segunda-feira, 21 de julho de 2014

Efeitos do treinamento no sistema cardiorrespiratório em crianças e adolescentes




Efeitos do treinamento no sistema cardiorrespiratório

    A maioria dos estudos sobre treinamento de endurance, tem como principal objetivo analisar alterações no VO2pico, mesmo não sendo esta a única variável importante para este sistema cardiorrespiratório. O tipo de resultado encontrado nos diferentes trabalhos, depende principalmente das características do treinamento ao qual, crianças e adolescentes são submetidos.

    De uma maneira geral, o treinamento aeróbio melhora o VO2pico por volta de 10% em crianças e adolescentes. Esta porcentagem de melhora é muito menor do que a encontrada em indivíduos adultos1. Tais respostas podem ser parcialmente explicadas pelos maiores valores iniciais encontrados em crianças e adolescentes, o que certamente, reduz o delta de variação, ou seja, quanto mais treinado, menos treinável. Desta forma, parece haver uma diminuição da treinabilidade aeróbia durante o crescimento puberal28.

    Algumas evidências sugerem que os melhores resultados aeróbios são encontrados em indivíduos pós-púberes pela interação dos fatores responsáveis pela aptidão cardiorrespiratória, como: aumento da massa magra, maior capacidade de transportar oxigênio e maior débito cardíaco. Estas alterações estão relacionadas tanto ao processo maturacional quanto aos efeitos do treinamento4.

    A magnitude da melhora do VO2pico depende do tipo de programa de treinamento utilizado. Os programas de treinamentos devem ser estruturados de forma correta, com uma relação perfeita entre: intensidade do exercício, duração e recuperação; duração total do período de treinamento; freqüência das sessões (densidade) e aptidão física inicial29.

    A seguir discutiremos cada um dos pontos mencionados.

Freqüência e duração

    A maioria dos trabalhos utiliza uma freqüência semanal de 3 a 4 sessões de treinamento, porém 2 sessões semanais já podem ser suficientes para promover boas adaptações aeróbias. Importante ressaltar, que, diferentemente do que se observa em adultos, em indivíduos pré e circupumberais, as melhoras no VO2 pico parecem ser dose dependente, ou seja, quanto mais sessões de treinamento, melhores os resultados.

    A duração de cada sessão de treinamento varia muito na literatura específica, podendo alternar de 5 até 90 minutos. Como esperado, a duração de treino mais utilizada é de 30 minutos. Neste sentido, Baquet e colaboradores (2003)30, segurem que 3 ou 4 sessões semanais, com duração aproximada de 30 minutos a 60 minutos, parecem ser a melhor opção para melhorar o VO2 pico. Para a mesma freqüência e duração, as melhoras no VO2 são independente do estágio de maturação.

Período de treinamento

    O período total de treinamento geralmente varia de 4 semanas até 18 meses. Não é claro o efeito do período de treinamento sobre a melhora da capacidade aeróbia31, por exemplo, após 18 meses de treinamento, encontraram uma melhora de 18% no VO2pico, exatamente o mesmo valor encontrado por Docherty e colaboradores29, após apenas 4 semanas. Desta forma, o período total de treinamento não parece ser um fator decisivo na melhora da aptidão cardiorrespiratória.

Intensidade e Modo de Treinamento

    Geralmente, a intensidade de exercício é definida como percentual da freqüência cardíaca máxima (FCMax), está variável está longe de ser a melhor, mais sem dúvida alguma é a mais utilizada, inclusive na literatura especializada. Ao contrário do comportamento observado com relação à freqüência e a duração do treino, para a mesma intensidade relativa de treinamento, crianças circupumberais apresentam maiores alterações no VO2 do que crianças pré-puberais, indiferente do modo de exercício a que são submetidas30.

    Os protocolos de treinamento direcionados a crianças e adolescentes são predominantemente compostos por exercícios contínuos de baixa intensidade, porém é crescente o número de estudos utilizando-se de métodos intermitentes com intensidades superiores às associadas ao VO2pico, e claro, ainda existe a possibilidade de associação entre os protocolos contínuos e intermitentes34.

Treinamento Contínuo

    Apenas 50% dos programas contínuos de treinamento em crianças e adolescentes apresentam alguma melhora aeróbia, quando a intensidade utilizada é maior que 80%FCmax, com intensidades menores que 80%FCmax, este percentual de melhora cai para 20%. Protocolos contínuos de baixa intensidade parecem ser adequados apenas para crianças e adolescentes com baixo nível inicial de aptidão física25.

    Massicotte & Macnab33, em um estudo pioneiro, analisaram crianças que treinaram por 12 minutos, 3 vezes por semana durante 6 semanas em intensidades relativas entre 66-72%, 75-80% e 88-93%FCmax, apenas o grupo que treinou em maior intensidade (+ 90% FCmax) apresentou melhoras significativas no VO2pico, enquanto que na menor intensidade, nenhuma melhora foi observada. A maior parte dos trabalhos encontram resultados positivos com intensidades de trabalho entre 80 -100% FCmax.

    Crianças e adolescentes, treinadas em protocolos contínuos, necessitam de intensidades acima de 80% FCmax para promover melhoras na aptidão aeróbia. Porém, neste tipo de metodologia a maior dificuldade é a aderência à prática, este padrão de baixa aderência pode explicar os péssimos resultados obtidos pela maioria dos profissionais, mesmo quando sessões extras de exercício são adicionadas34.

Treinamento Intervalado

    Assim como no treinamento contínuo, 50% dos trabalhos com treinamento intervalado não são eficientes em melhorar o VO2. Protocolos intermitentes com longos períodos de atividade e intensidade abaixo de 100%FCmax, geralmente não afetam a resposta aeróbia, por exemplo, 3 séries de corridas com 3 minutos de duração e intensidade de 90%FCmax, com 1 minuto de recuperação passiva entre cada série, não elevam a performance aeróbia de jovens atletas. A relativa baixa intensidade associada ao baixo volume de treinamento, provavelmente não são suficientes para incrementar o VO235.

    Crianças realizam somente 5% de suas atividades físicas diárias em alta intensidade (acima do limiar anaeróbio) por curtíssimos períodos de 15 segundos36. Neste sentido, Baquet e colaboradores30 observaram grandes melhoras no VO2pico, em crianças submetidas a curtos estímulos, com duração de 10-20 segundos, em altas intensidades, seguidos por igual período de recuperação. Assim, existem indícios que protocolos de exercício intervalados devem alternar períodos de curta duração (exercício/recuperação), com altíssimas intensidades (próximas ou acima do VO2max).

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