o treinamento; a concentração de liquido ou outros materiais nos tecidos musculares, tendões e cartilagens; a superfície articular e a força muscular.

Segundo Achour (1997) a flexibilidade pode ser classificada em:

Passiva quando o aumento da amplitude de movimento de uma ou mais articulações é feito sem a aplicação de forças internas do indivíduo e manifesta-se quando o praticante coloca-se em uma determinada postura corporal, agem sobre ao aparelho ósteoarticular e muscular no sentido de aumentar a amplitude da movimentação articular


Ativa ocorre pela aplicação de forças internas do praticante e manifesta-se quando o indivíduo contrai o músculo agonista e relaxa os antagonistas (alongando-os), provocando a maior amplitude de movimentação articular.


Mista amplitude do movimento articular e alcançada pela ação voluntária (forças internas) de contração dos músculos agonistas e relaxamento dos antagonistas, somado de força externa.

Achour Jr. (1996 p.103) sobre o assunto ressalta que: "A flexibilidade é importante para o atleta melhorar a qualidade do movimento, para realizar habilidades atléticas com grandes amplitudes de movimento e reduzir os riscos de lesões músculo-articulares". Por se tratar de uma componente do treinamento desportivo, que requer realização de exercícios ao qual chegam a alcançar seu limite submáximo para aumentara a flexibilidade é, geralmente, baseada na idéia de que ele pode diminuir a incidência, a intensidade ou a duração da lesão músculo tendinosa e articular.

Segundo Anderson (1983) uma extensibilidade articular mínima parece ser vantajoso em alguns esportes e atividades para prevenir a distensão muscular. Em outras palavras, parece ser uma amplitude de flexibilidade ideal ou favorável que irá prevenir a lesão quando os músculos e articulações forem super alongados acidentalmente.

Para Gobbi et al. (2005) a avaliação se dar de forma planejada e organizada ou seja é uma das etapas sistematizadas do planejamento e como nossos movimentos angulares são todos angulares, o mais apropriado seria medi-los em graus, sendo que essa medição envolve utilização de aparelhos como o goniômetro, o flexímetro ou flexômetro.

O autor afirma que o goniômetro é um instrumento com duas hastes unidas por uma de sua extremidade ao centro de um transferidor; uma delas é livre para girar e outra fixa no centro. Segundo Leighton (1955) em relação ao flexômetro, ele afirma que é um aparelho que mede a flexibilidade em graus, o qual é composto por um cilindro metálico, dentro do qual há duas partes móveis.

Segundo Achour Júnior (1997), o flexímetro é um instrumento desenvolvido no Brasil que obedece aos mesmos parâmetros do flexômetro, possibilitando a avaliação de 9 articulações e 32 ações articulares. O autor ainda afirma que o teste mais utilizado para medir a flexibilidade é o teste de sentar e alcançar, o qual não pode ser confundido com a medida geral de seus praticantes, mais se deve levar em consideração a flexibilidade altamente específica.

Para Zanella (2009) quando o princípio da especificidade é obedecido num programa de condicionamento físico, isto é, são incorporados exercícios específicos de flexibilidade, a melhoria é relativamente rápida e independentemente da idade do praticante. Gobbi et al. (2005) afirma que adolescente de 15 anos de idade, que foram submetidos a exercícios específicos de flexibilidade durante 2 meses com 3 sessões semanais, em dias alternados, avaliados por meio de alcançar sentado, que esses indivíduos obtiveram aumento próximo de 5 cm de sua flexibilidade.

Segundo para que aconteça o desenvolvimento da flexibilidade é necessária a participação em programas de atividade física, pois o nível de condicionamento físico é um dos fatores intervenientes do nível de flexibilidade e esta direta e positivamente correlacionado com maior amplitude de movimento.

Santos et al (1999), afirma que os níveis de flexibilidade são atingidos quando se é trabalhado de forma específica e não generalizada, pois se forem trabalhados de forma generalizada a melhoria da flexibilidade é muito pequena podendo ser inexistente.

O investigador ainda afirma que através de estudos que ao comparar as mulheres idosas que participavam de um programa de atividades físicas generalizadas que não incluíam exercícios específicos de flexibilidade, com outras de idade semelhante que só praticavam caminhadas regularmente, foi verificado que não havia diferença significativa de flexibilidade entre os grupos.

O autor ainda afirma que a amplitude dos movimentos destinados a melhorar a flexibilidade dever ser máxima e diagnosticada de maneira simple pelo o inicio de maneira de dor, onde dado essa alta intensidade o aquecimento prévio das estruturas musculares e articulares envolvidas nos exercícios é obrigatório, pois contribuir para aumentar a amplitude de movimento e da temperatura daquelas estruturas.

Conclusão

Podemos concluir portanto que a flexibilidade pode e deve ser treinada por atletas em todas as modalidades desportivas.

Existem algumas modalidades no entanto como a ginástica rítmica e a ginástica olímpica que necessitam mais deste componente (flexibilidade) do que outros desportos pois sua utilização exerce grande influência no decorrer do desenvolvimento da modalidade e no decorrer do desenvolvimento do atleta.

A flexibilidade deve ser encarada como uma forma de preparação harmoniosa do corpo devendo ser incluída nos programas de treinamento desportivo de todos os atletas, embora não seja considerada como importante ou prioritária, pois para muitos profissionais ela é tida como componente secundário do treinamento desportivo.

Referências


ACHOUR Jr., Abdallah. Bases para exercícios de alongamento. Relacionado com a saúde e no desempenho atlético. Londrina: Midiograf, 1996.


ACHOUR JUNIOR, A. Avaliando a flexibilidade: manual de instruções. Londrina: Midiograf, 1997. 84p.


ALTER, Michael J. Science of stretching. 2nd. ed. Campaign: Human Kinetics, 1996.


BARBANTI, V. J. Teoria e prática do treinamento esportivo. 2. Ed. São Paulo: Edgard Blucher, 1997. 214p.


CEAS, Benard et alli (1987). Ginástica aeróbica e alongamento. São Paulo, Manole.


CORBIN, C. (1984) – flexibility. In: Clinical Sports Medicine. Jan, 3(1):101-17.


DANTAS, Estélio H. M. Flexibilidade, alongamento e flexionamento. 4a ed. Rio de Janeiro: Shape, 1998.


GOBBI, Sebastião; VILLAR, Rodrigo e ZAGO, Andenson Saranz. Educação Física no Ensino superior. Bases teóricas e praticas do condicionamento físico. Rio de Janeiro: Guanabara. Koogan, 2005.


HOLT, L. E. Scientific Stretching for Sport (3s). Halifax: Dalkosie University, 1975.


ZANELLA A. A. L.; FILHO. M. L. M.; SILVA P. C.; MATOS D. G.; JÚNIOR R .L. P.; CARIAS. J.C.C. N.; VENTURINI G.R.O. Comparação das respostas hemodinâmica entre exercícios contra resistência e cardiorrespiratório para indivíduos hipertensos. EFDeportes,com, Revista Digital. Buenos Aires, Nº 140, 2009. http://www.efdeportes.com/efd140/respostas-hemodinamicas-entre-os-exercicios.htm

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

08:01:00

Hidroterapia na reabilitação esportiva


A Fisioterapia Aquática (Hidroterapia) auxilia na reabilitação de inúmeras patologias. O fisioterapeuta, por meio de técnicas associadas às propriedades físicas da água, principalmente a pressão hidrostática, flutuação, viscosidade e aos efeitos do calor, utiliza a água aquecida para proporcionar aos pacientes efeitos fisiológicos que surgem imediatamente após a imersão.

Esta forma de terapia possibilita aos pacientes a realização de exercícios com mais facilidade que em terra. Isso ocorre porque, submerso em água, o peso do paciente fica reduzido.

Na reabilitação desportiva também se tem observado a importância da hidroterapia, pois o atleta lesionado pode realizar precocemente, e de forma segura, as atividades físicas, possibilitando a simulação do gesto desportivo, prevenindo o estresse no sistema musculoesquelético, diminuindo a incidência de lesões por sobrecarga e acelerando o retorno à prática esportiva de maneira satisfatória. As principais indicações são das áreas de ortopedia e traumatologia e medicina esportiva.

Dentre os principais benefícios da Hidroterapia, estão:

• Alivia a dor e os espasmos musculares;
• Melhora a circulação sanguínea;
• Aperfeiçoa o equilíbrio corporal e a coordenação motora;
• Favorece o aumento das amplitudes de movimento, direta e indiretamente;
• Promove o relaxamento muscular e emocional;
• Diminui os edemas (inchaços), favorecendo o retorno venoso;
• Estimula o trabalho respiratório, melhorando a capacidade pulmonar;
• Facilita o treinamento muscular e o condicionamento cardiovascular;
• Facilita a execução de movimentos que são difíceis de serem realizadas no solo;
• Nos casos de lesões com restrições de descarga de peso corporal no solo, facilita a movimentação sem que haja descarga total ou parcial do peso corporal.

Por Vanessa Moreira, fisioterapeuta (Crefito 3-38210).

terça-feira, 13 de novembro de 2012

18:40:00

A resistência e potência muscular


 A maior massa de tecido humano está presente no músculo esquelético. O envelhecimento traz uma diminuição pausada e progressiva da massa muscular, resultando que o tecido nobre seja gradativamente substituído por colágeno e gordura.


A perda pode ser demonstrada a partir:


- Excreção da creatinina urinária

- Tomografia Computadorizada onde se nota a partir dos 30 anos a diminuição da secção transversal dos músculos, ocorrendo a menor densidade muscular e maior conteúdo intramuscular.

- Uma perda gradativa e seletiva das fibras esqueléticas a partir da atrofia muscular.


O número de fibras musculares do idoso são 20% menor do que no adulto, adultos sedentários ao chegar aos 80 anos apresentam um declínio para menos de 30% das fibras. A atividade física é uma ferramenta para equilibrar o desempenho das alterações metabólicas que o organismo presencia com o passar dos anos.


O organismo adapta-se ao aumento da intensidade de exercícios pelo uso das fibras.


O adulto apresenta o músculo esquelético constituído por quantidades iguais de fibras.


As fibras de: contração lenta (tipo I) e de contração rápida (tipo II) que possuem subdivisões.


- Fibra Contração lenta (tipo I): Apresentam um maior número de mitocôndrias e são residentes á fadiga.

- Fibra de Contração rápida (tipo II): Apresentam características contráteis rápidas e são dotadas das mesmas características da contração lenta. Seu potencial está no metabolismo anaeróbico.


Conhecer as características das fibras auxilia o desempenho atlético permitindo uma maior qualidade de vida e resistência nos treinos.


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

16:00:00

Treinamento físico no calor


Treinamento físico no calor - Imagem 1

O exercício físico regular traz vários benefícios à saúde. Contudo, condições de calor e umidade excessivas podem trazer um grande desafio à capacidade do corpo em resistir a tais situações. Nestes casos, o desempenho fica significativamente reduzido e aumentam os riscos de desidratação.


O corredor pode realizar a sua atividade física de forma mais segura ao reduzir o tempo, o esforço e a intensidade da prática esportiva, realizando também pausas mais longas e frequentes.

Durante uma corrida, os músculos produzem grande quantidade de calor, que deve ser dissipado para o ambiente, ou então ocorrerá um aumento da temperatura central. Como a produção de calor pelos músculos é proporcional à taxa de trabalho, o exercício de alta intensidade e de moderada duração (5 km a 10 Km) e atividades prolongadas (maratonas) apresentam um maior risco.

Importância do suor

A sudorese é uma resposta fisiológica que tem por finalidade limitar o aumento da temperatura central através da secreção de água na pele para a evaporação. Mas esta perda de líquido nem sempre é compensada pela ingestão de líquidos e a regulação da temperatura.

Quando o corredor treina em um ambiente muito quente e úmido (umidade relativa do ar acima de 80%), a sua evaporação fica prejudicada, pois seu suor competirá com a elevada umidade do ar no processo de evaporação e retirada do calor do organismo. Ambientes muito secos também são prejudiciais, pois, entre outros prejuízos, podem causar sangramento das narinas.

Aclimatação

Um grande número de países da América Latina está localizado na região tropical. Embora a altitude possa fazer uma diferença considerável (por exemplo a Cidade do México e Bogotá são cidades mais frias), os trópicos são considerados por apresentar temperatura alta e umidade relativamente constante na maior parte do ano.

Valores acima de 28 Cº são muito comuns, especialmente nas cidades que se localizam ao nível do mar. Existe uma evidência preliminar que indica que os habitantes das regiões tropicais têm uma tolerância maior à ambientes quentes e úmidos, possivelmente devido aos seus níveis de aclimatação crônica ao calor. Mas até mais dados sobre o tema serem publicados, os cuidados devem continuar sendo tomados.

A aclimatação ao calor é um conjunto de adaptações fisiológicas que permite ao corredor suportar um estresse maior ao calor ambiental. Elas incluem um aumento na capacidade de sudorese, um suor mais diluído e uma habilidade aumentada de sustentar uma taxa de sudorese alta durante exercícios prolongados. Todas essas adaptações ajudam a minimizar o acúmulo de calor, permitindo um tempo de performance mais prolongado e uma diminuição do risco de doenças provocadas pelo calor.

No início do processo de aclimatação, a duração e a intensidade das sessões de exercícios devem ser menores que o usual. A duração e a intensidade devem ser elevadas gradualmente a cada dia a medida que a tolerância ao calor melhora.

Adaptações significativas ocorrem dentro dos primeiros sete a 14 dias de exposição ao calor. A frequência deve ser entre três a cinco dias por semana, com uma duração de sessão entre 20 a 60 minutos, em intensidade de exercício de 55 a 80% da frequência cardíaca máxima.

Levando-se em consideração esses aspectos citados anteriormente, o corredor poderá usufruir de uma maneira adequada, correta e segura dos benefícios intrínsecos a prática regular de corridas, além de preservar e proteger a sua saúde.

Professort Newton Nunes – www.areadetreino.com.br
Professor pelo Instituto do Coração de SP desde 1994.
Especialista em Reabilitação Cardiovascular pelo InCor.
Mestrado e Doutorado em Educação Física na USP.

Bons treinos.
Equipe Musculação Total.


sexta-feira, 9 de novembro de 2012

09:11:00

Artigo: Efeito da recuperação na máxima fase estável de lactato sanguíneo.


Resumo

O objetivo deste estudo foi comparar a potência correspondente à máxima fase estável de lactato sanguíneo determinada de forma contínua (MLSSC) e intermitente com recuperação ativa (MLSSI). Dez ciclistas treinados do sexo masculino (25 ± 4 anos; 72,5 ± 10,6 kg e 178,5 ± 4,0 cm), realizaram os seguintes testes, em um cicloergômetro: 1) incremental até a exaustão voluntária para a determinação da potência máxima (Pmax); 2) dois a cinco testes submáximos de carga constante para determinar a MLSSC, e; 3) dois a três testes submáximos de carga constante, consistindo de oito repetições de quatro minutos, com dois minutos de recuperação a 50% Pmax para determinar a MLSSI. A MLSSC (273,2 ± 21,4 W) foi significantemente menor do que a MLSSI (300,5 ± 23,9 W). Com base nestes resultados, verifica-se que o modelo de exercício intervalado utilizado permite um aumento de aproximadamente 10% na intensidade correspondente à MLSS.

Texto completo: PDF

Autores:

Mariana Rosada de Souza, Luis Fabiano Barbosa, Renato Aparecido Corrêa Caritá, Benedito Sérgio Denadai, Camila Coelho Greco

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

18:09:00

A importância do descanso no Futebol

 
Esse tema surgiu em uma discussão no Twitter. A pessoa que me perguntou, disse que não entendia porque jogador de futebol reclama que tem que jogar de três em três dias enquanto maratonista corria uma maratona nesse mesmo intervalo. Embora eu tenha pedido pra ele ler sobre sistema energético para poder entender o porque o descanso (e no caso do futebol preconiza-se 72 h) é tão primordial para a recuperação dos atletas de futebol. Se você quiser se aprofundar mais sobre o assunto, vai ter que ler sobre Ciclo de Krebs, ATP,  sistema anaeróbio alático, sistema anaeróbio lático, glicólise e a fosforilação oxidativa. Mas vamos a um resumo para se entender o porque a fadiga tem que ser evitada a todo custo para a boa performace do jogador de futebol profissional.

ATP-CP ou Fosfagênio - Energia imediata

Após a depleção do ATP o fornecimento de energia será atendido pelo sistema anaeróbico alático (sem acúmulo de ácido lático, inibidor da contração muscular), utilizando a CP (creatina fosfato) para a ressíntese do ATP. A CP é semelhante ao ATP por também possuir uma ligação de alta energia no grupo fosfato, representando a fonte de energia mais rápida a ser usada pela musculatura, por não depender de muitas reações químicas. A depleção dos estoques intramusculares de Fosfagênio ocorrerá após aproximadamente 10 segundos de exercício extenuante (> 100% do VO2 máx). Este sistema energético predomina em modalidades como 100 m rasos e piques no futebol.
Cada quilograma de músculo esquelético contém de 3 a 8 mmol de ATP e quatro a cinco vezes mais de CP. (Mcardle, Katch F. e Katck V.)

Glicólise Anaeróbia (Ácido Lático)- Energia a curto prazo

A depleção do Fosfagênio fará com que se faça o uso do sistema anaeróbio lático (com acúmulo de ácido lático), para a ressíntese do ATP. A Glicólise Anaeróbia provoca a quebra incompleta do carboidrato em glicose, podendo ser usado desta forma imediatamente ou armazenado no músculo e no fígado como glicogênio, para uso subseqüente. Quanto maior for a quantidade de glicogênio estocado, maior será a capacidade de resistir a exercícios de alta intensidade. O acúmulo de ácido lático causará a fadiga muscular, sendo necessário a utilização de oxigênio para fazer a remoção do lactato sanguíneo e conseqüente redução da intensidade do exercício. O fornecimento de energia através da Glicólise anaeróbia cessará após cerca de 1,5 ou 2 minutos de esforço intenso (entre 85 a 100% do VO2 máx.). O sistema glicolítico predomina em modalidades como 400m rasos no atletismo e 100m na natação.

Sistema Aeróbio - Energia a longo prazo

Com o fim da utilização predominante do metabolismo glicolítico (anaeróbio) - que acontece pelo acúmulo de ácido lático e não apenas pela depleção de carboidratos (glicogênio) - só o sistema aeróbio (dependente de O²) será capaz de fornecer o ATP necessário para exercícios de longa duração, já que o ácido lático sanguíneo não alcança níveis muito altos em ritmo estável (steady-state).
A partir dos 20 ou 30 minutos de exercício contínuo, o fornecimento de energia passa a ser feito também pelos ácidos graxos (gordura), começando então a queima de gordura propriamente dita. Essa demora é devida ao grande número de reações químicas que ocorrem durante o exercício aeróbio.

O ATP-CP e a Glicólise anaeróbia também participam no exercício de longa duração, porém só no início do exercício, onde se contrai um débito de oxigênio, antes de se alcançar um novo steady-state. Ao se elevar a intensidade do exercício, os fosfatos de alta energia e a glicólise anaeróbica entram em ação novamente. Os sprints dos maratonistas de elite no fim das provas explicam a reutilização do sistema glicolítico.

Em casos extremos de provas de resistência (dias de corrida), as proteínas podem exercer papel significativo na produção de energia, mas precisam primeiro ser transformadas em aminoácidos para serem absorvidas mais facilmente pelo organismo.

O futebol não é uma atividade que mantenha o corpo do atleta o tempo todo num mesmo sistema energético o tempo todo, diferente de uma maratona, que o aqtleta mantém quase o mesmo ritmo durante o tempo todo. Os piques, as corridas mais longas ou as mais curtas, utiliza os diferentes sistemas energéticos. O atleta de futebol está sempre querendo ultrapassar os limites pré estabelecidos pelo corpo e faz com que os sistemas energéticos trabalhem sempre acima do limite.

A fadiga está diretamente relacionada a um desajuste entre a velocidade em que o músculo utiliza a ATP e a velocidade com que ela pode ser suprida. Nem todo pique que um jogador de futebol dá, tem energia suficiente. Os mecanismos de fadiga muscular reduzem a velocidade de utilização de ATP mais rapidamente que a velocidade de geração de ATP para preservar a concentração de ATP e a homeostasia celular. Em si, a fadiga é simplesmente uma incapacidade de manutenção de produção de potência ou de força durante contrações musculares repetidas.O exercício de alta intensidade e de curta duração ou o exercício sub-máximo prolongado podem acarretar o declínio da produção de força muscular. Essa diminuição de produção de força muscular é conhecida como fadiga. Especificamente, a fadiga muscular é conhecida como redução da produção da força máxima do músculo e caracterizada pela capacidade reduzida de realizar um determinado trabalho muscular. A causa da fadiga muscular varia e depende do tipo de exercício realizado. Sabe-se ainda que a fadiga muscular será menor em indivíduos altamente treinados, devido a adaptação muscular, que favorece melhores rendimentos, mas também porque o processo de treinamento físico melhora as funções musculares. Desta maneira, ocorrerá uma diminuição na tendência do indivíduo em desenvolver a fadiga.



É por isso que há toda uma preocupação com treinos regenerativos. Quanto melhor for feita essa regenração, mais rápido o jogador estará pronto para a próxima partida. Se não for um trabalho bem feito, haverá uma tendência a ter lesões musculares, articulares e cansaço cada vez mais frequente.

Esse artigo não tem a intenção de dar uma aula de fisiologia do exercício e sei que tem muitos "poréns", inclusive se for falar de desequilibrios celulares que podem provocar e acelerar o processo de fadiga mascular.

Para quem quiser se aprofundar no assunto, estude sobre a formação da fadiga muscular e como os sistemas energéticos podem atuar no desequilibrio celular.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

08:36:00

Como treinar o salto no basquete



Aprender a saltar mais alto no basquete poderia ser a única coisa que o coloca acima de tudo sua concorrência. Por que ir ao tribunal todos os dias e praticar suas habilidades se você não está indo para colocar em algum tempo melhorar o seu salto vertical?

Muitos caras pensam que se jogar basquete todos os dias eles vão naturalmente aprender a saltar mais alto. Isto é verdade para grau leve e vai ajudar a sua capacidade de saltar um pouco. Mas para realmente separar-se de outros jogadores que você precisa seguir um programa bem organizado de salto. Antes que você vá tornar-se um programa de salto deixe-me dar algumas dicas sobre como criar a melhor possível.

Jumping é uma combinação de velocidade e força nas pernas, por isso você precisa se certificar de que a sua formação hits ambas as áreas, da mesma forma.

Primeiro você precisa perceber o que está impedindo o salto maior agora. Você tem as pernas muito forte, mas a falta de velocidade ou o contrário? Talvez suas pernas são fracas em ambas as áreas. De qualquer forma, você pode superar esta treinando as pernas adequadamente.

Como você sabe se seus pés estão faltando a força necessária?

A fim de determinar a sua força na perna, você precisa fazer alguns agachamentos. Se você não tiver feito agachamento antes por favor tem alguém analisar o formulário para que você não se machucar. Coloque o seu peso sobre a barra e agachamento é 6 vezes em 6 segundos. Isso deve ser muito fácil de fazer e se não for, você está faltando força nas pernas e precisa se concentrar principalmente na força do pé um pouco antes de fazer o treinamento do salto. Você quer ser capaz de agachamento 1,5 vezes o seu peso 6 vezes em 6 segundos.

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