quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Organização do treinamento no futebol e no futsal




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  De modo geral, o treinamento do futebol e do futsal na adolescência deve ser organizado em função da disponibilidade de tempo, objetivos, estágio de maturação biológica e nível de desempenho dos praticantes. Em geral, o treinamento físico, técnico e tático para o jogo como forma de lazer, pode ser realizado com a utilização dos jogos formais e jogos reduzidos (regras adaptadas). Todavia, na figura 1, são apresentadas diferentes formas de treinamento em função do estágio de maturação biológica e do nível de desempenho individual.

Figura 1. Representação esquemática da organização do treinamento para indivíduos 

em diferentes estágios de maturação biológica e nível de desempenho na modalidade.

    Caso seja viável, é possível utilizar métodos intervalados de corrida, com intensidade de esforço de 10" a 1' (no caso do futsal) e de 10" a 2' (futebol). Esse método de treinamento tem sem mostrado adequado tanto para a evolução do VO2máx., como do limiar anaeróbio (Gibala et al., 2006; Gormely et al., 2008), promovendo um adequado estímulo para a solicitação anaeróbia e aeróbia presentes nos jogos. O método contínuo de treinamento não é indicado para o futebol e o futsal, uma vez que nos jogos os esforços são de caráter intermitente.

    Quando utilizado os jogos adaptados como meio de treinamento da capacidade física, a mesma condição descrita no treinamento intervalado deve estar presente, ajustando-se as regras para que ocorram deslocamentos constantes e em elevada intensidade. Por exemplo, para que um gol seja validado, todos os jogadores da equipe atacante devem estar à frente da linha da área. Caso algum defensor esteja atrás dessa linha no momento em que todos os atacantes estiverem à frente, seu time perde 1 ponto. Essa regra exige deslocamentos constantes de ambas as equipes para os diferentes lados da área de jogo. Manipulando o tamanho dessas áreas, é possível exigir esforços com diferentes tempos de duração. A maior vantagem desse tipo de treino é que a evolução dos parâmetros fisiológicos ocorre em conjunto com as solicitações técnicas e cognitivas.

    Considerando o treinamento técnico, primeiramente, deve ser reconhecido que sua execução é condição básica para que o jogo tenha condições de ocorrer. Em outras palavras, se os fundamentos não forem dominados, é difícil pensar em um jogo de futebol ou futsal. Sendo assim, caso o praticante não domine os diferentes fundamentos, o treinamento deve ocorrer em situação de pouca ou nenhuma influência externa (ambiente estável) e que permita a repetição constante desse fundamento. Normalmente, esse método de treino tem recebido a denominação de treinamento analítico ou tecnicista. Foge do escopo deste texto as discussões conceituais acerca dessas denominações, mas vale ressaltar que esse tipo de treino não é necessariamente ruim nas fases iniciais de aquisição da técnica. Todavia, deve ser utilizado somente em condições onde a aquisição dos fundamentos seja inviável por meio dos jogos e jogos reduzidos (Williams & Hodges, 2005).

    Caso o praticante já domine os fundamentos (o que é desejável na adolescência), eles podem e devem ser aperfeiçoados nos jogos e jogos adaptados. Portanto, seu treinamento deve ocorrer em situações de elevada interferência contextual (prática aleatória) e elevada variabilidade (prática variada) (Reid, 2007; Williams & Hodges, 2005); esse tipo de prática é conhecida como prática global. Como o próprio nome indica, ela é muito próxima da realidade (global) da modalidade, por isso, muitas vezes é também adequada para o treinamento tático e físico.

    Para finalizar, é importante ressaltar que o texto teve seu foco voltado aos aspectos físicos, técnicos e táticos relacionados ao desempenho no futebol e no futsal. O conhecimento das características individuais de crescimento e desenvolvimento e do nível de familiaridade com a modalidade permite uma melhor organização dos treinos/aulas, favorecendo o envolvimento e a evolução do desempenho. Evidentemente, também devem ser enfatizados os aspectos psicológicos, culturais e sociais presentes em qualquer atividade humana.

Referências



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