quinta-feira, 26 de junho de 2014

11:29:00

Dez dicas para sua preparação física em corrida e ciclismo

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Veja algumas vidas para a preparação física em corrida, ciclismo e mountain bike:

1. Exames médicos:

Para sua segurança, antes de iniciar um programa de preparação física são necessários alguns exames médicos, são eles:
- Análise clínica
- Ecocardiograma
- Teste de esforço MÁXIMO
- Exame de sangue completo

2. Avaliação física:

Quando se trata de treinamento físico específico é necessário uma avaliação física inicial, além de novas avaliações periódicas, somente assim você e seu treinador conseguirão mensurar os ganhos, perdas, e fazer ajustes nos treinos.

- Anamnese
- Composição corporal
- Avaliação postural
- Avaliação biomecânica da corrida
- Tipo de pé e pisada
- Avaliação funcional (VO2 máx., limiar anaeróbio, FC de repouso e FC máxima).

3. Elaboração da periodização dos treinamentos físicos:

Após analisar os objetivos do atleta, e definir o calendário das provas que pretende participar, é chegada a hora de planejar o treinamento ao longo do ano, definir os períodos de treino e suas metas, quantos dias na semana, duração e intensidade dos treinos. Converse com seu treinador e juntos elaborem a periodização dos treinamentos.

4. Vestimenta:

Prefira roupas leves e de cores claras, que possuem a tecnologia de absorver o suor, secagem rápida e que sejam antibacterianas. A escolha do tênis ideal é fundamental para o bom desempenho do atleta, prevenindo possíveis lesões. Existem tênis para pés cavados, chatos e normais, assim como para pisadas pronadas, supinadas e neutras. Em dias de sol muito forte use boné e protetor solar.

5. Hidratação:

Mantenha-se hidratado ao longo do dia, principalmente antes, durante e após os treinos. O ideal é ingerir em média 200 ml de água a cada 20 minutos de treino. A sede é sinal de desidratação! Depois de um treino extenuante faça uso de repositores energéticos, os chamados eletrolitros, ele repõem os sais minerais perdidos com o suor.

6. Alimentação:

A fonte de energia dos corredores são os carboidratos. Eles são como os combustíveis dos carros, sem combustível o carro não anda ou, caso seja combustível de má qualidade, o desempenho não será bom.

O segredo está no equilíbrio nutricional, assim como os carboidratos são importantes, as proteínas e gorduras também são, mas de maneira controlada. A alimentação adequada também deve ser rica em nutrientes como as vitaminas e sais minerais, procure alimentar-se no máximo a cada 3 horas, acelerando assim seu metabolismo e evitando acúmulo de gordura desnecessária.

7. Estímulo adequado:

Na preparação física, um dos princípios mais importantes do treinamento é o da especificidade, além da sobrecarga e individualidade biológica. De nada adianta sair correndo sem ao menos saber o que está fazendo, qual o objetivo daquele treino, qual intensidade e volume de treino ideais. Procure um profissional habilitado para orientá-lo em seus treinamentos. Para sua segurança, esse profissional deve estar registrado no Conselho Regional de Educação Física e ser especialista em preparação física. Cuidado com os pseudotreinadores!

8. Recuperação:

Falamos de alimentação e estímulos adequados ao treinamento físico, e tão importante quanto esses fatores é a recuperação. O descanso adequado é peça-chave para que sua performance física alcance níveis ótimos. Uma boa noite de sono, evitar estresse, alimentar-se equilibradamente, divertir-se com a família e amigos, tudo isso faz diferença nos seus treinamentos. Nosso metabolismo é muito sensível, qualquer desequilíbrio fisiológico ou emocional o afeta e, uma vez afetado, seu organismo deixa de anabolizar (ganhar) para catabolizar (perder).

9. Disciplina:

Respeite as planilhas de treino, procure seguí-las corretamente dentro do proposto pelo seu treinador, os treinos são elaborados respeitando os princípios do treinamento físico e suas características pessoais, salvo algumas exceções, como nos dias em que você não estiver muito bem. Sendo assim não se preocupe, não vai ser um dia de treino ruim que vai atrapalhar seu treinamento. Com tanto que essa exceção não vire regra!

10. Mentalizações:

O treinamento psicológico é o carro-chefe na sua preparação física. Aprenda a visualizar-se correndo cada vez melhor, cumprindo suas metas e objetivos, visualize-se completando aquela corrida tão esperada, veja seu corpo modificando, tornando-se mais forte, mais resistente e cada vez mais saudável. Aproveite a corrida para colocar as idéias em ordem, descarregar as energias negativas, aproveite para tomar decisões importantes, quando a mente está tranqüila e serena essa é a melhor hora para tomar decisões.

Fonte

quarta-feira, 25 de junho de 2014

20:02:00

Aprenda a lidar com o suor durante o exercício físico


Seja qual for o exercício físico, ele sempre marca presença: o suor. Mas ao contrário do que muitos pensam, a transpiração é aliada da atividade física. Composto por águas e sais minerais, o suor ajuda a manter estável a temperatura do corpo, impedindo a chamada intermação, conjunto de sintomas que ocorre quando o corpo atinge a temperatura de 40 graus Celsius. Esse quadro, mais grave, é o último de uma série de sintomas que incluem cãibras, exaustão e desidratação". Para evitar esse desfecho, tenha consciência ao treinar. Conversamos com os especialistas, que nos contaram quais são os cuidados para diminuir os efeitos negativos de treinar no calor.

Mulher se enxugando na academia - foto: Getty Images

Nada de enxugar

Não basta suar, é preciso evaporar. Isso mesmo, a transformação da água em vapor é muito importante para que ocorra o resfriamento do corpo. A produção de suor por si só não diminui a temperatura do corpo. Enxugar a pele antes que o suor vire vapor, impede que esse processo chegue ao seu fim e dificulta a regulação da temperatura. Mas vale a ressalva: se o corpo estiver muito molhado, a evaporação também ficará prejudicada. Não exceda os limites.

Corredor se molhando - imagem: joji Ueno

Não molhe o corpo

Jogar água no corpo parece uma ideia tentadora para reverter o calor? Pois saiba que quando o corpo está molhado, a evaporação fica muito mais difícil. É criada uma película entre a superfície da pele e a atmosfera, o que impede que as gotículas de água se transformem em vapor.

Água - foto: Getty Images

Muita água

Já que suar é mais que necessário para manter a temperatura corporal adequada durante o exercício físico, o jeito é beber água para evitar a desidratação.  É  recomendável a ingestão de 200 ml de água a cada 15 minutos de atividade. Antes da prática, vale obedecer a sede, um instinto básico que nos indica se estamos desidratados ou não. Cuidado também como excesso: beber água demais não ajuda, pelo contrário, pode causar desconforto gástrico durante a atividade física.

Corrida - foto: Getty Images

Evite treinar no calor intenso

Quando a umidade relativa do ar alta, isto é, acima de 60% - de acordo com o índice de estresse térmico - a diferença de pressão entre as gotículas de água suspensas no ar e as gotículas da pele diminui. Em consequência, a evaporação do suor fica muito mais difícil. A dificuldade também aumenta quando o dia está muito quente: temperaturas maiores que 30 graus Celsius, transferem muito calor ao corpo, que precisa de uma sudorese mais intensa para normalizar o quadro. A combinação desses fatores pode ser muito perigosa, favorecendo a desidratação e mal-estar. Evite o treino nesses dias.

Água de coco - foto: Getty Images

Hidrate-se com água de coco

O suor não é composto apenas por água, dentro das gotículas também estão vários sais minerais, como o sódio, por exemplo. Por isso, apesar de ser um ótimo recurso, não fique apenas na água. Cerca de 100 ml de água de coco possuem 250 mg de potássio e 105 mg de sódio, além de vitamina C, magnésio, açúcares e cálcio. Isso faz da água de coco uma ótima opção para repor os fluidos perdidos durante a atividade física. No entanto, nenhuma bebida substitui a água, a ingestão deve ser conjunta para que corpo fique saudável.

Bebida isotônica - foto: Getty Images

Isotônicos com moderação

Já as bebidas isotônicas foram desenvolvidas especialmente para repor líquidos e sais minerais perdidos com a transpiração durante um exercício com carga intensa. No entanto, a bebida têm calorias e não deve substituir a água. O consumo inadequado de bebidas isotônicas é um erro grave, que pode levar ao agravamento de algumas doenças crônicas, como hipertensão e diabetes. Essas bebidas, como o nome já diz, são para quem pratica atividades físicas e precisam de uma reposição de sais e de energia imediata.

Suor - foto: Getty Images

Use roupas largas e claras

Ao usar roupas largas você está permitindo um fenômeno chamado convecção. A convecção permite que o ar circule ao redor da superfície corporal, diminuindo a temperatura da pele. Ao vestir roupas justas, esse processo de perda de calor é dificultado, aumentando a sudorese. Roupas claras, por sua vez, retêm menos calor que as roupas escuras, o que impede o aquecimento corporal excessivo. Também vale apostar em roupas feitas com tecido tecnológico, que não absorvem o suor, mas facilitam a sua evaporação.

Atividade leve - foto: Getty Images

Diminua intensidade e duração

Nos dias de forte calor, vale a pena diminuir a intensidade e duração dos exercícios. Esse cuidado ajuda a evitar as cãibras, a exaustão e a intermação, já que, como a atividade será mais leve, a elevação da temperatura corporal será menor. Opte por uma atividade mais tranquila, como uma caminhada, yoga ou uma aula de hidroginástica.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

09:36:00

Dicas para manter o condicionamento físico


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Manter o condicionamento físico pode ser considerado um objetivo de muitos atletas ao redor do mundo, pois será sempre necessário se manter em boa forma para continuar apresentando um desempenho satisfatório profissionalmente.

Então, resolvemos montar este texto, contendo algumas dicas que chegam a ser muito importantes para alguém que esteja em busca de um aprimoramento do seu condicionamento físico.

A primeira, e muito básica, é a prática regular de atividades aeróbicas. Esses tipos de exercícios podem ser definidos por aqueles que usam o oxigênio para produzir mais energia para os determinados músculos que estão sendo exercitados no momento.

É uma excelente forma de manter o condicionamento, já que estas atividades envolvem uma grande lista de modalidades, o que diversifica os benefícios destas práticas e aumenta as áreas que são beneficiadas.

Se um atleta estiver atrás de aperfeiçoamento físico e da sua constante manutenção, nunca deverá parar de realizar atividades aeróbicas. Elas são essências, seja qual for o esporte. Ainda mais no futebol, aonde o profissional chega a correr vários quilômetros em apenas uma partida.

Outra dica é o fortalecimento dos músculos. Os exercícios para este grupo devem ser feitos, no mínimo, duas vezes por semana. Eles envolvem estas áreas musculares do nosso corpo: os braços, ombros, o peito, abdômen, as costas, coxas e pernas.

Deverá ser feito cerca de três séries para cada grupo de músculo trabalhado. São práticas necessárias e simples que ajudam a qualquer um manter um condicionamento físico básico e apto para encarar as situações do esporte.

O corpo de um atleta é o seu principal patrimônio, é aquilo que ele usa para poder trabalhar. Portanto, ele deve estar sempre se aperfeiçoando e buscando manter essa melhora, para que seu nível nunca caia, mas apenas cresça.

Dê um prazo para que seu corpo consiga se recuperar dos treinos, é muito comum as pessoas quererem desenvolver seus músculos, fazer treinos intensos diariamente, mas na realidade isso é prejudicial para seu corpo, pois os músculos necessitam de um período para se recuperar. Nesse caso uma dica interessante é manter um período de treino e um período de descanso, a alimentação também é de suma importância para quem deseja manter o bom condicionamento físico.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

10:00:00

Preparação física no Mountain Bike

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Para a prática de exercícios correta é necessário uma série de cuidados, preparações e precauções. No mountain bike não seria diferente. Seja o prsaticante profissional ou iniciante, a preparação e o condicionamento tem que tomar cuidado com alguns pontos. 

Aquecimento e alongamento não é mesma coisa. O aquecimento é indispensável para qualquer prática esportiva, porque prepara seu corpo para o exercício, já o alongamento é algo treinável. Pode-se reservar de um a dois dias, exclusivamente, para treino de alongamento, que trabalhará o alongamento do músculo e dará mais flexibilidade ao praticante, e que é a soma de três fatores: força, velocidade e agilidade. Os treinos de alongamento não deve ser feitos antes e após treinos fortes ou competições. Nesses momentos, deve ser feito o alongamento usado como aquecimento, apenas para trabalhar um pouco da musculatura que será utilizada naquele treinamento, sem grandes preocupações com ganho de arco de movimento.

A musculação é importante para a prática do mountain bike, tendo foco em músculos motores específicos, prevenção de desequilíbrios musculares e trabalhos específicos do tronco.  Estar forte e leve é o ideal para um atleta que pretende ter um bom desempenho no mountain bike, com o percentual de massa gorda entre 12 e 13% do total, mas esse controle deve ser feito única e exclusivamente por médico e nutricionista.

E o resultado de todo o treinamento, acompanhamento médico e nutricional e preparação física resulta no adiamento do desgaste do corpo. Alexandre conta que é impossível um atleta, por mais bem preparado que ele esteja, não sinta dores ou desgastes em uma prova de endurance e longa distância, como maratonas e ultramaratonas, porém a união de todos esses fatores faz com que ele demore mais para sentir essas dores.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

15:53:00

Tempo de reação no esporte: uma revisão


Introdução

    Tempo de reação (TR) é definido como o estímulo que chega ao sistema sensorial antes do início da resposta motora (LIMA et al., 2004). Também é definido como o índice de preparação necessária para produzir movimento, ou seja, o TR é o tempo antes de iniciar a ação. O TR possui amplitude em milésimos de segundos (ms) e se manifesta com valores diferentes conforme o sistema sensorial (SCHMIDT; WRISBERG, 2010). O TR tátil é de aproximadamente 110 ms, o TR auditivo está em torno de 150 ms e o TR visual é de aproximadamente 200 ms.

    Para o TR se manifestar, o estímulo por via aferente chega ao córtex somatossensorial primário (atua nos sentidos) e no córtex parietal posterior (atua na visão e audição) (GROL et al., 2006), essa integração sensório motora encaminha a informação para área 6 do córtex motor, onde ocorre o planejamento do movimento. Esse momento do TR é conhecido como pré-motor. O período motor do TR, a informação da área 6 encaminha para área 4 do córtex motor para gerar a intenção do início do movimento, o cerebelo tem importante participação na orientação dessa futura ação (KURATA; HOSHI, 2002). Conforme a qualidade da excitabilidade cortical, o TR pode ser efetuado em uma velocidade mais breve ou mais lenta.

    O TR é uma capacidade motora difícil de ser treinada porque um fator depende da genética do atleta, o caso do tempo latente (FORTEZA, 2004). Segundo Barbanti (2010), o TR pode ser melhorado com o treinamento cerca de 10 a 20%. Para o atleta reagir a um estímulo, sempre ocorre uma latência (momento antes de iniciar a contração muscular), sendo mais breve ou demorado porque está relacionado com a qualidade do processamento da informação pelo encéfalo. Em atletas de alto nível quando comparado com iniciantes ou destreinados, o TR é mais breve (ABERNETHY; NEAL, 1999). Conforme o humor do praticante o TR pode ser mais veloz (humor positivo) ou mais lento (humor negativo) (DE SOUZA et al., 2005). Quanto mais atento o executante estiver para desempenhar a atividade, mais veloz é o TR (HELENE; XAVIER, 2003). Outros fatores influenciam na velocidade do TR e consequentemente na velocidade da resposta motora, como a idade (20 a 30 anos é o ápice) (SPARROW et al., 2006), o tipo de treino e a modalidade praticada pelo atleta (BORYSIUK; WASKIEWICZ, 2008), o sexo (o masculino é mais veloz) (TAVARES, 1991), o condicionamento físico (quanto mais treinado mais breve é o TR) (HASCELIK et al., 1989), o nível de fadiga do indivíduo (quanto mais cansado mais lento é o TR) (SANTOS SILVA et al., 2006), o nível cognitivo (os mais inteligentes possuem o TR mais breve) (RIBEIRO; ALMEIDA, 2005) e outros.

    O TR é importante para a prática de diversos esportes, quanto mais breve o TR com mais velocidade o atleta pode desempenhar a ação (JUODZBALIENE; MUCKUS, 2006). Podendo levar vantagem durante um momento da prática esportiva. O TR é composto por três tipos: simples (ocorre um estímulo e o atleta faz uma resposta), de escolha (existe mais de um estímulo onde o esportista precisa responder aos diversos sinais) e de discriminação (há mais de um estimulo, mas somente uma resposta é adequada para a situação). Conforme o TR fica mais complexo (ocorre no TR de escolha e no TR de discriminação), maior a latência para reagir à resposta porque o impulso neural fica mais demorado.

    O técnico que possui essa informação pode ensinar ao atleta a retardar o TR do oponente com uma finta e em outros momentos do esporte. Porém, o problema dos estudos do TR no esporte é a baixa validade externa porque as pesquisas ocorrem num ambiente de laboratório com pouca aplicação na modalidade (GREEN, 2000). As investigações deveriam ser conforme as "Tarefas do Mundo Real" do esporte, mas isso ocorre em poucos estudos. Isso dificulta do técnico entender e até utilizar as pesquisas do TR nas sessões e durante a disputa. Por causa dessa problemática, o objetivo da revisão foi ensinar o técnico a utilizar as informações das pesquisas do TR no esporte.

Estudos do tempo de reação no esporte

    O TR depende da qualidade da percepção do atleta para promover a resposta ao estímulo. Podendo ser melhorado com o treinamento, exceto o tempo latente, ele é genético, dependendo do processamento mental do esportista para o atleta desempenhar o TR com máxima velocidade.

    No estudo de Rodrigues e Rodrigues (1984), o TR foi mensurado do golpe mae geri (chute frontal) e do mawashi geri (chute semicircular) através de um sensor que ficou no solo. A luz próxima do saco de pancadas piscava e o atleta realizava o golpe. Nessa pesquisa não ocorreu correlação significativa (p>0,05) entre o TR e o chute, necessitando de melhorar o TR desses atletas porque essa variável é muito importante para o karatê. Para melhorar o TR dos chutes é indicado que dois karatecas estejam posicionados em base livre com o intuito de ocorrer um kumitê simulado. Um atleta faz um golpe e o outro lutador se antecipa ao seu soco e/ou chute e efetua o mae geri ou o mawashi geri, não podendo atingir o oponente com força no tronco.

    Em outra investigação, Miyamoto e Meira Junior (2004) mensuraram o TR de velocistas (n = 15) na prova de 50 e 100 m. Foi evidenciada uma fraca correlação (-0,56, p≤0,05) entre TR e o tempo de movimento para a prova de 100 m. Isso explica porque atletas com TR inferior aos melhores na saída de bloco conseguem vencer a prova por causa de um TM mais rápido. Porém, o TR do velocista precisa ser próximo dos melhores para ele conseguir se recuperar no decorrer da prova. Então, recomenda-se para a sessão o trabalho de saída de bloco para o corredor.

    A pesquisa de Souza et al. (2006) foi conduzida em jogadores do voleibol profissional da Ulbra (n = 14). O TR foi estabelecido com a tirada do pé do solo na situação de defesa após o sinal luminoso. Na situação de defesa os jogadores mais rápidos foram os levantadores (0,46684±0,25919 ms), seguido dos opostos (0,47816±0,09174 ms), em terceiro ficaram os pontas (0,58685±0,27952 ms), em penúltimo os líberos (0,60123±0,35216 ms) e em último os centrais (0,72200±0,59473 ms). O pior TR dos centrais na defesa era esperado porque esses jogadores participam pouco desse fundamento durante a partida, mas o líbero ficou com valor bem abaixo do esperado, merecendo sessões que melhorem o TR. Recomenda-se a prescrição do treino de defesa para o líbero em diversas situações do jogo durante um período de 15 dias a 1 mês. Depois desse tempo indica-se nova avaliação do TR porque segundo Cunha et al. (2003), a duração dessa sessão corresponde com a formação da memória de longo prazo, onde espera-se a otimização do TR do líbero.

    No estudo de Montés-Micó et al. (2000) foram recrutados 53 jovens jogadores de futebol com 8 a 13 anos. O aparelho de TR visual com chute simulou o momento do remate na bola de futebol. Uma televisão iniciava com tela escura, depois ficava escuro um círculo e imediatamente o atleta chutava a bola. Um sensor detectava o momento da movimentação da bola que era transferido os dados para um computador. Os jogadores de 12 e 13 anos tiveram melhor TR visual (0,387±0,034 ms) do que os atletas de 10 e 11 anos (0,406±0,046 ms) e foram superiores do que os futebolistas com 8 e 9 anos (0,412±0,062 ms). Para os jovens atletas desenvolverem ao máximo sua percepção visual é indicado a prescrição de sessões de futebol com ênfase no treino situacional ou no treino de jogo, ocorrendo de preferência na prática aleatória do aprendizado motor e sendo ensinado o treino da visão periférica que educa o atleta a jogar de cabeça erguida (MARQUES JUNIOR, 2008). Trabalhar no futebolista o treino da visão periférica melhora a percepção visual e a sessão similar a disputa permite um engrama na memória de longo prazo específico para a competição, proporcionando um TR mais breve.

    Um estudo de baixa validade externa mostrou através do estímulo sonoro um rápido aperto do botão do computador com o objetivo de determinar o TR auditivo do esportista, em seguida ocorreu o sinal luminoso e imediatamente o atleta tocou no botão do computador para estabelecer o TR visual. No surf, foi evidenciado que atletas profissionais masculinos possuem TR auditivo (0,204±0,059 ms) e TR visual (0,213±0,059 ms) superior aos praticantes do surf (TR auditivo = 0,282±0,124 ms, TR visual = 0,289±0,098 ms) (VAGHETTI et al.). Esses resultados reforçam as afirmações da literatura (WILLIAMS; HODGES, 2005), o tempo de treino gera um processamento mental mais breve para ocasionar um TR com mais velocidade. Porém, investigação de baixa validade externa permite menos ao técnico de utilizar esses dados para o treino porque não simulam um momento da disputa, dificultando em prescrever alguma atividade para melhorar o TR.

    No hóquei na grama, esporte popular na Índia, foi identificado que atletas indianos da defesa possuem um TR visual (230,31±22,93 ms) e um TR auditivo (196,38±24,06 ms) mais breve do que as demais posições (goleiros com TR visual = 256,72±37,07 ms e TR auditivo = 212,22±20,35 ms, meiocampistas com TR visual = 292,73±35,04 ms e TR auditivo = 281,18±26,54 ms, atacantes com TR visual = 244,19±41,55 e TR auditivo = 205,22±21,02 ms) (BHANOT; SIDHU, 1980). Esses resultados foram coletados através do estímulo sonoro no qual o jogador de hóquei na grama fazia um rápido aperto do botão do computador com o objetivo de determinar o TR auditivo, em seguida ocorreu o sinal luminoso e imediatamente o atleta tocou no botão do computador para estabelecer o TR visual. Entretanto, a atividade para otimizar o TR auditivo e visual dos demais jogadores o estudo não fornece porque não simula um momento da disputa.

    Portanto, o ideal que a investigação sobre TR esteja similar a algum momento da atividade competitiva do atleta para o técnico interpretar os dados e posteriormente prescrever algum exercício que melhore o TR e o tempo de movimento do esportista.

Tipos de tempo de reação e o uso do conteúdo do tempo de reação para o atleta se beneficiar na prática esportiva

    Existem três tipos de TR (simples, de escolha e de discriminação), o treinador pode orientar o atleta em utilizar o conteúdo do TR para tirar proveito nas atividades dos jogos esportivos coletivos e nas artes marciais. A seguir, será fornecido um exemplo de como o técnico pode ensinar o esportista no uso do TR durante uma jogada.

    O jogador de futebol do ataque conduz a bola na ponta esquerda, imediatamente chega um zagueiro para efetuar a marcação. Esse atacante com o intuito de evitar a marcação do defensor, imediatamente realiza uma condução da bola com velocidade pela ponta esquerda, próximo da linha lateral. Essa ação de ataque facilita o trabalho do zagueiro porque só possui um estímulo e resposta para o marcador interceptar a passagem da bola com a perna direita, ou seja, Barbanti (2001) informou que ocorre o TR simples que possui uma latência mais breve antes do atleta desempenhar a futura ação.

    Na mesma jogada desse exemplo, o atacante pode atrasar ainda mais o TR do zagueiro com uso da finta. Ele finge que vai conduzir a bola para direita e o zagueiro tenta interceptar essa ação com a perna esquerda, mas numa movimentação corporal quase simultânea ele leva a bola com a perna esquerda pela ponta esquerda com velocidade. Essa ação do atacante não dá tempo do beque fazer adequada marcação porque esse drible criou dois estímulos e respostas para o defensor, o TR de escolha. Esse atraso no TR do zagueiro por causa de dois estímulos muito próximos é denominado de período psicológico refratário. Schmidt e Wrisberg (2010) concluem as explicações:

    Em situações nas quais dois estímulos são apresentados inesperadamente muito próximos, o encéfalo do defensor capta o primeiro estímulo e começa selecionar e gerar uma resposta para ele. Então, quando o segundo estímulo é apresentado, o encéfalo já está processando o primeiro, e ocorre uma interferência com o segundo par de estímulo e resposta. Esse atraso do TR é mais longo quando o estímulo e resposta é muito curto (aproximadamente 50 a 60 ms), [...] mas se o estímulo for menos de 40 ms, o encéfalo responde aos dois estímulos simultaneamente, como se eles fossem um (p. 70-1).

    O TR de escolha é mais demorado porque a latência do processamento mental é mais longa, ocorrendo a Lei de Hick (TANI, 2004). A Lei de Hick o TR aumenta logaritmicamente à medida que aumenta a quantidade de estímulo e resposta. Portanto, dois ou três estímulos de ataque quase ao mesmo tempo retardam o TR do defensor por causa do número de opções de escolha para esse atleta efetuar a resposta. O TR de escolha não ocorre apenas na finta do futebol, ele acontece durante diversas jogadas dos esportes coletivos, na luta, no automobilismo e em outras modalidades.

    Durante o TR de discriminação ocorrem vários estímulos, mas o atleta necessita de uma resposta motora para aquela tarefa (TEIXEIRA, 2006). Isso é corriqueiro no deslocamento do central do voleibol para efetuar o bloqueio. Ele precisa observar para onde vai ocorrer o levantamento, necessita prestar atenção se o ataque vai acontecer na rede ou da linha dos 3 metros e precisa detectar se a cortada vai ser desferida por uma jogada ensaiada ou não. Após essa análise, o meio de rede se desloca e faz o bloqueio. O TR de discriminação também pode ser evidenciado nas tarefas do goleiro, por exemplo, ocorre um lance tumultuado na área onde o atacante chuta em direção a meta e os zagueiros evitam que essa bola vá para o gol, mas na segunda tentativa o atacante chuta a bola e o goleiro defende, colocando a bola para fora. Para o goleiro realizar essa defesa foi preciso ele observar o atacante, o trabalho dos zagueiros e a direção do chute para no momento certo praticar a defesa. O TR de discriminação pode ser melhorado, segundo Zakharov (1992), no treino situacional.

    Os resultados do TR durante uma temporada competitiva merecem atenção. Quando um atleta manifesta decréscimo na velocidade do TR e a duração é constante no tempo de movimento, o treinador deve treinar a tomada de decisão do competidor (MAGILL, 2000). Mas se o TR permanecer constante e o tempo de movimento, a deficiência do atleta é na execução do fundamento avaliado. Por esse motivo é importante medir e avaliar o TR e o tempo de movimento.

Equipamento ideal para identificar o tempo de reação no esporte

    Teixeira (2006) escreveu em sua obra sobre aprendizado motor que o TR é o momento que não ocorre movimento, apenas um aumento na atividade elétrica do músculo para a futura ação. Também acontece um aumento do estímulo cortical do esportista. Em 1996, Thorpe et al. publicaram um breve artigo na Nature, onde foi estudado o TR Visual. Um dos equipamentos que esses cientistas franceses utilizaram foi o eletroencefalograma (EEG) para observar a participação do TR Visual via atividade cortical quando aparecia o estímulo luminoso. Consultando a obra de Magill (2000), em eletromiografia (EMG) a atividade muscular do TR difere, quando acontece o período pré-motor, quase não existe estímulo elétrico na musculatura. No período motor do TR, o impulso elétrico na musculatura é alto, em seguida ocorre o movimento, sendo o tempo de movimento. Portanto, para mensurar o TR o ideal é o EEG e o EMG, acontecendo de preferência simulando um momento da atividade esportiva.

    Este artigo de revisão explicou como o técnico pode utilizar as informações científicas do TR durante as sessões dos atletas com o intuito de maximizar essa capacidade motora, apresentou os tipos de tempo de reação e como usar o conteúdo do tempo de reação para o atleta se beneficiar na prática esportiva e apresentou o equipamento ideal para coletar os dados do TR.

Conclusão

    O TR pode ser simples, de escolha e de discriminação, se manifesta no esporte conforme a modalidade e momento competitivo. Fornecer informações científicas sobre o TR para serem aplicados nas sessões do esporte, facilita o trabalho do técnico. Contudo, existem poucas evidências científicas sobre esse tema (SINDIK; VIDAK, 2008), tornando um conteúdo relevante para as ciências do esporte.

Referências

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BARBANTI, V. J. Treinamento físico: bases científicas. São Paulo: CLR Balieiro, 2001. p. 51, 70-71.

BARBANTI, V. J. Treinamento esportivo: as capacidades motoras dos esportistas. Barueri: Manole, 2010. p. 99, 123-7.

BHANOT, J. L.; SIDHU, L. S. Reaction time of hockey players with reference to their field positions. J Sports Med Physic Fit. v. 20, n. 4, p. 423-430, 1980.

BORYSIUK, Z.; WASKIEWICZ, Z. Information processes, stimulation and perceptual training in fencing. J Hum Kinetic. v. 19, n. -, p. 63-82, 2008.

CUNHA, M.; BASTOS, V. H.; SILVA, A.; DA SILVA, V. F.; VEIGA, H.; PIEDADE, R.; RIBEIRO, A. P. Integração sensório-motora e plasticidade sináptica no córtex cerebelar. Fit Perf J. v. 2, n. 2, p. 91-96, 2003.

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