segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

08:38:00

Importância dos Fundamentos nos Esportes



Parece que não é necessário falar mas é sempre importante frisar que cada esporte, por ter sua própria característica, tem os seus próprios fundamentos. Para o profissional que trabalha com esporte, é preciso identificar quais são esses fundamentos, a sua importância na mecânica do jogo, formas de serem potencializados e, claro, a sua aplicação no jogo em si.

30 aulas para Educação Física Escolar

É através do bom desempenho na execução de fundamentos de cada esporte que poderemos ter um bom desempenho na ação do esporte.

Vamos dar o exemplo do basquete. Essa modalidade possui uma série de fundamentos – sete, ao todo – que devem ser respeitados e praticados para se tornar um bom atleta. O manejo da bola e do corpo, o drible, o passe, o arremesso, os fundamentos individuais de defesa e o rebote são aspectos técnicos que devem ser levados em conta pelos iniciantes no esporte. Sem uma boa defesa e ataque a equipe não vai ter um bom rendimento. E para ter um bom ataque, é preciso que o manejo da bola, o drible, o passe e o arremesso tenham uma boa técnica.

Se formos pegar como exemplo o futebol/futsal, não teremos uma equipe com bom desempenho se falhar no passe ou no chute a gol, dois fundamentos que fazem parte desses esportes e devem ser treinados.

Para o profissional que trabalha com esporte, é importante estar atento ao ensino e no desempenho dos seus alunos em cada etapa do ensino/treino de fundamentos. E isso independe do método de ensino escolhido pelo professor.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

08:52:00

Teste para medir e avaliar o VO2max



Existem diversos tipos de testes que são utilizados para medir e avaliar o VO2max, tanto aqueles realizados em um laboratório de fisiologia, como em uma pista de atletismo.

Os testes de laboratório (na esteira ergométrica, por exemplo), apresentam um resultado mais confiável do ponto de vista da precisão da medida e valores obtidos. Já na pista de atletismo, a medida do VO2max será apenas um valor aproximado; entretanto, servirá ao propósito de orientar o corredor para elaborar o seu treinamento.

Independente de qual deles seja o melhor, o objetivo de qualquer teste é trazer informações sobre o estágio em que se encontra o corredor e, a partir disso, proporcionar um modo seguro para determinar o seu rendimento nos treinos e competições.

Assim, com as informações colhidas no teste, o corredor poderá avaliar a sua condição física atual e, com essa base, elaborar o seu treinamento de um modo mais seguro (ritmo da corrida e distância a ser percorrida nos treinos).

O teste que apresentamos aos corredores para medir e avaliar o VO2max é simples, não necessitando das modernas tecnologias (que muito contribuem para a evolução do esporte!). Para realizar o teste, basta uma pista de atletismo ou um local totalmente plano e devidamente demarcado; um cronômetro e uma calculadora, além de muita disposição para enfrentar os seus limites!

Realizando o teste

Após o devido aquecimento, o corredor deverá acionar o cronômetro e percorrer a distância de 2.400 metros (6 voltas na raia 1) no menor tempo possível. Ao finalizar o percurso, trava-se o cronômetro e marca-se o tempo de conclusão, que será utilizado para determinar a medida do VO2max.

No momento da realização do teste, o corredor deve estar em perfeito estado de saúde e, de preferência, acompanhado por um profissional da Educação Física. Não esquecer que as condições climáticas (calor excessivo ou frio intenso), interferem no resultado do teste.

Calculando o VO2max

Para calcular o VO2max, o corredor deverá utilizar a seguinte fórmula:

VO2max = 480 / tempo em min + 3,5

O resultado, ou seja, a medida do VO2max, é expresso em mililitros de oxigênio consumido por quilo corporal do corredor por minuto de exercício realizado (ml.kg.min).

Vamos a um exemplo prático:

O corredor alcança a marca de 12 minutos na distância de 2.400 metros.

Aplicando a fórmula, temos:

VO2max = 480 / 12 + 3,5 ;

VO2max = 40 + 3,5 ;

VO2max = 43,5 ml.kg.min

O resultado encontrado indica, de modo indireto, a medida do consumo máximo de oxigênio obtido pelo corredor no teste. Para classificar o nível do seu condicionamento físico pelo VO2max, o corredor poderá consultar a tabela 1. Na tabela 2, é possível encontrar alguns cálculos já realizados. No caso de se finalizar o teste com tempo "quebrado", basta dividir os segundos por 60. Por exemplo: corredor termina os 2.400 m em 9:22; dividindo-se 22 por 60, chega-se a .36; portanto, deve-se dividir 480 por 9,36 para obter o VO2max.

Como utilizar o VO2max na prática?

Ao calcularmos o VO2max, podemos utilizar essa informação para determinar o ritmo de corrida, conforme sejam os níveis de percepção do esforço físico (confortável, moderado, forte). Para isso, os seguintes percentuais do VO2max serão utilizados:

Menos de 70%: CONFORTÁVEL

70 a 85%: MODERADO

Mais de 85%: FORTE

Definidos os percentuais que serão utilizados no treinamento, o corredor deverá multiplicar esses percentuais (em fração), pelo valor do VO2max encontrado no teste de 2.400 metros, determinando assim o seu VO2t (consumo de oxigênio de treinamento).

VO2t = % do Treinamento x VO2max

Exemplo para um corredor que irá se exercitar a 70% do seu VO2max (43,5 ml.kg.min):

VO2t = 0,7 x 43,5

VO2t = 30,4 ml.kg.min

Esse resultado será utilizado para determinar a distância que será realizada nos treinamentos, conforme a relação existente entre o percentual de intensidade do VO2max e a duração da corrida (tabela 3).

Para calcular a distância a percorrer, aplica-se a seguinte fórmula:

D (distância em metros) = VO2t / 0,2 x T (tempo do treino em minutos)

Vamos a um exemplo prático de como o corredor poderá adotar essa metodologia em seu cotidiano. Corredor quer saber qual distância deve ser percorrida em 40 min em uma intensidade de 75% do VO2max.

Realizando os cálculos, passo a passo, temos:

VO2max = 43, 5 ml.kg.min

VO2t = 0,75 x 43,5

VO2t = 32,6 ml.kg.min

D = VO2t / 0,2 x T

D = 32,6 / 0,2 x 40

D = 163 x 40

D = 6.520 m

Ou seja, o corredor, em 40 minutos, com uma fração de 75% do VO2max percorre a distância aproximada de 6.520 metros.

O teste de VO2max poderá ser realizado a cada 8-10 semanas, sempre com a intenção de verificar o nível de condicionamento aeróbico e a evolução do mesmo durante um período da preparação, além de importante ferramenta para determinar os valores (intensidade e quilometragem) que serão utilizados no treinamento.

Lembramos aos corredores que a execução de qualquer teste, por mais simples que seja, exige cuidados especiais, pois para que o teste seja válido será necessário muito empenho e a mobilização máxima da vontade.

Além disso, o que apresentamos são as condições gerais para a avaliação e o treinamento, necessitando de maiores informações individuais para a personalização do programa de preparação para a competição.

O corredor, em qualquer situação de treinamento, deverá estar com a saúde em dia (exames médicos atualizados) e, se possível, ser orientado por um profissional da Educação Física, que saberá conduzi-lo de modo seguro e eficaz.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

14:15:00

Automatização e refinamento da iniciação esportiva





Nessa fase do processo, o jovem procura, por si só, a prática de uma ou mais modalidades esportivas por gosto, prazer, aplicação voluntária e pelo sucesso obtido nas fases anteriores. Neste sentido, os atributos pessoais parecem ser fundamentais para o aperfeiçoamento das capacidades individuais. A idade e o biótipo, além da motivação, são características determinantes para a opção por uma ou outra modalidade na busca da automatização e refinamento da aprendizagem dos conteúdos das fases anteriores, buscando a fixação em uma só modalidade.

Planos de aulas para vários esportes 

Weineck (1991) reconhece que a seleção dos atletas adolescentes é feita com base nas dimensões corporais e na qualificação técnica, além dos parâmetros fisiológicos e morfológicos. As condições antropométricas, além dos fatores afetivos e sociais, exercem uma influência significativa na detecção de futuros talentos. Desta forma, a preparação das capacidades técnico-táticas recebe uma parte relevante do treinamento, contudo, consideramos o seu desenvolvimento dos atletas aliado a outros fatores, como o desenvolvimento das capacidades físicas. O objetivo é desenvolver, de forma harmônica, todas as capacidades, preparando os adolescentes para a vida e para posteriores práticas especializadas.

Gallahue (1995) pontua que, nessa fase, acontece a passagem do estágio de aplicação para a estabilização, a qual fica para o resto da vida. Nesse contexto, Vieira (1999) afirma que ocorre, nessa fase da aprendizagem, um ensino por sistema parcialmente fechado (prática). Assim, o plano motor que caracteriza o movimento a ser executado, bem como as demais condições da tarefa, já estão prioritariamente definidos, e almeja-se o aperfeiçoamento. Isso significa que, a partir da aprendizagem de múltiplas modalidades, a prática motora é uma atividade específica. Quer dizer, cada modalidade desportiva coletiva, requer dos indivíduos alguns requisitos relacionados à demandas específicas das tarefas solicitadas.

O fenômeno, aqui, é a automatização do movimento, isto é, todas as aquisições que aconteceram de forma consciente e com muito gasto de energia podem, agora, ser executadas no subconsciente, com menor gasto energético, ou seja, de forma automatizada.

Em relação aos conteúdos de ensino, Paes (2001), em sua abordagem escolar, propõe que, além das experiências anteriores, sejam apreendidas pelos atletas, sejam: as situações de jogo, e sistemas ofensivos como também os exercícios sincronizados, cujo principal objetivo é proporcionar aos alunos a execução e a automatização de todos os fundamentos aprendidos, isolando algumas situações de jogo. Com base nesse pensamento, deve-se iniciar as organizações táticas, ofensivas e defensivas sem muitos detalhes. As "situações de jogo" devem ser trabalhadas em 2x1, 2x2, 3x3 e 4x3, possibilitando aos alunos/atletas a oportunidade de praticar os fundamentos aprendidos em situações reais de jogo, com vantagem e desvantagem numérica.

Outro conteúdo específico nessa fase é a "transição", entendida como contra-ataque nos jogos desportivos coletivos. Paes (2001) define essa fase "como a passagem da ação defensiva para a ação ofensiva" (Paes, 2001, p. 113). Constatamos que a evolução técnica e tática e as mudanças na regras do jogo transformaram a transição ou contra-ataque em objeto de estudo de várias escolas esportivas em todo o mundo. Assim, deve-se dar atenção especial aos aspectos fundamentais que envolvem o treinamento da transição ao ensinar esportes para adolescentes, pois estes aspectos, desenvolvidos com vantagem e desvantagem numérica, podem aperfeiçoar em reais situações de jogo a técnica, a tática, o físico e o psicológico dos alunos/atletas na busca da maestria, ou seja, da autonomia e do conhecimento teórico e prático sobre o contexto dos jogos.

Em relação às habilidades motoras, a fase de automatização e refinamento enfatiza a prática do que foi aprendido e acrescenta as situações de jogo, transição (contra-ataque) e sistemas táticos de defesa e ataque, os quais, aliados à técnica, visam ao aperfeiçoamento das condições gerais da formação do atleta, na qual os conteúdos de ensino equilibram-se entre exercícios e jogos com o objetivo de ensinar habilidades "técnicas específicas", que são o modo de fazer aliado à "tática específica", a razão de fazer.

Para uma melhor compreensão sobre a tática, Konzag (1983) a divide em individual e de grupo, tanto no ataque quanto na defesa. Bota e Evulet (2001) acrescentam que a tática de equipe é ações coletivas, indicando os princípios de ações ofensivas que estão nas bases dos sistemas dos jogos desportivos coletivos; posicionamento rápido, contra ataque, ataque e defesa. As ações táticas em grupos entre dois e três atacantes ou defensores com e sem bola são subordinações dos princípios do jogo. As ações individuais com e sem bola são utilizadas somente por jogadas de um só jogador.

O desenvolvimento das capacidades físicas deve acontecer logo que a criança inicia as atividades em forma de brincadeiras nas ruas ou jogos recreativos na pré-escola e na 1.ª à 4.ª série do ensino fundamental, e também a partir do momento que entra na 5.ª e 6.ª séries, nos jogos coletivos desportivos específicos. O próprio jogo coletivo, por meio de seus conteúdos, tem a finalidade de aperfeiçoar a velocidade de reação, a coordenação, a flexibilidade e a capacidade aeróbica dos pré-adolescentes. Isso se torna necessário para um desenvolvimento físico generalizado através de exercícios e jogos.

Na fase de automatização e refinamento dos fundamentos - exercícios sincronizados e sistemas aprendidos - e o desenvolvimento das capacidades físicas, volta-se para o aperfeiçoamento do que já foi conseguido anteriormente, fortalecendo a estrutura física, destacando as capacidades físicas específicas de um determinado esporte; como exemplo, a resistência de velocidade, muito utilizada no basquetebol, futsal, futebol entre outros.

No caso das habilidades (técnicas), como exposto anteriormente, os jogos e as brincadeiras, nas fases de iniciação desportiva I e II, objetivam à aprendizagem da manipulação de bola, passe-recepção, entre outras, e no domínio corporal, a agilidade, mobilidade, ritmo e equilíbrio; dando início à formação tática e ao aperfeiçoamento das capacidades físicas - coordenação, flexibilidade e velocidade - que constituem as bases para a fase de iniciação esportiva III, a qual possui, como conteúdos, a automatização e o refinamento da aprendizagem, preparando os alunos/atletas para a especialização.

Na fase iniciação esportiva III, a automatização e o refinamento da aprendizagem inicial possibilitam ao praticante optar por uma outra modalidade após as experiências vividas e depois da aprendizagem de várias modalidades esportivas. Acreditamos que os movimentos desorganizados aos poucos vão se coordenando, e os jovens, por sua própria natureza e interesse, vão se decidindo em qual modalidade se especializarão.

Nesse período do processo de desenvolvimento, os técnicos de cada modalidade utilizam suas experiências e competência profissional como instrumento de seleção esportiva. Outras possibilidades são necessárias para auxiliar os técnicos, como o apoio dos pais, das prefeituras, dos estados, das instituições, federações e confederações, a fim de promover os talentos (Oliveira, 1997).

Fonte

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