quinta-feira, 17 de outubro de 2013

13:37:00

Métodos de treinamento para flexibilidade



As principais técnicas de alongamento variam em alongamento passivo ou estático, balístico e modalidades que utilizam facilitação neuromuscular proprioceptiva (FNP). Muitos estudos observaram as diferenças entre essas técnicas, mas a maioria deles demonstra vantagem no ganho de amplitude do movimento para as técnicas de alongamento que utilizam FNP (FUNK et al., 2003).


O treinamento da flexibilidade pode ser feito na forma submáxima (alongamento) ou máxima (flexionamento), sendo esta última subdividida em métodos estático, dinâmico ou Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP) (GALDINO et al., 2005).


Alguns termos são usados no que se refere à flexibilidade, na qual o trabalho pode ser realizado de forma máxima e submáxima, apresentando diferenças em nível conceitual, metodológico e fisiológico. Desta forma alongamento é considerado termo adequado para representar o trabalho submáximo e o neologismo flexionamento para o trabalho máximo (DANTAS, 2005).


Alongamento Estático Submáximo
Alongamento estático submáximo, na forma de estiramento passivo, sustentando a posição por seis segundos, até o ponto de leve desconforto, com intervalo de cinco segundos entre as séries (CÉSAR et al., 2008).


Flexionamento
O estímulo de Flexionamento será aplicado de acordo com o protocolo, na posição de flexão do quadril com joelho em extensão, sendo os movimentos realizados lentamente até o limite normal do arco articular, em seguida aplica-se força suavemente além deste limite, aguardando aproximadamente 6 segundos e realizar novo forçamento, procurando alcançar o maior arco de movimento possível, que deve ser mantido por 10 segundos (DANTAS, 2005) . As rotinas devem são repetidas 3 vezes, com intervalo de aproximadamente 5 segundos entre as séries (GALDINO et al., 2005).


Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP)
Em geral, os métodos de flexibilidade ultilizando-se da FNP, combinam com a contração e relaxamento alternados dos agonistas e antagonistas (Adler et al.,1999).
A base pôr alongamento FNP e teorizada por haver inibição neurológica, reduzindo atividade reflexa (reflexo miotático), promovendo maior relaxamento e a resistência diminui para alongar (Huntt 1993).
1) Padrão de facilitação neuromuscular proprioceptiva com contração-relaxamento. A parte corporal é movimentada passivamente pelo terapeuta até ser percebida uma limitação. O paciente realiza uma contração isotônica através do padrão agonista (tentando aumentar a amplitude ativamente). O terapeuta aplica um alongamento passivo para o padrão agonista até a limitação.

2) Padrão de facilitação neuromuscular proprioceptiva com manutenção-relaxamento. A parte corporal é movimentada passivamente pelo terapeuta até o limite articular. O paciente realiza uma contração isométrica para o padrão antagonista. O terapeuta aplica um alongamento passivo para o padrão agonista até a nova limitação articular.

3) Contração relaxamento contração agonista. O paciente realiza o alongamento prévio passivo, seguido de uma contração isométrica submáxima do grupo muscular alongado (o companheiro faz a força contraria para torna-lá isométrica). Após esse procedimento o exercitante faz uma contração concêntrica do grupo muscular oposto ao alongado (tentando reduzir a amplitude do movimento ativamente), onde o companheiro inverte o ponto de resistência do alongamento, tornando a contração isometrica. Procede a uma nova amplitude de movimento para permanecer em alongamento.
Alguns movimentos utilizados nas condições de alongamento e FNP para membros inferiores são descritos a seguir:
a) Flexão do quadril (FQ) com o joelho estendido – o indivíduo posiciona-se em decúbito dorsal com as mãos apoiadas lateralmente ao tronco e a perna esquerda estendida. Com a perna direita do testando estendida, o avaliador realiza FQ, apoiando a perna esquerda, evitando assim, a elevação da mesma e, consequentemente, do quadril;
b) Flexão dorsal do tornozelo (FD) – o posicionamento é em decúbito dorsal, com as mãos apoiadas lateralmente ao tronco. Com a perna direita do testando estendida, o avaliador realiza FD;
c) Flexão do joelho (FJ) – o indivíduo posiciona-se em decúbito ventral, com as mãos afastadas lateralmente o tronco e a perna esquerda estendida. Na avaliação é realizada FJ, firmando o quadril, de forma a evitar a elevação do mesmo.


REFERÊNCIAS

DANTAS EHM. ALONGAMENTO E FLEXIONAMENTO. 5ª ed. Rio de Janeiro: Shape; 2005.

GALDINO LAS, NOGUEIRA CJ, CÉSAR EP, FORTES MEP, PERROUT JR, DANTAS EHM. Comparação Entre Níveis de Força Explosiva de Membros Inferiores Antes e Após Flexionamento Passivo. Fit Perf J. 2005; 4(1):11 – 1

FUNK DC, SWANK AM, MIKLA BM, FAGAN TA, FARR BK. Impact of prior exercise on hamstring flexibility: a comparison of proprioceptive neuromuscular facilitation and static stretching. Journal of Strength and Conditioning Research. 2003; 17(3):489-492.

CÉSAR, E. P. et al. Modificações agudas dos níveis séricos de creatina quinase em adultos jovens submetidos ao trabalho de flexionamento estático e de força máxima. Revista de Desporto e Saúde, Santa Maria da Feira, v. 4, n. 3, p. 49-55, 2008.

J.BRENT FELAND, J.W.MYRER AND R.M. MERRILL, Physical Therapy in Sport (2001) 2, 186-193

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

19:27:00

A importância do técnico na formação do jovem esportista


De maneira geral, a prática esportiva infantil é permeada por ações adultas – pais, dirigentes, professores, técnicos e árbitros que, de alguma forma, interferem nas experiências esportivas dos praticantes. Nesse processo, o técnico tem uma importância fundamental, pois além de ser a pessoa que atuará diretamente sobre os futuros comportamentos esportivos dos jovens, ele também poderá influenciá-los fora dos campos de jogo. O poder de um técnico sobre um jovem esportista é muito grande a ponto de ele ser reconhecido como um dos principais motivos para a escolha de uma modalidade esportiva e, ao mesmo tempo, como um dos mais destacados fatores de abandono desta prática.

Muitas vezes, a vontade de vencer, de mostrar toda a capacidade de trabalho e  agradar a instituição à qual está vinculado, levam o técnico a proceder de maneira inadequada com os jovens atletas que procuram por uma oportunidade de praticar uma atividade esportiva.

Dentre tantos aspectos relacionados à prática esportiva competitiva podemos ressaltar:

  • Os aspectos biológicos, que envolvem o conhecimento do jovem desde seus estágios iniciais de desenvolvimento até as fases mais agudas como a puberdade e adolescência e que são essenciais para a determinação das cargas de trabalho adequadas a cada uma das fases
  • Os aspectos psicológicos, que envolvem o conhecimento dos traços de personalidade desses jovens e de seus limites em relação às exageradas cobranças, muito comuns no ambiente esportivo competitivo
  • Os aspectos pedagógicos, que envolvem o conhecimento dos conteúdos específicos, dos métodos e das estratégias adequados para cada momento das fases de desenvolvimento do jovem.

Conhecer e dominar os aspectos acima citados leva os técnicos a atitudes mais adequadas e intervenções seguras e significativas para o processo de formação esportiva dos jovens praticantes

O técnico como fonte geradora de stress nos jovens atletas

Estudo realizado com atletas brasileiros sobre os motivos de abandono do esporte infanto-juvenil apontam alguns dos aspectos negativos do contexto esportivo que levaram os jovens a interromper a prática de determinada modalidade: a ênfase exagerada na necessidade de vitória, o stress gerado pela competição e o fato de não gostarem do técnico. Curiosamente, o técnico é comumente citado pelos jovens como uma das principais razões que justificam a adesão à prática esportiva, mas também para o abandono da mesma. Este dado é bastante preocupante quando percebemos que o técnico como principal responsável por fomentar a prática esportiva dos seus atletas, acaba, por muitas vezes, afastando-os do esporte, sem ter consciência da repercussão dos seus atos entre os jovens esportistas.

Pesquisas feitas com atletas de categorias de base no Brasil (14 a 18 anos) mostram que as atitudes de técnicos relacionadas à sua comunicação com os jovens atletas podem ser entendidas como prejudiciais e causadoras de stress nos esportistas que buscam, na verdade, por orientação e solução de problemas e não, simplesmente a crítica desmesurada e sem objetivos.

Nesses estudos que abrangeram cerca de 500 atletas de basquetebol, handebol, natação e voleibol, o objetivo principal era detectar situações causadoras de stress em competição. Nele, os técnicos aparecem com destaque como provocadores de stress quando apresentam comportamentos tais como:

  • não reconhecer o esforço dos atletas,
  • gritar ou reclamar muito,
  • enfatizar somente os aspectos negativos
  • cometer injustiças
  • não apontar soluções frente aos problemas provenientes das situações específicas do jogo ou da competição
  • privilegiar determinados atletas.

Isso indica que o efeito do comportamento do técnico é mediado pelo significado que os atletas atribuem a ele, e pelo o que os atletas lembram desse comportamento, sendo que a forma de interpretação dessas ações pelas crianças e adolescentes afeta a maneira como eles avaliam sua participação esportiva.

Atitudes frente ao processo de formação esportiva e o que se espera de um bom técnico

Pode-se considerar que há dois tipos de atitudes de técnicos que atuam no esporte infanto-juvenil, dirigindo equipes das categorias de base: O técnico que tem como objetivo principal a vitória, enfatizando o produto final e privilegiando os resultados imediatos e o técnico que visa a participação do jovem, enfatizando o processo e buscando resultados a longo prazo.

Em qualquer uma delas os técnicos podem, dependendo de suas atitudes e da forma de comunicar-se com os atletas, provocar situações causadoras de stress que tendem a influenciar negativamente o desempenho dos jovens e provocar comportamentos que poderão migrar desde o desinteresse pela modalidade e até mesmo o abandono.

Seria razoável que se pensasse que, em um processo de formação, estas últimas atitudes seriam as mais adequadas. No entanto, muitos técnicos, por diferentes razões privilegiam as primeiras, atropelando este processo e antecipando uma série de eventos que, a curto prazo, podem até ser interessantes, mas que poderão, por sua vez acelerar o processo de abandono dos jovens atletas.

Assim sendo, quatro princípios devem nortear a conduta dos treinadores :

  1. Vencer não é tudo, nem somente a única coisa: os atletas não podem extrair o máximo do esporte se pensarem que o único objetivo é vencer seus oponentes. Apesar da vitória ser uma meta importante, ela não é o objetivo mais importante.
  2. Fracasso não é a mesma coisa que perder: é importante que os atletas não vejam perder como sinal de fracasso ou como uma ameaça aos seus valores pessoais.
  3. Sucesso não é sinônimo de vitória: nem o sucesso nem o fracasso precisam depender do resultado da competição ou do número de vitórias e derrotas. Vitória e derrota pertencem ao resultado da competição, enquanto sucesso e fracasso não.
  4. Os jovens devem ser ensinados que o sucesso é encontrado através do esforço pela vitória, eles devem aprender que nunca são perdedoras esforçam-se ao máximo.

Fica evidente que o técnico deve ter uma participação ativa no processo de formação do jovem, porém provido de conhecimentos suficientes que permitam uma atuação segura e benéfica para os futuros atletas. Esse conhecimento deve ocorrer em quatro domínios:

  • conhecimento do próprio jovem (sua realidade biológica, psicológica e social)
  • conhecimento da modalidade com a qual irá trabalhar (aspectos físicos, técnicos e táticos)
  • definição adequada de métodos e estratégias de trabalho (planejamento, definição de objetivos, escolha dos métodos de treinamento e dos exercícios que farão parte desta atividade, entre outros)
  • intervenção eficaz no processo (atitudes positivas de oferecer condições dos atletas aprenderem e apresentar possibilidades para a solução de problemas)

Leituras sugeridas

De Rose Jr., D.; Deschamps, S.R. e Korsakas, P. O jogo como fonte de stress no basquetebol infanto-juvenil. Revista Portuguesa de Ciências do Desporto, 1, 2, 36-44, 2001a.

De Rose Jr., D.; Campos, R.R. ; Tribst, M. Motivos que llevan a la práctica del baloncesto: um estudo com jóvenes atletas brasileños. Revista de Psicologia del Deporte, 10, 2, 293-304, 2001.


terça-feira, 1 de outubro de 2013

20:01:00

Treinamento funcional a crianças desenvolve aptidões para esporte


O sedentarismo infantil, uma das principais preocupações dos pais, tem um novo inimigo: o treinamento funcional. Utilizando movimentos de diversas modalidades esportivas, o treinamento funcional não tem restrições etárias e é uma boa opção para as crianças a partir de seis anos.

Venega explicou que a atividade, apesar de ser desenvolvida geralmente dentro da academia, não tem ligação com a musculação. Durante as aulas de treino funcional, o praticante utiliza movimentos de diferentes modalidades esportivas, como boxe, tênis, basquete, vôlei e futebol. O boxe, por exemplo, é muito bom para trabalhar a segurança da criança, além de ser uma maneira de descarregar energia.

Muitos pais temem que, ao matricularem os filhos na academia, possam estar prejudicando o seu desenvolvimento. Porém, esclareceu Venega, a prática do treinamento não traz qualquer risco. Esse método não atrapalha o crescimento da criança. Muito pelo contrário. Ele é ótimo para o desenvolvimento dela.

Além de todos os benefícios que uma atividade física traz, a prática do treinamento funcional também aumenta a coordenação motora, reflexo, raciocínio e as funções cognitivas de maneira geral. Quando esta criança crescer, caso ela resolva se tornar um atleta, um jogador de futebol, basquete, vôlei, tênis, natação, entre outros esportes, terá habilidades motoras incomparáveis. Esses benefícios já podem ser percebidas após apenas três aulas, segundo o educador físico.

Com todos esses benefícios, o treinamento funcional se tornou uma nova opção no combate aos crescentes números de casos de sobrepeso infantil no país. Segundo dados de 2008 do IBGE, 33,5% das crianças brasileiras de cinco a nove anos apresentavam sobrepeso. No ano de 1989, este índice era de apenas 15%.

Durante as aulas, cada turma tem dois professores responsáveis e são limitadas a cinco alunos. A medida é necessária porque é preciso estar sempre atento aos pequenos. A criança nessa faixa etária pode querer dominar a aula. Para manter não só o controle da turma, mas também o interesse dos alunos na aula, é preciso ter bastante didática.

As aulas são aplicados métodos específicos para as crianças, há respeito ao ritmo dos alunos e ninguém força além da conta, evitando-se lesões.

Além disso, com tempo o treinador pode adaptar os exercícios aos talentos dos alunos, além de trabalhar as limitações. Um aluno que tenha uma resistência grande, por exemplo, é um candidato a se tornar um corredor ou um nadador. E através do treino funcional, nós podemos indicar aos pais em quais esportes seus filhos poderão ter maior sucesso.

O treinamento funcional, atividade física que alia movimentos de diferentes modalidades esportivas, é uma nova opção para aqueles que buscam uma vida mais saudável.

Um dos atrativos é a fácil adaptação da técnica a diferentes faixas etárias. Atualmente, por exemplo, ele tem desenvolvido o trabalho de treinamento funcional com crianças. A ideia surgiu a partir de uma necessidade que o educador encontrou dentro da própria casa. Tenho uma filha de seis anos. E percebi que ela desistia muito fácil nas brincadeiras em grupo. Comecei, então, a aplicar o treinamento nela. E, desde então, verifiquei uma grande melhora. Ela, inclusive, já se tornou mais competitiva.

A técnica, porém, não se restringe às crianças e é recomendada para todas as faixas etárias e níveis de preparo físico. O treinamento funcional é indicado, inclusive, para atletas profissionais, já que melhora a alta performance. Muitos atletas acabam precisando de um trabalho específico para desenvolver habilidades cuja falta podem impedi-los de melhorar o seu rendimento.

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Arquivo do blog