quinta-feira, 27 de junho de 2013

12:12:00

Treinamento físico para surfistas


Por Rodrigo Lacerda

Quando pensamos em treinamento para um esporte é senso comum achar que o treinamento para esse esporte é somente a prática em si, porém uma preparação completa vai muito alem de surfar diariamente. O surfista deve estar submetido a uma rotina que envolve tanto treinos na água quanto fora da água. Um treinamento completo deve abranger quatro propriedades de treino: físico, técnico, tático e psicológico. É importante lembrar que se uma dessas propriedades não for bem treinada pode comprometer o desempenho geral do atleta.

São muitos os casos de surfista talentosos que não despontaram no esporte devido à falta de uma preparação psicológica para suportar o estresse de uma competição, ou ainda há casos de atletas que se beneficiam mais por usar uma boa tática de competição. Nesse artigo iremos abordar a importância desses quatro aspectos, buscando resumidamente explicar a importância de cada um para a conquista de um bom desempenho e bons resultados.

Treino físico

A preparação física visa dar ao atleta uma condição física ideal para o esporte em questão. Primeiramente fazem-se necessário conhecer as especificidades de cada esporte, visando identificar os sistemas metabólicos solicitados assim como as qualidades físicas mais importantes. No surf tanto o metabolismo aeróbio quanto o anaeróbio devem ser treinados. Enquanto o primeiro visa dar resistência para longas remadas, o segundo prepara o surfista para os momentos de remadas rápidas e fortes, como por exemplo, para entrar em uma onda. Uma boa alternativa para treinar esses sistemas é a natação. (Dicas sobre como montar um treino na piscina pode ser conferido no artigo “Natação

Outro aspecto importante é uma boa analise biomecânica, visando identificar os principais grupos musculares envolvidos e a maneira como esses músculos são solicitados. No surf sabemos que os músculos superiores (troncos e braços) trabalham mais em resistência de força, e os inferiores trabalham mais em potência. Esses aspectos devem ser levados em conta na montagem de um treino com pesos (musculação) voltado para o surf.

Não devemos esquecer-nos de treinar flexibilidade, equilíbrio dinâmico, coordenação e agilidade. Exercícios de yoga, pilates, treinos proprioceptivos tem sido muito utilizados no desenvolvimento dessas aptidões.
Treino técnico
Essa parte envolve todos os procedimentos usados para o aprendizado e/ou o aperfeiçoamento de uma tarefa motora, que no caso do surf são as manobras.

A técnica tem diferentes significados de acordo coma modalidade específica. No surf a técnica é um fator decisivo no desempenho do atleta já que nesse esporte o atleta é avaliado pela qualidade técnica do seu surf, ou seja, pela qualidade das manobras executadas na onda. O ideal é que o surfista combine em uma manobra força, velocidade e fluidez. Nesse sentido é necessário que todos os aspectos físicos estejam treinados para não prejudicar aspectos técnicos.

Uma boa maneira de aperfeiçoar aspectos técnicos é através da análise das imagens colhidas em seções de treinos no mar. Assistindo e analisando as imagens é possível identificar as manobras que precisam ser lapidadas.

Treino tático

Tática pode ser definida como a capacidade de desempenho individual em oposição a um adversário. No surf a tática está relacionada com o posicionamento dentro da água, ou seja, a escolha do melhor pico para se posicionar na bateria, nesse sentido é necessária uma boa leitura das condições do mar: identificar o tempo entre as séries, a melhor bancada e a melhor estratégia para cada situação de bateria.

A tática também está relacionada com a “marcação”. O surfista deve adquiri um comportamento ideal visando saber o momento correto de marcar seu adversário e ainda a maneira mais adequada de fugir da marcação. Muitas vezes a marcação faz a diferença na bateria principalmente nas baterias de dois atletas (homem a homem) em que a regra da prioridade é um fator decisivo.

Treino Psicológico

Essa parte do treinamento visa dar suporte mental ao atleta, buscando fazer com que o atleta tenha condições de lidar com as emoções que se fazem presentes em competições. Expectativa, o medo de fracassar, frustração são algumas emoções que podem acabar com a carreira de um surfista profissional. Assim mesmo que o componente físico, técnico e tático tenha sido bem treinado, sem um bom aparato psicológico todo o resto do treinamento pode ser prejudicado.

Então se o surfista realmente almeja obter bons resultados tornar-se um atleta bem sucedido é necessário seguir um treinamento completo, pois muitos surfistas tem talento porém poucos são os que conseguem unir talento, esforço e determinação, visando realizar o sonho de ser um surfista profissional, fazendo o que gosta e ainda ganhando para isso.

Aloha e bons treinos!
www.ondulacao.com.br

quinta-feira, 20 de junho de 2013

12:11:00

Caimbras no Esporte


Apesar de existirem muitas razões para que uma cãibra apareça, alguns pontos nutricionais são muito importantes. Uma cãibra forte é capaz de tirar um atleta da competição ou um praticante da academia, em ambos os casos, há o transtorno e o prejuízo. Por ser algo que incapacita o atleta, técnicos e jogadores temem muito sua incidência, afinal, você já deve ter visto em alguma competição esportiva, principalmente o futebol, atletas desabarem repentinamente no campo e logo depois vem a informação de que o mesmo está com cãibras.

Caracterizada pela contração dolorosa e involuntária dos músculos, a cãibra é um problema comum que apesar de não sinalizar doença grave, funciona como um termômetro que mede o equilíbrio de água e nutrientes do nosso organismo.

A principal causa das cãibras é a perda excessiva de líquidos e sódio. O sódio é um mineral importante para a transmissão dos sinais nervosos e ações que levam aos movimentos dos músculos e a falta desse elemento, juntamente com a falta de líquidos, pode tornar os músculos mais sensíveis.

Por muitos anos, as pessoas atribuíram cãibras à falta de potássio ou magnésio no corpo, porém, pesquisas mostram que esses minerais são menos importantes na situação. As quantidades de potássio e magnésio que se perdem no suor são baixas quando comparadas ao sódio e cloreto.

Outras causas de cãibras: diabetes, problemas vasculares, uso da creatina, doenças neurológicas, etc.

COMO PREVENIR?

- Manter-se bem hidratado durante todo o dia com água mineral, água de côco e suco de frutas;

- Beber muitos líquidos antes, durante e após o exercício, principalmente;

- Repôr sódio durante os intervalos de exercícios pesados com transpiração abundante. Utilizar uma bebida esportiva;

- Assegurar uma recuperação adequada com descanso, boa hidratação e boa alimentação (incluir comidas salgadas nesse período);

- Evitar o uso de alimentos e/ou medicamentos diuréticos, para minimizar a perda de água corporal.

REFERÊNCIAS:

HORSWILL CA. Cãibras musculares: causas e tratamentos. Gatorade Sports Science Institute.

MAUGHAN, Ron, GLEESON, Michael, GREENHAFF, Paul. Bioquímica do exercício e treinamento. Traduzido por Elisabeth de Oliveira e Marcos Ikeda. São Paulo: Manole, 2000.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

10:51:00

Periodização no treinamento de Futsal


Os conteúdos dos treinamentos normalmente são focados em atividades que simulam o jogo oficial, sendo assim, exigem a necessidade de aperfeiçoamento e especialização por parte dos alunos. Os conteúdos devem ser organizados e distribuídos ao longo do período planejado entre o início dos treinamentos e o fim das competições, essa organização é conhecida como periodização do treinamento que pode ser dividida da forma a seguir.

    Macro ciclo - estrutura Mensal de treinamento: segundo Matveev (1992), representa o elemento da estrutura de preparação do atleta e inclui uma série de micro ciclos orientados para a solução das tarefas do macro ciclo de preparação. Em alguns desportos pode-se renovar a forma desportiva não só em períodos anuais como também semestrais ou em períodos de tempo menor.

    Micro ciclo – estrutura semanal: para Gomes (1996), é uma forma de organizar as influências do treino exercido no organismo do desportista durante uma série de dias de treinamentos consecutivos que variam de 03 a 14 dias, sendo quatro tipos de micro ciclos; micro ciclo de treinamento, micro ciclo preparatório de controle, micro ciclo pré-competitivo e micro ciclo competitivo.

    Sessão de treinos: definida por Zakharov (1992), como forma do processo pedagogicamente organizado, ela representa um sistema de exercícios relativamente isolado no tempo, que visa à solução das tarefas de um ciclo da preparação do desportista e pode acontecer uma ou várias vezes no dia, sendo dividida em três partes; parte inicial, parte principal (básica ou fundamental) e parte final.

    A periodização do treinamento desportivo, em especifico para a modalidade de futsal, pode ser entendida como uma divisão organizada das fases do treinamento e os determinados períodos em que se passam, a fim de estabelecer medidas e objetivos que se possam alcançar durante uma temporada, visando sempre os resultados em competições.

    No Quadro 2 se observa a disposição e organização (periodização) das etapas do treinamento durante um ano de preparação para as competições.

Quadro 2. Características fundamentais da periodização

Particularidades

Período Preparatório

Competitivo

Transitório

 

Etapa Preparação Geral

Etapa Preparação Especial

 

 

1. Orientação do treinamento

Criar base para a preparação especial e competitiva

Está em todos os componentes da preparação esportiva

Preparação funcional imediata para as competições

Alívio na preparação

2. Preparação Física

Desenvolvimento das capacidades motoras gerais

Desenvolvimento das capacidades motoras especiais, e manutenção do nível global.

Manutenção do nível da preparação geral e especial alcançado

Descanso ativo por meio de jogos

3. Preparação técnico-tática

Reestruturação das habilidades motoras. Aprendizagem de novas ações técnicas

Aperfeiçoamento das ações técnicas e táticas objeto da especialidade

Polimento e confirmação da variabilidade na execução das ações motoras

Eliminação parcial das deficiências técnicas detectadas nas competições

4. Preparação Psicológica

Desenvolvimento das qualidades volitivas da personalidade

Preparação psicológica especial par as cargas de grande intensidade

Garantir a predisposição especial para as competições, modelação do treinamento

Garantir o estado emocional positivo diante das vitórias e possíveis derrotas

5. Relação entre Prep.Geral e especial do atleta

Maior conteúdo de prep. geral sobre a preparação especial

Maior conteúdo de prep. especial sobre a preparação geral

Aumentam-se ainda mais a preparação especial sobre a preparação geral

Desaparece a preparação especial e predomina em todo o período a preparação Geral.

Dinâmica das cargas

A quantidade de exercícios é muito maior que a qualidade da execução, predomínio do treinamento aeróbico

O ritmo de execução e a qualidade dos exercícios aumentam, diminui a quantidade de exercícios, parcialmente o treinamento aeróbico se treina em zonas mistas

Aumenta consideravelmente a qualidade de execução, continua diminuindo a quantidade de exercícios, maior utilização dos treinamentos aeróbicos

Diminui a qualidade de exercícios, treinamento aeróbico e variáveis

Matveev (apud FORTEZA 1999).


sexta-feira, 14 de junho de 2013

12:42:00

Os medos no esporte


Quando a personalidade de um atleta revela traços neuróticos, em que se revelam conflitos internos de auto-estima e de culpa, ganhar é como que "perder o objeto amado", com incapacidade para suportar a pesada responsabilidade da vitória ou do titulo conquistado.

As modalidades de alto rendimento implicam uma longa preparação psicológica, visando uma correta constituição emotiva.

O que é o síndrome pré-competitivo:

Alguns atletas na véspera de uma competição decisiva têm dificuldade em controlar-se emocionalmente, evidenciando uma tensão ansiosa excessiva mostrando sinais e sintomas inerentes.

Esta síndrome pré-competitiva desaparece, em regra, bruscamente com o inicio do jogo ou da prova desportiva.

Comportamento paradoxal:

 Facilmente se compreende e conhece esta situação, tão idêntica aos distúrbios gastrointestinais do estudante antes do exame, já o mesmo se não poderá dizer de alguns atletas quando, no final de uma competição em que conseguem a vitória ou o título desejado, revelam um comportamento disparatado. Isto é em vez da alegria própria e natural, evidenciam tristeza, desolação e até desanimo.
Por outro lado e ainda sem causas aparentes, podem ficar inibidos durante a própria competição, tornando-se incapazes de render o habitual, ainda que tivessem realizado os melhores treinos com resultados excelentes.

Curiosamente, são estes atletas que também apresentam maior tendência para adquirir lesões, que parecem ter podido ser evitáveis ou contraídas de forma incompreensível. 

Medo perante a vitória:

A questão parece centra-se no medo que acabam por sentir quando confrontados com a vitória, com o adversário ou com a prova mais difícil ou de maior responsabilidade.

Razões para este tipo de comportamentos:

Admite-se que uma deficiente estrutura afetiva seja determinante, enquanto os reflexos de uma sociedade deficientemente competitiva têm efeitos negativos neste tipo de atitudes.

A debilidade emocional e as exigências desportivas:

A maturidade não está desligada da formação da personalidade do atleta enquanto criança e adolescente.

As modalidades de alto rendimento implicam uma longa preparação psicológica, visando uma correta constituição emotiva.

Efeitos dos choques emotivos:

A repetição não controlada dos chamados " choques emotivos" poderá determinar um desequilíbrio emocional acentuado, em que o exibicionismo, a impulsividade, a recusa ou teimosia em aceitar prontamente as instruções dos técnicos, ou a maior facilidade para contrair lesões inexplicáveis, são apenas manifestações iniciais, de um somatório infindável de medos e preocupações.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

09:38:00

Treinamento físico do nadador fora d´água



O treino de força é uma parte integral da preparação dos nadadores de competição. Assim, muitas têm sido as vertentes utilizadas no que a ele diz respeito. Ao longo dos anos, foram-se alterando as metodologias utilizadas pois muitas vezes a carreira de alguns nadadores foi interrompida por um trabalho mal dirigido. Provocavam-se aumentos musculares excessivos, com o consequente aumento da superfície corporal e aumento do arrasto hidrodinâmico. Neste trabalho, vamos ainda apresentar os métodos de treino de força utilizados e os conhecimentos científicos em que baseamos o nosso trabalho, assim como, a relação que a utilização desses métodos poderão ter na natação.

Todos os métodos de treino de força são diferentes e produzem efeitos significativamente distintos no rendimento neuromuscular (Siff e Verkoshansky, 2000). De forma geral, podemos destacar a existência de duas vertentes metodológicas no treino de força. Uma delas defende a especificidade, onde se devem estimular os distintos gestos desportivos tendo em consideração as suas características, como a velocidade, a curva força-tempo, o tipo de contracção muscular, entre outras. A outra vertente, defende que apenas é necessário treinar os músculos relevantes sem ter em conta a especificidade do treino muscular. Os defensores desta vertente acreditam que uma prática separada das habilidades técnicas permitirá à posteriori transmitir os ganhos de força para os movimentos desportivos específicos.

Ambas as vertentes de treino melhoram o rendimento, no entanto, na actualidade a investigação cientifica apoia a primeira vertente, ou seja, o treino específico porque tem em consideração para alcançar melhorias na natação os seguintes factores: Tipo de contracção muscular; Modelo de movimento; Região do movimento; Velocidade do movimento; Força de contracção; Recrutamento das fibras musculares; Metabolismo; Adaptação biomecânica; Flexibilidade; Fadiga.

A expressão máxima da força requer a participação de qualidades como: i) a concentração, ii) a vontade, iii) a coordenação intermuscular, durante o exercício que se realiza (Manno, 1999).

Nos desportos onde o peso corporal se revela como um problema a enfrentar, a força máxima deve ser aumentada tendo em consideração a força relativa (Manno, 1999). De um modo geral, o treino de força máxima deve estar intercalado com 36 a 48 horas de recuperação, para que ocorra um restabelecimento proteico (Volkov, 1977).

Um trabalho dinâmico, realizado com cargas elevadas, grande intensidade e com volume reduzido, tem influência positiva sobre o sistema nervoso central. Isto, traduz-se por um efeito tonificante do sistema motor e, portanto por uma melhoria dos valores de força e velocidade. É necessário muita atenção relativamente à sobre-excitação do sistema nervoso central, pois podemos estar a provocar efeitos negativos na precisão e coordenação de movimentos (Mirella, 2001).

Os métodos de alta intensidade provocam um aumento notável da força máxima através de uma maior activação das unidades motoras, com um aumento reduzido de massa muscular (Manno, 1999).

Segundo alguns estudos, a intensidade do estímulo de treino necessário para o aumento da força muscular, não deve ser inferior a 1/3 da força máxima. Na prática desportiva considera-se importante que o estímulo seja igual ou mesmo superior à força exercida em condições de competição (Mirella, 2001). O mesmo autor afirma que a possibilidade de aumentar estes estímulos será tanto maior, quanto menos treinados estiverem os músculos. Assim, o aumento do nível de força, depois de termos conseguido obter um "limite estável", só será alcançado por meio de um treino intenso, com aplicação de meios mais eficazes e maior volume de treino. A força muscular mantém-se durante mais tempo, quando o seu crescimento foi acompanhado por um aumento de massa muscular (Mirella, 2001).

Têm-se obtido melhorias da força máxima na ordem dos 0,1 a 3% por dia, durante períodos de 24-30 dias de treino, com melhorias entre 10-30% da força máxima (Costill et al., 1979).

Em atletas não treinados, o treino da força máxima, provoca melhorias muito mais elevadas das que se produzem em atletas bem treinados (Häkinnen, 1985).

O treino da força reactiva é influenciado pelo nível de força máxima, sendo o coeficiente de correlação aproximadamente de 0,54 (Mann, 1999). Deve ser treinada com cargas reduzidas e alguns autores consideram-na uma qualidade independente.

O método pliométrico é caracterizado por uma combinação de todos os tipos de contracção auxotónica, que é o mesmo que dizer que o músculo primeiro sofre um alongamento e depois encurtamento, ou seja contrai-se concentricamente. O músculo uma vez terminada a fase excêntrica e antes de contrair-se concentricamente, permanece durante milésimas de segundo em contracção isométrica. Esta acção provoca no músculo tendinoso um armazenamento de energia elástica que libertará durante a contracção concêntrica na forma de energia cinética.

Asmunsssen (1974) propõe a utilização de 3 teste: Squat Jump (SJ), Contramovement Jump (CMJ) e Drop Jump (DJ) para avaliar as melhorias musculares. Os seus resultados mostraram que os resultados variaram com os diferentes testes utilizados. Assim, entre o SJ e o CMJ verificou uma diferença de 5% a favor do CMJ, e entre o SJ e DJ ocorreu uma diferença de 10-15% de força a favor do DJ.

Uma sessão de treino pliométrico deve ser iniciada depois de um bom aquecimento, com grande concentração e frescura física. Devemos realizar 5-8 repetições por série, com recuperações de 1-2 minutos, no máximo 2 vezes de frequência semanal. As alturas de queda devem variar entreos 40cm e os 110cm, consoante o nível de treino dos atletas (Manno, 1999).

Alguns estudos e experiências práticas demonstraram que o método pliométrico deve ocupar um lugar primordial no treino de desenvolvimento da força explosiva e da capacidade reactiva do sistema neuromuscular, tendo sempre em consideração o nível de preparação e condição física do atleta, o período de treino, assim como uma determinada sequência e alternância de meios de treino utilizados (Mirella, 2001).

O treino orientado para a melhoria da força reactiva é muito eficaz para a melhoria da velocidade de execução de muitas acções técnicas em diferentes modalidades desportivas. Este tipo de contracção (ciclo alongamento-encurtamento) permite segundo Manso (1999):

Realizar tensões musculares superiores à força máxima voluntária.

Diminuir o Limiar de estimulação do reflexo miotático.

Diminuir a acção inibidora do contra-reflexo de estiramento.

Aumentar a rigidez muscular.

Melhorar a co-contracção dos músculos sinergistas.

Melhorar a inibição dos músculos antagonistas.

Todos os exercícios pliométricos devem ser alternados com exercícios de relaxamento e estiramento, nos quais estamos a garantir a recuperação entre os exercícios pliométricos, elevando assim a elasticidade dos grupos musculares submetidos a estes esforços (Gerhard, 1985).

Este método promove melhorias da coordenação intramuscular e ganhos de força em função de cargas de alta intensidade, sem aumento da massa muscular e sem aumento do peso. Nos nadadores, este tipo de método de treino revela grande importância quando falamos da partida e das viragens.

Não é aconselhável a nadadores que estejam ainda a recuperar de lesões musculares, articulares, tendinosas ou ligamentares. A sua utilização é prejudicial em situações de fadiga extrema e situações de sobretreino. Não o devemos utilizar em períodos iniciais do planeamento anual, nem em vésperas de competições.

A flexibilidade é a capacidade que uma articulação possui para executar movimentos de grande amplitude, solicitando, sobretudo, a elasticidade muscular.

Não é um facto novo, a imprescindibilidade de uma boa amplitude de movimentos para uma boa eficácia, quer qualitativa, quer quantitativa. Uma boa flexibilidade permite uma exploração máxima das capacidades musculares e neuromusculares.

A flexibilidade assume grande importância no rendimento desportivo dos nadadores. É um meio de prevenir o aparecimento de lesões a nível de várias estruturas, tal como para optimizar a qualidade de execução do gesto motor. Uma boa flexibilidade permite ao nadador obter uma grande amplitude de movimentos, o desenvolvimento de uma boa técnica, o aparecimento da força, a possibilidade de desenvolvimento da velocidade, o aumento da coordenação, uma maior economia de nado, e a prevenção do aparecimento de lesões.

Daqui se depreende a necessidade em definir uma carga de treino (em horas) para, ao longo de toda a época, melhorar ou manter um bom nível de flexibilidade. Em geral, esta carga é definida em tempo (15' - 20') diário de trabalho, antes e/ou depois das sessões de treino.

O desenvolvimento de uma boa técnica de nado, relacionado com uma boa flexibilidade, prende-se com o facto de:

Ocorrer um aumento da mobilidade de certas articulações permitindo que a força propulsiva se aplique durante um maior período de tempo.

Essa grande mobilidade de certas articulações permite manter com maior facilidade o alinhamento horizontal e lateral do corpo do nadador.

Permitir uma diminuição do gasto de energia e aumentar a velocidade de nado, visto diminuir a resistência intramuscular nos movimentos exercitados.

Existe a necessidade de distinguir a noção de programa de treino de flexibilidade (PTF) da flexibilidade para aquecimento/arrefecimento (PFA/A).

PTF é um programa de exercícios, planeado regularmente permitindo assim um desenvolvimento permanente e progressivo de grandes amplitudes de movimento de uma articulação ou grupo de articulações.

PFA/A é um programa de exercícios planeados, que é realizado antes e/ou depois de uma actividade para aumentar a capacidade de execução do atleta e/ou reduzir o risco de lesões. Não permite, por si só, o aumento da amplitude dos movimentos.

O treino de flexibilidade deve ter em atenção os seguintes aspectos metodológicos:

Os exercícios de flexibilidade devem ser variados, e visar o aumento da amplitude de movimento.

Os exercícios de flexibilidade devem ser complementados com exercícios de relaxamento.

A amplitude máxima deve ser alcançada lenta e progressivamente.

Os exercícios de flexibilidade devem ser realizados no início do treino.

Os exercícios de flexibilidade nunca devem ser executados com os músculos em situação de grande fadiga.

Para manutenção da flexibilidade não é necessário um elevado volume de treino.

A flexibilidade perde-se muito rapidamente perante uma interrupção prolongada do treino. O seu trabalho deve ser diário, contínuo e sem interrupções marcantes.

Os exercícios de flexibilidade activa conservam os progressos na flexibilidade por mais tempo do que os exercícios passivos.

Ao planificar o trabalho de flexibilidade devemos ter atenção à relação entre flexibilidade passiva e activa.

A flexibilidade passiva é base para o desenvolvimento da flexibilidade activa, no entanto o aumento desta última requer um trabalho com um objectivo específico.

Na primeira etapa do período de preparação, devemos ter como objectivo aumentar de forma notável a mobilidade das articulações. Na segunda etapa do período de preparação e competição, devemos diminuir um pouco o volume de trabalho e adquirir um objectivo mais específico:

Manter o nível de flexibilidade conseguido.

Aperfeiçoar a mobilidade das articulações que pré-determinam a amplitude e efectividade dos principais movimentos das diferentes técnicas da natação pura desportiva.

Durante a etapa de aumento da mobilidade articular, o trabalho orientado para desenvolver a flexibilidade deve realizar-se de forma diária. Na etapa de manutenção do nível conseguido, o trabalho deve realizar-se com uma frequência de três a quatro vezes por semana, e o volume de trabalho por sessão pode diminuir.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

11:36:00

Treinamento na altitude


   O treino na altitude para ser eficaz necessita que seja acompanhado pela aclimatação e por uma adequada periodização. A aclimatação é o processo de permanência do esportista em uma determinada altitude até o organismo se adaptar a menor PO237.
    Durante o processo inicial da aclimatação o volume, a intensidade e a freqüência nas sessões merecem ser baixas, mas conforme o atleta agüenta a menor PO2, a carga de treino deve ser elevada gradativamente38. Nessa fase inicial e durante o treino forte na altitude, o competidor precisa ser acompanhado regularmente por testes físicos, antropométricos, por avaliações da técnica esportiva e da tática. Geralmente, conforme melhora a adaptação do atleta ao meio hipóxico, os testes tendem sofrer um incremento39. Outro acompanhamento indispensável na altitude, com o intuito de amenizar as perdas físicas do esportista, é o uso de um nutricionista para orientar os atletas.
    Segundo Tubino e Moreira (2003)40, existem duas maneiras de efetuar a aclimatação, através da adaptação por etapas ou num local acima da disputa.
    A aclimatação por etapas os atletas iniciam essa tarefa numa altitude baixa, vindo ficar alguns dias ou meses nessa região para se acostumar com o meio hipóxico, após essa aclimatação, os esportistas são remanejados para uma altitude maior, realizando a permanência na nova altitude para ocorrer os ajustes fisiológicos da aclimatação – foram explicados no capítulo 1. Esse procedimento é efetuado até o competidor ou a equipe chegar ao local da disputa.
    Pereira da Costa41 alerta que, no processo de aclimatação em etapas, deve-se ter toda a atenção com o fuso horário das altitudes mais baixas, já que, se ele for diferente da altitude de competição, esta aclimatação será deficiente, prejudicando, e muito, a performance dos atletas.
    A segunda opção é idêntica a anterior, o atleta ou equipe vai fazendo o processo de aclimatação numa altitude baixa até chegar na região da competição, mas quando já se encontra aclimatado ao local do evento, os competidores se dirigem para uma região acima do nível do mar superior ao da disputa com o intuito de obter maior quantidade de hemácias para transportar mais O2 para os tecidos e levar vantagem na competição.
    O benefício dessa segunda opção é questionável na literatura9,42, geralmente aplicada em provas de fundo do atletismo – maratona, competição de rua, o caso dos 15 km da São Silvestre de São Paulo, o atleta treina na altitude para competir ao nível do mar, mas nem sempre a altitude proporciona vantagens quando o esportista vai competir na planície.
    Isso acontece na altitude porque ela gera um decréscimo da massa muscular, ocasionando um destreino pelo fato da carga das sessões serem muito baixas nos momentos iniciais na altitude, a desidratação referente à respiração e a mudança do equilíbrio hídrico interfere no treino na altitude43. Em duas a quatro semanas as adaptações fisiológicas da altitude são perdidas quando o atleta retorna ao nível do mar36.
    A aclimatação merece ser realizada em esportes com duração acima de 2 minutos por causa do componente aeróbio que é deteriorado na altitude10. Modalidades onde o componente anaeróbio (provas de velocidade, provas de arremesso, karatê shotokan) é o predominante, o esportista merece chegar poucos dias antes da disputa porque a altitude não interfere nesses atletas, somente o treinador deve se preocupar com o fuso horário da prova. A tabela 1 fornece a aclimatação aproximada conforme a altitude44.
Tabela 1. Aclimatação aproximada
    Segundo Costa45, o treino ou disputa acima do nível do mar, no período da noite é o pior horário pelo fato da ausência de fotossíntese, diminuir ainda mais o O2 no ar atmosférico. Contudo, os meios e métodos utilizados na altitude são os mesmos aplicados ao nível do mar46.
    Portanto, o treinador merece prescrever o treino de musculação e de salto em profundidade para amenizar a redução da massa muscular47, o treino cardiorrespirtaório pode ser realizado através do treino intervalado, treino contínuo ou pelo fartlek, depende do objetivo do preparador físico – sessão com ênfase no metabolismo aeróbio ou anaeróbio48.
    Em relação ao treino técnico, situacional e tático, são idênticos aos realizados na planície. A única diferença do treino da altitude é o seu acompanhamento, através da aclimatação e da periodização49.
    Quando a aclimatação não é adequada ou o atleta possui baixa resistência para se acostumar à menor PO2 da altitude, pode acontecer o mal das montanhas, onde os sintomas (dor de cabeça, fraqueza, cansaço e dificuldade de respirar, falta de apetite, enjôos, vômitos, edema pulmonar, edema cerebral, etc.) aparecem 6 horas após a subida na altitude, podendo ser resolvido após 3 a 4 dias ou não50.
    Quando acontecer edema pulmonar e/ou edema cerebral proveniente do mal das montanhas, o tratamento consiste na remoção imediata do paciente para menores altitudes e deve-se fornecer O2. Se os sintomas não forem tratados adequadamente, podem provocar a morte do esportista. A principal causa do aparecimento do mal das montanhas ocorre quando o competidor sobe rápido demais as altitudes sem fazer a aclimatação adequada

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